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NASA: Senado dos EUA não pretende desistir do SLS

Senador Ted Cruz quer ampliar orçamento da NASA para SLS, Orion, e estação Gateway; cortes à Ciência permanecem, mas MSR seria mantida

52 semanas atrás

Conforme o esperado, o Senado dos Estados Unidos não apreciou todas as sugestões do presidente Donald Trump para cortes envolvendo a NASA. O plano da Casa Branca envolve uma redução violenta no orçamento para 2026, o corte de um terço de seu corpo de profissionais, e o cancelamento de diversas pesquisas científicas.

Os senadores, representados por Ted Cruz, chefe do Comitê de Comércio, Ciência, e Transporte, não se opuseram à maior parte das ideias, exceto a de se livrar do foguete SLS, da cápsula Orion, e da estação Gateway, o que praticamente acabaria com o Programa Artemis.

Como previsto, o Senado dos EUA não tem a menor intenção de perder o SLS (Crédito: Divulgação/NASA)

Como previsto, o Senado dos EUA não tem a menor intenção de perder o SLS (Crédito: Divulgação/NASA)

Senado: mais dinheiro ao Programa Artemis

Vamos dar uma repassada na história até aqui:

Em abril de 2025, a Casa Branca apresentou seu plano de redução do orçamento da agência espacial, de US$ 24,8 bilhões (~R$ 138,25 bilhões, cotação de 06/06/2025) direcionados à agência em 2025, ela deverá receber US$ 18,8 bilhões (~R$ 104,8 bilhões) em 2026, uma redução de 24,2%.

Na proposta (cuidado, PDF), ratificada no dia 30/05/2025, apenas o departamento de Exploração Espacial receberá um incremento de verba, de US$ 7,7 bilhões (~R$ 42,92 bilhões) para US$ 8,3 bilhões (~R$ 46,29 bilhões), com o foco voltado à missão tripulada à Marte, prevista para o fim da década; o Programa Artemis perderia prioridade, e aqui vem a parte que incomodou o Senado:

O governo Trump pretende (bom, pretendia) cancelar o SLS, um foguete tradicional que, mesmo confiável e seguro, é uma "obra de igreja" que custa US$ 4 bilhões (~R$ 22,3 bilhões) por lançamento; classificado pela Casa Branca como "superfaturado", ele seria mandado para a vala com a cápsula Orion, e a Boeing que se rale. A estação Gateway também rodaria, conforme os planos do Executivo.

Idealmente, o plano de Trump consistia em contar com plataformas reutilizáveis de terceiros contratados, como a SpaceX, para levar astronautas a Marte e Lua (de preferência nessa ordem) usando plataformas mais baratas. A Starship seria a ponta de lança do plano, com foguetes de empresas como Blue Origin e ULA respondendo por outras missões.

Desconsiderando o rolo Trump vs. Elon Musk, que promete ter repercussões na área espacial, é preciso lembrar que terceirizadas cumprem contratos específicos, recebem verbas definidas, e precisam cumprir todas as especificações exigidas pela NASA, mas fora isso, podem construir seus módulos onde e como quiserem, sem que o Congresso possa dar palpites; o SLS, por sua vez é uma plataforma política, mantido no modelo de contratos antigos, em que o Senado é quem manda.

Nesse modelo, congressistas favorecem seus próprios estados e municípios, direcionando a construção de módulos para que eles criem empregos locais, e consequentemente, isso se reverta em votos. Dessa forma, perder o SLS e a Orion não é uma opção.

Ted Cruz (GOP/Texas), chefe do comitê científico do Senado: retorno de astronautas à Lua é prioridade (Crédito: Chip Somodevilla/Getty Images)

Ted Cruz (GOP/Texas), chefe do comitê científico do Senado: retorno de astronautas à Lua é prioridade (Crédito: Chip Somodevilla/Getty Images)

Ted Cruz, que não só comanda o comitê científico do Senado dos EUA, como tem em seu estado, o Texas, um dos principais polos para a construção de espaçonaves da NASA, apresentou nesta quinta-feita (5) uma contra-proposta às sugestões de Trump, onde obviamente defendeu a permanência do SLS, da Orion e da estação Gateway, e foi além.

Enquanto a Casa Branca está disposta a cancelar o Programa Artemis após a terceira missão, o pouso tripulado na Lua, Cruz sugere alocar mais US$ 10 bilhões (~US$ 56 bilhões) de modo a garantir missões Artemis IV e V, no mínimo.

A estação lunar Gateway, um projeto que parte da comunidade científica não vê sentido em ser mantido, também continuaria com "suporte total", sendo considerada uma infraestrutura "crítica", mas vale lembrar que ela deverá ser construída por profissionais do Centro Espacial Johnson, no estado do... Texas.

O objetivo é bem claro, a bancada republicana não compartilha da ideia de Trump, que priorizar Marte à frente da Lua é um plano viável, pois isso daria mais chances à China de colocar um taikonauta no satélite antes do retorno dos americanos, o que o GOP não pretende permitir de jeito nenhum.

NASA: foco no Espaço, não em Ciência

Claro que a dedicação do Senado dos EUA à exploração espacial teria um preço, Cruz não demonstrou oposição aos cortes violentos que a NASA deverá sofrer no que se refere à pesquisa científica, com uma única exceção, a missão Mars Sample Return, revista várias vezes por estourar todos os orçamentos possíveis.

Em sua contra-proposta, o senador do Texas mencionou o lançamento de uma "sonda orbital", mais alinhada ao plano original que usaria um lander/estação de ciências, um MAV (Mars Ascension Vehicle, ou Veículo de Ascensão Marciana), basicamente um foguetinho, e um rover novo, ou recorrer à Perseverance. Este design, que alcançou o absurdo budget de US$ 11 bilhões (~R$ 61,6 bilhões), é o que preserva a participação da Agência Espacial Europeia (ESA).

A Boeing, como sempre, sugeriu o uso de seu "martelo" SLS para resolver tudo em um só lançamento, seu MAV dispensaria a sonda orbital para coletar as amostras e lançá-las de volta à Terra, mas tal plano tiraria a ESA da jogada, o que idealmente não pode acontecer.

Conceito original da missão Mars Sample Return (mais a Perseverance), revisto por ser caro demais (Crédito:NASA/JPL-Caltech)

Conceito original da missão Mars Sample Return (mais a Perseverance), revisto por ser caro demais (Crédito:NASA/JPL-Caltech)

Os demais cortes seriam todos mantidos, do fechamento do escritório dedicado ao fomento em STEM voltado a minorias, à redução de 47% da verba para Ciência de US$ 7,3 bilhões (~R$ 40,88 bilhões) em 2025, para US$ 3,9 bilhões (~R$ 21,84 bilhões); rodariam as missões das sondas em operação New Horizons (que fotografou Plutão) e Juno (em órbita de Júpiter), e as em desenvolvimento Mars Odyssey e MAVEN, bem como o lander Rosalind Franklin, para suportar a missão ExoMars.

A ISS também receberia menos dinheiro, sendo movida para o modo de manutenção e recebendo menos missões, até ser descomissionada em 2030, e não em 2027 como Elon Musk queria, onde estações orbitais desenvolvidas por terceiros a substituirão. O único projeto em andamento a ser mantido pela Casa Branca é o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, mas ele também receberá no próximo ano apenas US$ 156 milhões (~R$ 873,3 milhões), metade do alocado em 2025.

Nenhuma dessas propostas recebeu comentários de Ted Cruz, a bancada republicana, que é maioria, concorda aparentemente com os cortes, mesmo que eles prejudiquem severamente a capacidade da NASA em fazer Ciência. O recado é bem claro, explorar o Espaço e voltar à Lua é prioridade; pesquisa, não.

E o arranca-rabo entre Trump e Musk não melhora em nada a situação.

Fonte: Ars Technica

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