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SpaceX garante: Starship lunar estará pronta até 2027

SpaceX diz ter um plano para "simplificar" projeto da Starship HLS, a fim de salvar contrato com a NASA para a missão Artemis III

32 semanas atrás

Em 2021, a SpaceX ganhou o contrato para a construção de um lander lunar dedicado à missão Artemis III, para levar astronautas norte-americanos de volta à Lua. O cronograma original previa o lançamento para 2024, mas foi adiado várias vezes e está atualmente previsto para 2027.

O problema, ninguém nunca nem viu a versão HLS (Human Landing System) da Starship, o que levou ao administrador interino da NASA, Sean Duffy, a sugerir a reabertura da licitação, o que foi respondido por um longo e previsível piti de Elon Musk.

Starship HLS só foi vista em artes conceituais (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Starship HLS só foi vista em artes conceituais (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Apesar disso, a SpaceX garante que irá cumprir os prazos e entregar a Starship HLS até 2027, se escorando em um plano para "simplificar" o desenvolvimento do foguete.

SpaceX: Starship HLS chegará no prazo

A licitação original ganha pela SpaceX prevê o orçamento de US$ 2,89 bilhões (~R$ 15,5 bilhões, cotação de 03/11/2025) para o desenvolvimento da Starship HLS, que servirá como o lander da missão Artemis III; o plano doido original mantém o SLS e a cápsula Orion, que deverão ser justificados por consumirem muito dinheiro dos contribuintes, e pelo foguete em si ser uma plataforma política, controlada pelo Congresso dos Estados Unidos.

No entanto, o governo dos EUA não estaria muito contente com o ritmo de desenvolvimento da SpaceX, mesmo com esta supostamente pisando no acelerador para refinar a versão de carga da Starship. O modelo HLS, por sua vez, só foi visto em artes conceituais, mas a companhia de Elon Musk jura que ele estará pronto para a missão Artemis III, que originalmente deveria ter ocorrido em 2024, mas lembre-se, o foguete foi originalmente prometido para 2024. Até agora, necas de pitibiriba.

Enquanto isso, os EUA atravessam agora o segundo shutdown mais longo de sua história (34 dias na data de publicação deste post, só perde para o do primeiro mandato de Trump que durou 35 dias, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020), devido desavenças entre o Executivo e o Legislativo sobre o orçamento para 2026, onde a NASA é um dos pontos críticos da briga.

A Casa Branca quer limitar a verba a apenas US$ 18,8 bilhões (~R$ 100,7 bilhões), com cortes de 47% no setor de Ciência em relação a 2025, propondo o encerramento de tudo o que não for ligado à exploração espacial, mirando especialmente em missões de monitoramento climático, "golpes verdes" segundo Trump. No pacote o SLS, a Orion, e a Gateway seriam todos descartados.

O Congresso é contra, mas em partes. O Senado propôs manter a verba inalterada em relação a 2025, enquanto a Câmara de Representantes sugeriu quase o mesmo orçamento, mas focado em missões espaciais e mantendo os cortes em Ciência, o que Sean Duffy, administrador interino da NASA, defende como o mais realista, mas Trump quer a sua ideia imposta, e não aceita contrapropostas.

Congresso dos EUA está tentando salvar o SLS (Crédito: Nathan Koga/NASASpaceFlight.com)

Congresso dos EUA está tentando salvar o SLS (Crédito: Nathan Koga/NASASpaceFlight.com)

No balaio, o senador Ted Cruz (GOP/Texas), que preside o Comitê de Comércio, Ciência, e Transporte, é contra dispensar o SLS, a cápsula Orion e a estação Gateway, principalmente porque isso tiraria postos de emprego (leia-se votos) do seu estado, e propôs liberar mais grana para manter o Programa Artemis até pelo menos a 5.ª missão, que será atendida pelo lander Blue Moon, da Blue Origin.

A companhia, preterida na licitação original que premiou a SpaceX, ganhou o contrato no grito, após Jeff Bezos processar a NASA e criar mais dores de cabeça, mas segundo Duffy, esta poderia assumir até mesmo a missão Artemis III após o administrador e Trump concluírem que a Starship HLS está atrasada.

Motivo: o presidente quer um americano na Lua até o fim de seu segundo mandato, e antes dos chineses, não importa como; a Blue Origin seria a principal beneficiada, onde ela modificaria seu Mark 1, o HLS descartado original (o Blue Moon é o Mark 2), para atender às necessidades mínimas de comportar uma tripulação.

Quando Duffy veio a público e acusou a SpaceX de basicamente fazer corpo mole, Elon Musk previsivelmente subiu nas tamancas, e através de sua conta no X despejou uma enxurrada de ataques e ofensas ao administrador interino, o chamando de gay, idiota, e de inepto para comandar o programa aeroespacial norte-americano, por ter "um QI de dois dígitos".

Em outra postagem, Musk disse que nenhuma empresa concorrente é mais rápida que a sua, que estaria trabalhando "na velocidade da luz" para finalizar o HLS, mas é fato que o desenvolvimento está atrás do esperado. O quarto redesign, projetado para adicionar mais 18 metros e deixar o foguete com 142 m de altura, de modo a torná-lo apto a reabastecer em órbita; tanto o Mark 1 quanto o Blue Moon terão que seguir ao mesmo design, para manter o SLS e a Orion nos planos.

Assim sendo, e sob risco de perder mesmo o contrato, a SpaceX recuou e apresentou um plano para "simplificar" a Starship HLS, de modo a entregá-la até 2027.

Starship, Dynetics HLS e ILV/Mark 1 da Blue Origin em escala, com humano para referência (Crédito: John MacNeill)

Starship, Dynetics HLS e ILV/Mark 1 da Blue Origin em escala, com humano para referência (Crédito: John MacNeill)

Em uma postagem publicada no site oficial em 30 de outubro de 2025, a SpaceX reconheceu que as exigências da NASA e do governo dos EUA para a Starship HLS mudaram desde 2021, e tendo isso em vista, a companhia apresentou um projeto de "arquitetura simplificada", se baseando nas especificações atuais necessárias para a missão Artemis III, para garantir "um retorno rápido à Lua" e, ao mesmo tempo, a segurança da tripulação.

Por enquanto não há detalhes sobre o que significa essa simplificação no design, mas de qualquer forma, a Starship ainda foi testada sobre sua capacidade de alcançar a órbita, e várias vezes, um passo crucial para garantir que ela será apta para o Projeto Artemis, onde terá que chegar e pousar na Lua, decolar, voltar e pousar na Terra.

Musk defende que no futuro, a Starship assuma sozinha todo o programa lunar, dispensando a concorrência, seja da Blue Origin ou da Boeing com o SLS, porque em tese seu foguete é capaz de fazer tudo sozinho, onde até mesmo a estação Gateway seria desnecessária; mais adiante, o bilionário quer sua companhia como a única responsável pela exploração de Marte, que ele até pouco tempo atrás defendia como prioridade.

Porém, focar em Marte significaria deixar a Lua para um taikonauta fincar uma bandeira da China antes do retorno de astronautas americanos, o que para Trump e a bancada republicana, que controla ambas casas do Congresso, não pode acontecer de jeito nenhum, mas antes de qualquer outra coisa, a Casa Branca e o Congresso precisam entrar em um acordo para encerrar o shutdown.

Fonte: ExtremeTech

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