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Xbox e sua confusa estratégia de games exclusivos

Xbox apresenta convoluta estratégia de games exclusivos "caso a caso" sem definir critérios, cria mais confusão e não explica nada

09/06/2026 às 10:20

O Xbox mudou bastante desde que Asha Sharma assumiu o comando, isso não dá para negar. De matar campanhas publicitárias nocivas a reverter (parcialmente) o aumento insano nas mensalidades do Game Pass (ao custo de encerrar a inclusão de novos Call of Duty no dia do lançamento), a divisão implementou decisões que a fizeram recuperar certo fôlego, após perderem "milhões" de assinantes.

O outro problema a ser enfrentado era a questão dos exclusivos. A estratégia de lançar games de seus estúdios internos em todas as plataformas não teve o resultado esperado, com o público entendendo que consoles Xbox se tornaram uma redundância, o que nunca foi a intenção. Ainda assim, o plano revelado em seu mais recente Showcase, durante a Summer Game Fest 2026, não é outra coisa senão confuso.

Xbox Series X (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A divisão Xbox enfim se lembrou de que também vende consoles (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Exclusivos Xbox e a "estratégia Uni, Duni,Tê"

Tudo começou em 2024, quando a Microsoft anunciou que quatro títulos até então exclusivos do Xbox e Windows via Xbox/MS Store (Hi-Fi Rush, Pentiment, Sea of Thieves e Grounded) seriam lançados para outras lojas no PC e, mais importante, para PS5 e Nintendo Switch. Na época, Phil Spencer assegurou que os planos não envolviam Indiana Jones and the Great Circle (que seria lançado no fim daquele ano) e Starfield, apenas para ambos também se tornarem multiplataforma depois.

A Sony havia implementado algo similar em 2021, com os títulos focados em narrativa e experiência single player chegando ao PC com pelo menos um ano de delay, em relação ao lançamento no PS5, mas excluindo totalmente plataformas da Microsoft e Nintendo, que posteriormente teriam acesso limitado a games multiplayer de desenvolvedoras parceiras, como Helldivers 2.

Só que o jogo mudou. A estratégia visava amortecer os custos cada vez maiores com desenvolvimento ao oferecer seus games para mais consumidores, mas não só o dinheiro não estava entrando, como a divisão PlayStation viu a enrascada em que a Xbox se meteu. Dessa forma, a companhia japonesa retomou o plano original de games single player internos apenas no PS5, e experiências multiplayer saindo para outros sistemas e PC, mas não todas.

Por exemplo, enquanto Marathon é multiplataforma e deverá continuar assim, não há garantias de que o jogo de luta Marvel Tōkon: Fighting Souls chegue a outros consoles, mesmo tendo sido desenvolvido pela Arc System Works (série Guilty Gear); a Sony Interactive Entertainment (SIE) só distribui.

Por outro lado, parceiras históricas da Sony, como a Square Enix, abraçaram a estratégia multiplataforma simultânea de vez; Final Fantasy VII Revelation, o aguardado capítulo final do remake de FFVII, chegará em 2027 a todos os sistemas ao mesmo tempo, tendo deixado o "PlayStation first" definitivamente para trás.

O plano de exclusivos para o Xbox, que Sharma considera importante para a manutenção da plataforma como um todo, é similar e um tanto confuso ao mesmo tempo.

Vai funcionar assim, ao menos na teoria: a decisão sobre multiplataforma ou exclusivo em consoles (outras lojas fora da Xbox/MS Store não serão afetadas, mas todos serão Windows-only) será avaliada caso a caso, mas conforme explicado pelo CCO da divisão Matt Booty, games multiplayer e GaaS (Jogos Como um Serviço) desenvolvidos internamente chegarão a mais sistemas, enquanto os single player serão exclusivos.

E ele foi bem claro sobre qual é o objetivo:

"Nós queremos dar ao público uma razão para que eles façam parte do Xbox (...) Para que eles comprem um (console) Xbox. Uma razão para que se tornem fãs do Xbox.

Ao mesmo tempo, nós queremos recompensar a todos que estiveram conosco por todo esse tempo... nós sabemos que exclusivos são importantes."

No entanto, os anúncios mais recentes já mostram que o "caso a caso" tem bem mais relevância do que o plano geral "multiplayers multiplataforma, single players exclusivos": a prequel Gears of War: E-Day, que é multiplayer, será exclusiva em consoles Xbox, enquanto o novo Fable, um single player, será um game multiplataforma.

Embora esse já tivesse sido anunciado antes, junto com Forza Horizon 6 (já lançado) e Halo: Campaign Evolved, cujos planos não serão mudados, é preciso notar que E-Day aparentemente seria lançado para PS5, mas foi tornado exclusivo antes de ser revelado; a Microsoft nega.

É fato que a Microsoft está em uma posição delicada. Por um lado, a empresa precisa garantir que continua comprometida com a base instalada do Xbox e, ao mesmo tempo, não pode abrir mão da substancial receita com a venda de games de seus estúdios no PS5 e Switch 1 e 2. A divisão Xbox forçou bem mais que a Sony em sua aposta para se tornar uma distribuidora, e isso rendeu frutos; puxar o plugue agora seria uma imprudência e mortal para a gestão de Asha Sharma, dada a imposição da insana margem de lucro de 30% sobre todos os seus produtos.

A medida da CFO da Microsoft Amy Hood é apontada como a responsável pelo aumento absurdo na mensalidade do Game Pass, quando o plano Ultimate alcançou R$ 120/mês no Brasil, além do cancelamento de projetos e demissões em massa; a estratégia multiplayer garante a gestão de Phil Spencer e a desastrada campanha Isso é um Xbox seriam outras duas consequências disso.

O que podemos tirar disso é que a "grande reviravolta" aconteceu: os exclusivos estão de volta, para alegria de uns e lamento de outros.

Fonte: The Verge

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