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NASA: equipe de transição considera cancelar o SLS

Donald Trump quer missões tripuladas da NASA na Lua e em Marte até 2028; Starship seria priorizada, e SLS e Orion acabariam cancelados

1 ano e meio atrás

A NASA deve passar por uma tremenda reestruturação já nos primeiros dias do segundo mandato de Donald Trump, que assume a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2025. O time de transição, incumbido de revisar os planos e procedimentos da agência, teria traçado alguns planos radicais, alinhados com o desejo de Trump de levar americanos de volta à Lua, e à Marte, até 2028.

Um deles beira o impensável até pouco tempo atrás, que é cancelar o foguete SLS e a cápsula Orion, em prol de priorizar uma única plataforma para ambas missões, sem surpresa, a Starship da SpaceX. Essa seria uma forma de Trump recompensar o bilionário Elon Musk, um dos responsáveis diretos por garantir sua reeleição.

No que depender de Donald Trump, é o fim da linha para o SLS (Crédito: Nathan Koga/NASASpaceFlight.com)

No que depender de Donald Trump, é o fim da linha para o SLS (Crédito: Nathan Koga/NASASpaceFlight.com)

Adeus SLS?

O site Ars Technica ouviu, de fontes próximas, que os 5 membros da equipe de transição indicada por Trump para rever os procedimentos da NASA, passaram 6 semanas escrutinando revisando todos os seus planos para o Espaço nos próximos anos, de missões de pesquisa e exploração, de modo a estabelecer um relatório e sugerir medidas a serem tomadas.

Essa junta não é regulatória, não terá poder real para determinar os rumos que Jared Isaacman, o próximo administrador da agência, implementará durante seu mandato, mas vale notar que tais ideias e sugestões serão apresentadas à futura equipe da NASA, e por extensão, também à Casa Branca.

O que se sabe, os planos incluem a conhecida obsessão de Donald Trump de garantir o retorno de astronautas americanos à Lua, e principalmente a primeira missão tripulada rumo a Marte, ainda em seu mandato, no máximo até 2028. A missão Artemis II, que fará um flyby tripulado ao redor do satélite, continua programada para 2026 (após uma série de adiamentos), enquanto a III só deve pousar no ano seguinte, se nada mais der errado.

O que estaria incomodando Trump é a estrutura atual do Programa Artemis, que conta com um foguete principal, o SLS, e uma cápsula, a Orion, desenvolvidos por Boeing e Lockheed Martin, respectivamente. O primeiro, embora tecnicamente pronto, está absurdamente atrasado, e consumiu uma fábula em dinheiro público; já a segunda, embora tenha voltado à Terra após a missão Artemis I (não-tripulada), apresentou alguns problemas no revestimento, algo que ônibus espacial Columbia ensinou, nunca é um bom sinal.

A Starship da SpaceX, por sua vez, será, nos planos atuais, usada como uma espécie de "estepe":

  1. O SLS lança a cápsula Orion, com os astronautas a bordo, em direção à Lua;
  2. Ao mesmo tempo, a Starship é lançada vazia, abastece em órbita, e segue também para o satélite;
  3. A Starship se acopla à Orion, os astronautas embarcam, e ela segue para a Lua;
  4. No retorno, a Starship decola, se acopla novamente à Orion, os astronautas mudam de nave outra vez;
  5. A Orion segue para a Terra com os astronautas;
  6. A Starship volta para a Terra vazia.

Toda a manobra, além de complicada, é tecnicamente inútil, a Starship tem capacidade de ir direto à Lua e voltar, mas o Congresso entubou o uso do SLS, que precisa mostrar serviço após custar tão caro. Trump, por outro lado, quer agilidade (para garantir as missões sob seu mandato), indo de encontro aos procedimentos burocráticos da NASA.

Priorizar a Starship removeria a Boeing do Programa Artemis, e daria mais poder a Elon Musk que, via Jared Isaacman, se tornaria o administrador de facto da NASA (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Priorizar a Starship removeria a Boeing do Programa Artemis, e daria mais poder a Elon Musk que, via Jared Isaacman, se tornaria o administrador de facto da NASA (Crédito: Divulgação/SpaceX)

A tarefa da equipe de transição é identificar onde aumentar a eficiência da agência, e segundo as fontes, os profissionais definiram cinco metas a serem consideradas:

  1. Estabelecer a primeira missão tripulada rumo a Marte, com data prevista para 2028;
  2. Cancelar o SLS e a cápsula Orion, para cortar gastos;
  3. Consolidar o comando do Centro de Voo Espacial Goddard, o maior departamento de P&D da NASA, e o Centro de Pesquisa Ames, sob o Centro Marshall, focado em lançamentos civis e de pesquisa, movendo ambos para o Alabama (o Goddard fica na Califórnia, e o Ames, em Maryland), para melhorar a comunicação entre as partes;
  4. Manter uma pequena junta administrativa em Washington, e mover todo o centro de comando para as instalações principais;
  5. Redesenhar de alto a baixo o Programa Artemis, de modo a torná-lo mais eficiente, e rápido (de novo, o limite é 2028).

Desses, o ponto mais polêmico é o descarte do SLS e da cápsula Orion, onde a Starship passaria a ser o único foguete a ser usado em ambas missões, Lua e Marte. Pesam a seu favor ser uma solução em si, pois ela não depende de um módulo de pouso (onde daria ruim também para Jeff Bezos, que perderia o contrato do lander assegurado pela Blue Origin), e ser o foguete mais poderoso da história.

Algumas dessas ideias já foram aventadas por Trump em público durante sua campanha, especialmente seu interesse em Marte, mas também o foco em eficiência e agilidade para dominar a tecnologia aeroespacial, e se manter à frente de Rússia, China, e União Europeia (UE), nisso, o presidente eleito já disse que Elon Musk seria aquele a lidar com isso, que é onde muita gente está com a pulga atrás da orelha.

NASA nas mãos de Elon Musk?

Embora tenha sido ridicularizado por Trump em 2022 (nota: ele nunca apagou a postagem, que continua disponível no TRUTH, sua rede social), Musk se engajou profundamente na campanha de reeleição do republicano, principalmente porque os democratas mal o toleram (os políticos do GOP também, mas eles gostam mais de dinheiro).

O bilionário dono da SpaceX e do X injetou US$ 250 milhões na campanha de Trump, e foi um dos principais responsáveis por sua reeleição. Ele vai assumir a co-direção do DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), um órgão temporário (ou não) criado para "desburocratizar" a máquina pública, para cortar gastos desnecessários, propondo a demissão de funcionários públicos, fechamento de agências, e corte de verbas desnecessárias, sob sua ótica.

No entanto, a influência de Musk no governo Trump não deve se restringir a uma agência com um nome intencional de um cachorro de meme. Ele indicou o também bilionário Jared Isaacman para administrador da NASA, uma escolha confirmada pelo presidente eleito, e embora seja um piloto e profissional aeroespacial competente, o ato está sendo entendido como uma forma do dono da SpaceX exercer influência diretamente na agência, através do amigo.

Com uma possível priorização de sua companhia em missões futuras, seja com a Starship frente ao SLS e a Orion, ou os Falcon para missões diversas, levando à depreciação da Boeing (que está de fato enrolada com a Starliner, e outros problemas judiciais na aviação civil), ULA (que está à venda), e Blue Origin (que nunca mandou um parafuso sequer para o Espaço de verdade), Musk acumularia muito poder político nas mãos.

Claro que a SpaceX surfa na vantagem de seus foguetes serem reutilizáveis, logo, são muito mais baratos, o que agrada os burocratas; menos dinheiro público gasto é mais disponível para outras atividades, entenda como quiser.

Donald Trump e Elon Musk: amiguinhos (Crédito: Brandon Bell/Pool/Reuters)

Donald Trump e Elon Musk: amiguinhos (Crédito: Brandon Bell/Pool/Reuters)

Elon Musk poderia, por exemplo, assumir uma posição de "conselheiro" informal de Isaacson, com Trump passando pano para um inevitável conflito de interesses, em prol do America First, onde alguns entendem que o dono da SpaceX se tornaria o chefe de facto da NASA.

O primeiro a reclamar dessa aproximação foi o atual administrador, Bill Nelson, que nunca confiou em Musk, e não gosta da ideia de mandar os concorrentes pastarem; claro, como ele está de saída, sua opinião no momento é menos que nada.

O que se sabe, Jared Isaacson deverá continuar o trabalho de Jim Bridenstine, administrador da agência durante o primeiro mandato de Trump, que é focar totalmente em contratos comerciais, pagando preços fixos por projetos que as empresas, como SpaceX, Blue Origin, Boeing e outras, se virem para entregar como especificado; ao mesmo tempo, isso significa um afastamento gradual do formato de parceria tradicional, como é o contrato do SLS, onde o foguete é uma plataforma política.

No modelo comercial, são os contratados que decidem como e onde construir seus módulos e foguetes, não o Congresso, logo, nenhum deles pode ser usado por políticos em seus currais eleitorais, revertendo empregos em votos. Este é um dos motivos (senão o principal) para os representantes quererem entubar o SLS de qualquer jeito.

O problema, Donald Trump não está nem aí para isso, nem para quanto o foguete da Boeing já consumiu; ele quer resultados (americanos na Lua e em Marte) até 2028, e na sua conta, só Elon Musk e a SpaceX estão preparados para isso.

De novo, só saberemos se esses planos serão postos em prática, e se Musk vai realmente passar a exercer influência pesada na NASA, quando Trump assumir a presidência dos EUA, mas até lá, todo mundo é livre para especular o que quiser.

Fonte: Ars Technica

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