Você está vendo os artigos na categoria “Ciência”

Paradoxo de Monty Hall–ou: Você não entende Game Shows, quer entender o Universo?

Por: em 07/02/12 na(s) categoria(s): Ciência


portadosdesesperados

Pode não parecer, mas Ciência é útil até se você se encontrar na nada invejável situação de participar de um game show de televisão, daqueles bem clichês. No caso, um daqueles clássicos “escolha a porta certa”.

A dinâmica é bem simples. O apresentador pede para você escolher uma das três portas. Ele sabe de antemão atrás de qual está o prêmio. Você escolhe a por 1, sabendo que tem 1/3 de chances de acertar. O apresentador te instiga, pergunta se quer mudar de porta. Ele abre a porta 3, não há prêmio.

A tensão aumenta, sua última chance, fica com a porta 1 ou vai para a porta 2. Bem, são só duas portas, 50% de chance de estar em cada uma, qual a vantagem de mudar? Você fica, e ganha ou não.

Só que não 50% das vezes.

COMO ASSIM, BIAL?

O Paradoxo de Monty Hall tem esse nome em homenagem a um apresentador popular da Game Shows nos EUA, e foi proposto pela primeira vez em 1975, mas se tornou popular em 1990, quando Marilyn Vos Savant publicou uma coluna na revista Parade sobre ele.

Literalmente milhares de leitores, muitos matemáticos e PHDs escreveram reclamando que o Paradoxo estava errado, que não fazia sentido você ter duas portas e os resultados entre elas não ficarem em exatos 50%.

Realmente vendo assim não faz sentido, mas como o Leo Jaime diz, o Universo não te deve tapete vermelho, e –acrescento eu- muito menos explicação. O Cosmos não tem obrigação de fazer sentido pra você, seu macaco pelado fruto de uma instabilidade entrópica!

Vejamos com outros olhos o problema:

Temos as portas A, B e C. Cada uma tem 1/3 de chances de conter o prêmio. DUAS portas têm 2/3 de chance. No momento em que você escolhe UMA delas, você compete com 1/3 e elas com 2/3.

Quando o apresentador abre a 3a porta, que não contém o prêmio, as chances NÃO MUDAM, aquele conjunto ainda é o conjunto inicial com 2/3 de chance de ser premiado. Portanto você tem uma porta que vale 1/3 e outra que vale 2/3.

Quando o apresentador perguntar, você muda de porta e DOBRA suas chances.

Contra-intuitivo, né? O bastante para um monte de gente inteligente demorar pra aceitar a explicação. Até os Mythbusters fizeram um segmento onde determinam se realmente é vantajoso mudar de porta.

Spoiler: Sim, é absurdamente vantajoso.

Cientistas Holandeses criam Velhinha Biônica

Por: em 06/02/12 na(s) categoria(s): Ciência


“Cavalheiros, nós podemos reconstruí-lo. Melhor, mais forte, mais rápido. Nós temos a tecnologia”

Não há como saber se a velhinha de 83 anos se lembrou da clássica abertura do Homem de Seis Milhões de Dólares, quando acordou após 4 horas de cirurgia, mas definitivamente ficou grata do que era pura ficção científica em sua juventude ter se tornado realidade, debaixo de seu nariz.

Portadora de uma infecção séria, que comprometeu boa parte de sua mandíbula, a paciente não-identificada tinha um prognóstico sombrio. Como qualquer médico de padaria pode explicar, qualquer intervenção em pacientes idosos mais complexa que depilação do buço é contra-indicada. Cirurgias pesadas só em último caso.

O procedimento normal seria remover parte do osso afetado, fazer enxertos ósseos e no final isso significaria 10h de cirurgia reconstrutora. Ela não resistiria.

Aí entra o pessoal do Instituto de Pesquisa Biomédica da Universidade Hasselt, na Bélgica. Eles desenvolveram técnicas para escanear em detalhes estruturas ósseas e projetar substitutos artificiais.

Com os dados da paciente modelaram uma mandíbula 3D com todas as estruturas necessárias para passagem de vasos sanguíneos e nervos, fixação de músculos, gengivas e dentes. Como usaram um scan 3D em alta resolução do crânio da paciente, não há aquela chatice de ficar limando pra encaixar, igual seu dentista neandertal ainda faz com sua ponte móvel, vovô.

Aqui entra em cena a LayerWise, uma empresa especializada em impressão 3D, mas não aquelas bobagens de prástico que a gente vê no Make.Com. Eles usam Lasers de verdade, derretendo camadas de 1/33 de mm em Titânio em pó.

Camada a camada a mandíbula foi sendo criada. Ao final foi recoberta com uma biocerâmica porosa, que aumenta a fixação aos tecidos adjacentes.

Com meras 4 horas de cirurgia a mandíbula podre da velhinha foi retirada, a 0KM de Titânio foi colocada no lugar e a paciente, que poderia passar o resto da vida sem mandíbula (não google por isso, sério) falou normalmente assim que a anestesia passou e no dia seguinte já estava comendo normalmente.

Em breve serão aparafusados fixadores para uma mega-power dentadura e a velhinha poderá arrancar dedos dos netinhos, com sua mandíbula 1/3 mais pesada e várias vezes mais forte que a normal.

Em 4 dias ela recebeu alta e foi pra casa. Pense nisso: Arrancam sua mandíbula, enfiam outra no lugar e você vai pra casa em 4 dias.

O procedimento além de tudo é econômico, tanto em termos de tempo quanto em custos de equipe cirúrgica e pós-operatório.

Fonte: BBC

Cientistas que não assistiram A Coisa prestes a acessar lago 4Km sob o gelo da Antártica, isolado por 25 milhões de anos.

Por: em 06/02/12 na(s) categoria(s): Ciência


vostok_lake-tour

Estação de Pesquisas Russa do Lago Vostok, onde todos morrerão horrivelmente.

Nos Anos 80 os dois principais fatores que deixavam os adolescentes acordados durante a madrugada eram o Sala Especial no SBT e A Coisa – Enigma de Outro Mundo, de John Carpenter.

O filme conta a história de uma expedição na Antártica, onde cientistas desenterram uma nave alienígena contendo uma criatura que se esconde no corpo das vítimas, gerando o clássico suspense “ninguém é confiável”. Além do terror psicológico o filme tinha cenas nojentas, como esta.

Corta para a “realidade”:

Há mais de 200 lagos subglaciais na Antártida, são regiões debaixo do gelo onde calor de fontes geotermais mantém a temperatura acima do ponto de congelamento. O maior deles é o Lago Vostok, fica embaixo da estação de pesquisas russa do mesmo nome. Por lago não entenda aquela poça do Ibirapuera. O Vostk tem 250Km de comprimento, chega a 50Km de largura em algumas partes e a profundidade média é de 344 metros. Isso tudo a 4Km abaixo da superfície do gelo.

A concentração de Oxigênio no Vostok é 50 vezes maior que a média de lagos equivalentes na superfície. Amostras de gelo próximas à superfície do lago trouxeram bactérias, o que ajuda na teoria de que haja vida no Vostok.

Ou seja: Um lago subterrâneo (ou subgelâneo), sem luz, com temperatura de -3C, a uma pressão de 350 atmosferas, repleto de Oxigênio. Isolado do resto do mundo por 25 milhões de anos. Ninguém tem a menor idéia do que pode sair dali.

Nem o grupo de cientistas russos que estava a 15m da superfície do Vostok, alguns dias atrás e parou de perfurar para discutir perigos de contaminação e outros procedimentos. Valery Lukin, líder da expedição disse: “É como explorar um mundo alienígena onde ninguém foi antes. Nós não sabemos o que vamos encontrar”.

Agora o Inverno está chegando (ou você acha que há Outono por lá?) e a estação Vostok ficará isolada. Para piorar, cientistas americanos na Estação McMurdo avisaram que tem 5 dias que não conseguem qualquer comunicação com os russos.

Isolados pelo clima, sem comunicação, escavando um lago onde a Evolução teve 25 milhões de anos para criar… qualquer coisa?

Já vi esse filme. Chamem o Kurt Russell.

[atualização] Pelo menos duas estações de pesquisa na Antártica fazem exibições anuais do filme de John Carpenter -e d’O Iluminado- depois que o último avião parte, deixando as bases isoladas durante o Inverno. Portanto, não tem desculpa!

Contador Geiger no celular? Tem uma App pra isso™

Por: em 30/01/12 na(s) categoria(s): Celular, Ciência, Computação móvel


Radiação pode até ter efeitos secundários benéficos, como estimular a indústria da construção civil em Tóquio ou diminuir os casos de bullying envolvendo cientistas fracotes irritados, mas de um modo geral não é algo benéfico quando fora de controle, por isso qualquer dica para evitar exposição é bem-vinda.

Inclusive a App que está sendo desenvolvida pelo Helmholtz Research Center, de Munique. A idéia é muito simples: Tampando a lente de um celular (no caso, Android) você bloqueia os fótons de baixa energia, mas não os de alta, nem partículas realmente decididas. Quando essas partículas atingem o sensor, este reage normalmente, gerando a pequena carga elétrica que é decodificada como um pixel. Por uma fração de segundo, um ponto pisca na tela.

Medindo a frequência com que os pontos no sensor CMOS são excitados (uia!) e levando em conta a área de superfície do mesmo, é possível calcular, de forma aproximada a dose de radiação incidente. Claro, não é possível determinar o tipo de radiação, mas é um começo.

A App está sendo vendida meio que a sério, mas é mais uma curiosidade. Alguns vão achar caros os US$4,99 pedidos mas ainda está dentro da faixa de “extravagâncias eventuais” da maioria dos compradores de apps.

Por enquanto só está disponível no Android Market, mas versão para iOS já está em desenvolvimento.

Para fins de curiosidade, veja o vídeo acima, com uma fonte radioativa “a sério”, e compare com a exposição dos raios-x de aeroporto, neste vídeo aqui:

Fonte: LH

Gamers poderão ajudar a encontrar a cura do câncer e da aids

Por: em 25/01/12 na(s) categoria(s): Ciência, Games, Miscelâneas


Lançado em 2008, o Foldit é um jogo criado por cientistas da Universidade de Washington que tem a nobre missão de ajudar os pesquisadores a descobrirem a cura para doenças como o câncer, Mal de Alzheimer e a aids. Basicamente nele somos apresentados a uma proteína e temos como objetivo modificá-la como se fosse um quebra-cabeça, tornando-a mais estável e quanto menos energia for desperdiçada no final, maior nossa pontuação.

dori_fol_25.01.12O interessante é que recentemente os bioquímicos da universidade liberaram no sistema do jogo uma enzima criada por eles e após os jogadores enviarem cerca de 180 mil diagramas, os pesquisadores conseguiram criar uma nova enzima 18 vezes mais poderosa do que a que eles próprios haviam descoberto, levando o feito a ser publicado no periódico Nature Biotechnology.

“Trabalhei por dois anos para fazer essa enzima melhor e não consegui,” declarou Justin Siegel um dos pesquisadores do projeto. “Os jogadores do Foldit foram capazes de realizar um salto maior no espaço estrutural e ainda não entendo completamente como eles fizeram isso.”

A façanha de extrema importância mostra ainda que pessoas normais como eu e você podem ser de grande ajuda ao projeto e embora a tal enzima não tenha uso prático no mundo real, o puzzle resolvido pelos jogadores envolve uma proteína desenvolvida para bloquear o vírus da gripe responsável pela pandemia de 1918.

O Foldit conta com cerca de 240 mil usuários registrado, sendo que 2200 estiveram ativos na última semana e caso queira participar, basta fazer o download do programa na página oficial, com versões para Windows, Linux e Mac.

[via Yahoo! News]

A terrível e perigosa fonte de radiação na sua gaveta

Por: em 19/01/12 na(s) categoria(s): Ciência


Two_Cars

Dizem que em ciência não há indicação maior de que há uma grande descoberta esperando para ser achada do que quando um cientista diz a frase “Humm, isso é esquisito”.  Os grandes saltos acontecem quando o Universo não se comporta da maneira esperada, e como todo Cosmos arrogante, ignora os modelos teóricos, atrapalhando a vida de cientistas que nunca lhe fizeram nada.

Um bom exemplo é encontrado na área da Tribologia, um campo da ciência que estuda os efeitos e interações entre superfícies. É a triboluminescência, um fenômeno registrado pela 1a vez em 1620, pelo delicioso cientista Francis Bacon. Ele documentou que cristais de açúcar quando partidos no escuro emitiam flashes de luz.

Com o tempo outros fenômenos foram registrados. Em 1675 um astrônomo chamado Jean-Felix Picard (nome ridículo pra alguém ligado a espaço) percebeu que seu barômetro brilhava no escuro, na área de vácuo onde não havia Mercúrio. O fenômeno era causado pela eletricidade estática gerada pelo Mercúrio se esfregando no tubo de vidro (ui!).

Continue lendo »