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SpaceX empurra volta de astronautas à Lua para 2028

SpaceX estima que missão Artemis III, que levará astronautas americanos de volta à Lua, vai atrasar em relação ao cronograma da NASA

29 semanas atrás

A SpaceX estaria tendo alguns probleminhas com a versão HLS (Human Landing System) da Starship, prometida para levar astronautas dos Estados Unidos de volta à Lua: de acordo com documentos internos obtidos pelo site Politico, a companhia aeroespacial de Elon Musk estima que o lander só estará pronto em setembro de 2028.

O cronograma atual da NASA anota o lançamento da missão Artemis III em meados de 2027, no que a avaliação da SpaceX resulte em mais um atraso para a missão, que originalmente deveria ter ocorrido no fim de 2024.

Missão Artemis III está agendada para 2027, mas documentos internos da SpaceX sugerem atraso de um ano no cronograma (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Missão Artemis III está agendada para 2027, mas documentos internos da SpaceX sugerem atraso de um ano no cronograma (Crédito: Divulgação/SpaceX)

SpaceX quer atrasar Artemis III

A missão Artemis III, o pouso tripulado de astronautas na Lua, consiste em um plano que usará a Starship HLS como lander lunar, mais o SLS e a cápsula Orion para transporte da equipe. A manobra, como já dissemos várias vezes, é bem complexa, mas garante o uso do foguete bilionário, uma plataforma política controlada pelo Congresso dos EUA que consumiu montantes pantagruélicos de dinheiro público, que precisa ser justificada junto aos contribuintes.

Em 2021, a SpaceX ganhou a licitação para a construção de seu HLS, no valor de US$ 2,89 bilhões (~R$ 15,4 bilhões, cotação de 19/11/2025), mas de uns tempos para cá o governo não andava contente com o desenvolvimento lento da parceira comercial, ninguém nunca viu a Starship lunar até agora, ela só existe em artes conceituais.

Enquanto isso, o rolo em torno do orçamento da NASA para 2026 ainda não foi definido, mesmo após o fim do shutdown mais longo da história dos EUA: a Casa Branca quer reduzir a grana em 25% em comparação a 2025, cortar o financiamento de Ciência pela metade, fechar centros, demitir em massa, e interromper todo tipo de pesquisa ligada a alterações climáticas ("golpes verdes", segundo o presidente Donald Trump).

O SLS, a Orion, e a estação Gateway também seriam cancelados, um dos maiores pontos de atrito com o Congresso, que propôs manutenção de verba similar para o próximo ano. A SpaceX já tem sua verba garantida para a Starship HLS, ela só tem que cumprir os prazos.

A mudança da data da missão, de 2024 para 2027, não se deu exclusivamente por culpa da companhia aeroespacial, mas por vários outros fatores; em paralelo, Elon Musk se envolveu em um arranca-rabo com o administrador interino da NASA Sean Duffy, que queria reabrir a licitação ao acusar a SpaceX de fazer corpo mole, onde o bilionário garantiu que a Starship HLS estaria pronta até 2027.

Só que essa não parece ser a realidade.

Apesar da promessa de Elon Musk, a Starship HLS deve demorar um pouco mais para ficar pronta (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Apesar da promessa de Elon Musk, a Starship HLS deve demorar um pouco mais para ficar pronta (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Um documento marcado como "informação proprietária da SpaceX", ao qual o Politico teve acesso, descreve a intenção da companhia de apresentar um novo cronograma à NASA em dezembro de 2025, de modo a mover a data de lançamento da Artemis III um pouco mais para o futuro, de meados de 2027 para setembro de 2028 ou o fim do mesmo ano, um atraso adicional que pode chegar a 18 meses.

A explicação para isso seriam prazos mais realistas com os quais a SpaceX pode trabalhar, baseando-se nas datas previstas para os testes de qualificação: a primeira demonstração de reabastecimento em órbita da Starship estaria marcada para junho de 2026, e o primeiro teste não-tripulado da versão HLS, com direito a aterrissagem no solo lunar, decolagem e retorno à Terra, só deve ocorrer em junho de 2027.

O documento menciona, se a SpaceX conseguir passar por ambos testes sem problema algum, a data mais próxima para o lançamento da missão Artemis III seria setembro de 2028; antes disso a Artemis II, o flyby de uma cápsula Orion tripulada ao redor da Lua, está agendada para fevereiro de 2026, com a missão sendo lançada pelo caro, porém confiável, SLS.

O problema, a NASA previu uma sequência de lançamentos com menor cadência, e a proposta da SpaceX em atrasar a missão de pouso tripulado imporia uma distância de mais de 30 meses entre as missões, ao invés de 18 como originalmente planejado. Por outro lado, a companhia de Elon Musk aparentemente não quer correr riscos, e espera convencer a agência de que se comprometerá com novos deadlines.

Vale lembrar que dos 5 lançamentos da Starship em 2025, os três primeiros foram considerados mal sucedidos, com a perda dos estágios superiores. É bem provável que Musk quer garantir que tudo funcione corretamente, do Super Heavy ao "Mechazillla", o quarteto de hashis gigantes que agarram o booster durante o pouso controlado.

E se garantir a segurança e sucesso da missão leve a atrasos em atrasos, que seja. O bilionário não está preocupado caso a China coloque um taikonauta na Lua antes do retorno dos americanos, ao contrário de Trump e do Congresso; ele vê o satélite como um teste de campo para o que ele realmente quer, uma missão tripulada rumo a Marte.

Ninguém, nem na NASA ou na SpaceX, comentam nada sobre o relatório do Politico. Caso o documento seja real, a empresa terá que convencer a agência e a Casa Branca, que quer americanos na Lua o mais rápido possível, que um atraso da missão Artemis III é o mais sensato a fazer do ponto de vista da segurança, e que ela não deve ser encarada como uma Segunda Corrida Espacial. Claro, há a possibilidade de ele quer mais prazo para pôr o projeto nos eixos, já que de novo, ninguém nunca viu o HLS até hoje.

Enquanto isso, a NASA está no aguardo da confirmação de Jared Isaacman para o cargo de administrador, no que ele será sabatinado outra vez pelo Senado, no dia 3 de dezembro de 2025; até que o amigo de Musk seja efetivado no cargo, a agência não deverá tomar uma decisão concreta sobre o assunto.

Fonte: Politico

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