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NASA com pressa: Artemis III em 2027 e retorno à Lua em 2028

NASA apresenta tripulação da missão Artemis III e Jared Isaacman se diz confiante do retorno de astronautas americanos à Lua em 2028

10/06/2026 às 16:00

Fato: a NASA está com pressa para voltar à Lua, independentemente de Donald Trump querer americanos no satélite até o fim de seu mandato ou não. Nesta terça-feira (9), a agência apresentou ao público a tripulação da Artemis III, missão que testará o sistema de acoplagem dos landers comerciais da SpaceX e da Blue Origin com a cápsula Orion.

O administrador da NASA Jared Isaacman garantiu que a missão será realizada em 2027, e está convicto de que a Artemis IV pousará na Lua em 2028, mas para isso, nada mais pode dar errado.

Arte referente ao programa Artemis da NASA, mostra quatro astronautas em trajes espaciais observando a Lua à distância, estando aparentemente suspensos na órbita da Terra (Crédito: Divulgação/NASA)

NASA vai ter que cortar um dobrado para cumprir o cronograma e colocar astronautas americanos na Lua até 2028 (Crédito: Divulgação/NASA)

NASA quer colocar astronautas na Lua em 2028

Vamos admitir, o Programa Artemis foi uma bagunça. O cronograma original previa um pouso na Lua em 2028, plano esse que foi adiantado em quatro anos em 2017 quando o presidente Trump, no início de seu primeiro mandato, mandou a agência pisar no acelerador e nomeou formalmente a empreitada, que nem tinha um nome formal, because NASA e sua lentidão contumaz para estabelecer redundâncias de redundâncias.

De lá para cá pouca coisa foi efetivamente acelerada. O SLS, o foguete mais poderoso em operação, que deveria fazer seu primeiro voo de testes em 2016, só subiu em 2022; o programa de landers comerciais também não avançou muito, a SpaceX ainda não demonstrou a versão HLS da Starship (cuja versão de carga ainda não pousou de forma devida em solo).

A Blue Origin está visivelmente mais adiantada com seu lander Blue Moon (♪ you saw me standing alone... ♫), embora não muito, mas pelo menos a explosão recente do foguete New Glenn não deve atrapalhar muito seus planos; de qualquer forma, as datas foram sendo cada vez mais empurradas para a frente e, na mais recente reformulação do programa, a NASA "rebaixou" a Artemis III para um voo de teste de acoplagem; a Artemis IV é agora a missão de pouso lunar.

Dada a importância do próximo voo, a agência optou por uma tripulação apenas de homens, membros experientes e todos militares; com exceção do especialista de missão Andre Douglas, que foi membro-reserva da Artemis II, os demais já foram ao Espaço pelo menos uma vez. O comandante Randoph "Randy" Bresnik tem três missões no currículo e é o único que esteve em uma missão dos antigos ônibus espaciais, enquanto Mark Rubio detém o recorde de norte-americano a passar mais tempo em órbita, 371 dias.

Já o piloto da missão, o astronauta da ESA (Agência Espacial Europeia) Luca Parmitano, quase entrou para a História da forma mais inusitada possível (mais sobre isso a seguir).

Tripulação da missão Artemis III. Da esq. para a direita: especialista de missão Andre Douglas, piloto Luca Parmitano, comandante Randy Bresnik, e especialista de missão Frank Rubio (Crédito: Divulgação/NASA)

Tripulação da missão Artemis III. Da esq. para a dir.: especialista de missão Andre Douglas, piloto Luca Parmitano, comandante Randy Bresnik e especialista de missão Frank Rubio (Crédito: Divulgação/NASA)

A missão Artemis III também foi detalhada; programada para ser lançada durante o Verão de 2027 no hemisfério norte (entre junho e setembro), ela deverá durar duas semanas e envolver três lançamentos separados:

  • Um lander de testes da Blue Origin, com capacidade para permanecer em órbita durante 90 dias, será o primeiro a subir, provavelmente em um foguete New Glenn;
  • Na sequência, um SLS lançará a cápsula Orion com os quatro astronautas, que vão acoplar com o mock-up do Blue Moon e se transferir para ele, para realizar testes envolvendo o sistema de suporte de vida. A Orion controlará ambos os veículos;
  • A seguir, uma Starship de carga com (acredita-se) apenas o sistema de acoplagem adaptado será lançada, sem ser a versão HLS per se;
  • A tripulação da Artemis III voltará para a Orion, que se soltará da Blue Moon e se acoplará à nave da SpaceX, mas os astronautas não poderão se transferir para ela, por não ser mais do que um tanque vazio, sem suporte de vida;
  • Por fim, a Orion se desacoplará da Starship e iniciará o processo de reentrada, até pousar no Oceano Pacífico.

O objetivo da missão é demonstrar a capacidade de aproximação e acoplagem tanto da Orion quanto dos dois landers comerciais, em que mais uma vez a Blue Origin demonstra vantagem; a Artemis IV depende disso, já que a Orion sozinha não pode pousar na Lua e a NASA não possui um sistema de alunissagem próprio.

Em entrevista, Jared Isaacman afirmou estar plenamente confiante de que a Artemis III será um sucesso, viabilizando assim a Artemis IV para 2028, antes do fim do 2.º mandato de Trump, que EXIGIU astronautas americanos na Lua antes de sua saída; especialistas consideram essa agenda "agressiva" em comparação à marcha lenta tradicional da NASA e, mesmo que o Blue Moon fique pronto até lá, a maioria acredita que o New Glenn só estará operacional por volta do fim de 2027, e a Starship HLS, ninguém sabe, ninguém viu.

Já a Blue Origin garantiu que o New Glenn voltará a voar antes do fim de 2026, e Isaacman parece contar com isso, mesmo se tiver que passar por cima de protocolos de segurança, emulando o que foi feito durante a Corrida Espacial na década de 1960; sob sua ótica, a NASA ficou complacente demais por não ter soviéticos na cola o tempo todo, já que ninguém além dos EUA colocou astronautas, cosmonautas, taikonautas ou coisa que o valha na Lua até hoje.

Isaacman acredita que a NASA precisa voltar a ousar e pressionar por resultados, não só para não ficar atrás de outros países (a China é a maior candidata a pousar na Lua além dos EUA), mas também para inspirar novas gerações.

O astronauta que quase se afogou no Espaço

A tripulação da Artemis III pode não ir passear na Lua, seja em um flyby como a segunda missão ou pousando como a quarta, mas é uma empreitada de extrema importância e, por isso, conta com profissionais de ponta. Desses é o piloto italiano Luca Parmitano que detém um histórico bizarro: ele quase teve a "honra" de se tornar o primeiro humano a morrer afogado no Espaço, e tudo por causa de uma falha grotesca de comunicação.

O caso aconteceu durante a Expedição 36/37 da Estação Espacial Internacional (ISS), entre maio e setembro de 2013. Era o primeiro voo espacial de Parmitano (ele subiria mais uma vez em 2018), na ocasião alocado como engenheiro de voo. No dia 9 de julho, ele se tornou o primeiro italiano a realizar uma caminhada espacial, e no dia 16, durante sua segunda EVA (da sigla em inglês "atividade extraveicular"), seu capacete começou a se encher de água. Seus companheiros já haviam identificado um vazamento na caminhada anterior, mas acreditaram vir da bolsa de água para consumo.

Não foi o caso: o problema se deu por contaminação que obstruiu um dos filtros do traje, fazendo com que a água do sistema de refrigeração fizesse o caminho inverso e vazasse por onde houvesse uma fresta, no caso, dentro do capacete. Parmitano conta que a água já havia obstruído sua visão e, como o Sol já havia se posto no horizonte, voltar para a estação ficou ainda mais difícil. Ele temia que, na próxima vez que tentasse respirar, ele enchesse os pulmões de água e acabasse se afogando.

Por sorte, Parmitano conseguiu retornar à ISS e sobreviveu; em 2016, um defeito semelhante ocorreu no traje do astronauta americano Timothy Kopra da mesma forma, com água enchendo o capacete, mas em um nível bem menos grave, mas o suficiente para interromper sua EVA. E sim, você acertou: era o mesmo traje espacial usado anteriormente pelo astronauta italiano.

Por que esse traje específico não foi descartado ou aposentado desde o primeiro incidente e acabou sendo reutilizado depois é a pergunta que todo mundo se faz até hoje, ainda mais considerando que a NASA é nazista (sorry, not sorry) com ocorrências do tipo.

Fonte: Ars Technica, Popular Science

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