Ronaldo Gogoni 11/05/2026 às 15:37
A NASA tem um cronograma bem definido para as próximas missões Artemis, em que a próxima testará o sistema de acoplagem dos landers lunares em órbita baixa na Terra. A Artemis IV será o pouso tripulado na Lua e, depois disso, a expectativa é que o programa seja cancelado, junto com o foguete SLS.
Os testes dos landers dependem de SpaceX e Blue Origin apresentarem módulos de teste de suas respectivas plataformas, Blue Moon e Starship HLS, para que passem por inspeção e outros procedimentos; surpreendentemente a companhia de Jeff Bezos, que até pouco tempo atrás não tinha mandado nem um parafuso para o Espaço, está mais adiantada que a do rival Elon Musk.

Protótipo em escala da cabine do lander lunar Blue Moon, nas instalações do Centro Espacial Johnson em Houston, Texas (Crédito: Divulgação/NASA)
Algum tempo atrás, Jeff Bezos admitiu que a Blue Origin, mesmo sendo uma companhia dois anos mais velha que a SpaceX, havia ficado para trás na corrida espacial moderna para desenvolvimento de novas tecnologias, e que era preciso "pisar fundo no acelerador" para recuperar o tempo perdido. Foi isso que motivou inclusive o executivo a deixar o cargo de CEO da Amazon, a fim de se envolver de forma mais ativa nos rumos da companhia aeroespacial.
Bezos havia conseguido anteriormente dois contratos com a NASA, uma missão em Marte e o lander alternativo das missões Artemis, basicamente no grito e por birra, ao não ter melindres em processar o governo dos Estados Unidos quando contrariado, mas mesmo ele reconhece que tal tática não funcionaria para sempre. O pepino prioritário a ser desenrolado era o módulo lunar Blue Origin MK2, codinome Blue Moon, sucessor do rejeitado ILV MK1, ou Endurance, na licitação que premiou a Starship da SpaceX.
O Blue Moon usará um sistema de propulsão provido pelo motor BE-7, uma atualização do BE-3U do 2.º estágio do New Glenn. O modelo de carga e design descartável comporta até 30 toneladas, enquanto o tripulado suporta um limite máximo de 20 t, suficiente para transportar astronautas no vai e vem da Terra à Lua.
O Endurance não foi completamente descartado, aliás. Ele foi encaminhado à NASA, que o usa como plataforma de testes para demonstrar que os sistemas da Blue Origin darão conta da missão de levar e trazer astronautas ao espaço. Ele já passou por experimentos que atestaram a resistência ao vácuo e altas temperaturas, e deverá ser lançado com duas cargas para estudar o polo sul da Lua.
Enquanto isso, a Blue Origin cedeu à NASA um módulo mock-up em escala da cabine do Blue Moon, para testes e treinamento dos astronautas nas futuras missões, em especial a Artemis III, que testará os sistemas de acoplagem no fim de 2027, se tudo correr bem. A SpaceX JURA que a versão HLS da Starship, seu hiperbólico foguete mais poderoso da história, estará pronta até lá mas, na prática, ninguém sabe, ninguém viu.

O rejeitado Blue Origin MK1, codinome Endurance, passou por testes recentes que provaram resistência ao vácuo e temperaturas extremas (Crédito: Divulgação/NASA)
O comunicado da NASA deixa bem claro que a impressão passada por suas parceiras comerciais é de que a Blue Origin estaria mais adiantada, a ponto de ter grandes chances de ser a escolhida para prover o lander da missão Artemis IV, ao prover uma descrição detalhada de como seria o procedimento:
"O lander da Blue Origin, lançado sem tripulação pelo foguete New Glenn, se encontrará com astronautas a bordo da cápsula Orion na órbita lunar. Dois astronautas subirão a bordo do lander Blue Moon, que os levará à superfície da Lua e os trará de volta para se reunirem com os demais astronautas a bordo da Orion, que permanecerão em órbita até a conclusão da missão na superfície.
O lander tripulado Blue Moon que pousará na Lua mede 15,86 m de altura (52 pés); sua cabine, localizada na base, será a área de convivência e trabalho em que os astrounautas irão comer, dormir, conduzir experimentos científicos, e observar o ambiente lunar durante sua estadia."
Claro, é bem provável que a NASA esteja sendo política e apenas descreveu as capacidades gerais do Blue Moon, mas consideremos o seguinte:
Em novembro de 2025, antes de a NASA mudar tudo acerca da missão Artemis, um memorando obtido pelo site Politico dizia que a companhia de Elon Musk estimava a conclusão do lander para setembro de 2028, o que jogaria a missão tripulada rumo à Lua para uma data ainda mais distante no calendário, com sorte, para 2029 ou mesmo 2030.
Acontece que o presidente dos EUA, Donald Trump, quer astronautas americanos fincando mais uma vez a Star-Spangled Banner na Lua durante seu mandato, que termina em janeiro de 2029, o que fez com que a Blue Origin, já acelerando seus processos e recentemente contando com o reforço de Tory Bruno, ex-CEO da parceira United Launch Alliance (ULA), como presidente e chefe de Segurança Nacional da companhia, fosse sondada como substituta completa (o que deu zica) e, por fim, como uma alternativa com chances de promoção.
Por mais que a SpaceX seja a queridinha de muita gente, pioneira em desenvolver foguetes reutilizáveis e contar com a plataforma da Starship, de nada adianta se Elon Musk não cumprir com as solicitações da NASA, o cliente que exigiu, conforme a licitação, uma plataforma capaz de se acoplar com a Orion em órbita para permitir a transferência de astronautas entre os dois módulos, ainda que o foguete da SpaceX seja em tese capaz de fazer tudo sozinho, mas lembre-se:
Apesar de cancelado e propenso a substituição, o SLS é uma plataforma mais do que certificada e custou muito caro, o foguete da Boeing e a cápsula Orion serão usados até o fim para justificar o investimento de dinheiro público. Sobre o lander, NASA e Trump não querem promessas, mas RESULTADOS, o que a Blue Origin de Bezos parece atender até o momento.
De novo, não há nenhuma evidência de que a versão HLS da Starship exista, e o segundo estágio do foguete padrão ainda não acertou o pouso em solo.

Por mais que Elon Musk jure que a Starship HLS estará pronta em 2027, no momento Jeff Bezos inspira mais confiança na NASA (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
Ainda é cedo para dizer qual companhia será escolhida para fornecer o lander da missão Artemis IV, mas no momento, a Blue Origin de Jeff Bezos parece ter alguns pontos a mais na cartela de bingo do que a SpaceX de Elon Musk, que terá que se mexer e mostrar serviço, em vez de ficar apenas nas promessas.
Fonte: NASA