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EUA: contra tarifas, Apple, Samsung e TSMC quebram o cofrinho

Apple, Samsung e TSMC conseguem 100% de isenção de taxas sobre chips, com compromisso de investir pesado nos EUA, como Trump exigiu

43 semanas atrás

Em fevereiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou que passaria a taxar todas as importações de semicondutores, em "25% ou mais", o que aterrorizou todas as companhias do Vale do Silício, pois a regra para isenções era bem clara: fabricar chips em casa, e não em qualquer outro lugar do planeta.

A Apple, que monta seus produtos na China e na Índia, conta com a taiwanesa TSMC para produzir seus processadores; ambas seriam afetadas, assim como a Samsung, que concentra a produção de chips na Coreia do Sul, mas esta era um alvo preferencial de Trump, por ousar concorrer com o mercado de gadgets locais.

Trump prometeu tarifas sobre chips que podem escalar até 100%; a única alternativa dada é fabricá-los nos EUA (Crédito: Getty Images)

Trump prometeu tarifas sobre chips que podem escalar até 100%; a única alternativa dada é fabricá-los nos EUA (Crédito: Getty Images)

A maçã chegou a se comprometer com um investimento nos EUA de US$ 500 bilhões (~R$ 2,74 trilhões, cotação de 07/08/2025), mas não foi suficiente, e com a ameaça de escalar ainda mais as tarifas, tanto Apple quanto Samsung e TSMC se sujeitaram e foram isentas, mas claro, não saiu barato.

Apple, Samsung e TSMC vão fabricar nos EUA

Trump anunciou as taxas originalmente como um "chamado à ação", dizendo que as companhias tech deveriam voltar a desenvolver e fabricar seus produtos em solo americano, para gerar empregos locais. A taxação pesada contra China e Índia, e uma mais "modesta" de 20% em Taiwan, afetavam diretamente a TSMC, que fornece chips para quase todo mundo, e a Apple, dado que a Foxconn monta seus produtos no País no Meio e no vizinho mais ao sudoeste, ambos membros do BRICS, que o presidente dos EUA também não curte.

Tim Cook, CEO da Apple, havia conseguido convencer Trump a isentar Cupertino de tarifas de importação durante o primeiro mandato, mas desta vez não teve conversa, ou as empresas se comprometiam a produzir em casa, ou teriam que pagar as tarifas para importar chips, sem exceções. A consequência mais imediata seria uma escalada violenta dos preços, que seriam repassados para todos os consumidores, dentro e fora dos EUA.

Trump e Apple se estranharam por meses, com o presidente exigindo que a produção de iPhones, iPads, Macs, e outros fosse totalmente migrada, o que Cook recusava, fora o bate-cabeça aberto sobre as políticas de DEI (Diversidade, Equidade, e Inclusão) endossadas pelo conselho, que o presidente ordenou que fossem extirpadas, como conseguiu com Paramount, Verizon, e outras companhias.

TSMC e Samsung, por sua vez, foram criticados por terem "roubado tecnologias" americanas e mantinham a produção de seus chips mais avançados em seus países-sede, enquanto fábricas locais ficavam com processos mais antigos e defasados. A promessa de encurtar o prazo de atualização da companhia de Taiwan não foi aceita, Trump bateu o pé e exigiu semicondutores de ponta fabricados nos EUA agora, não depois.

Já a gigante sul-coreana foi marcada não só pelo "sequestro" (segundo Trump) de processos de impressão, mas também como concorrente principal da Apple, e sofreria com taxas para diminuir sua competitividade no mercado norte-americano. Ela também possui uma fábrica de chips nos EUA, que da mesma forma que a TSMC, imprime chips de gerações atrás aos fabricados em casa.

Trump então aumentou a aposta, ao dizer que as taxas para semicondutores seriam escaladas para assustadores 100%, mantendo a mesma condição para evitá-las: imprimir os chips nos Estados Unidos. Vendo que não tinha muita solução, a Apple anunciou um investimento adicional de US$ 100 bilhões (US$ 547,35 bilhões) a se somar aos US$ 0,5 trilhão anterior, que lhe garantiu isenções totais.

O anúncio foi feito na Casa Branca nesta terça-feira (6), com Trump sendo inclusive presenteado por Cook com uma peça de vidro da Corning, com o logo da Apple a assinada pelo CEO, apoiada em uma base de ouro 24 quilates, tudo 100% Made in USA, claro.

Samsung e TSMC, assim como a também sul-coreana SK Hynix, declararam em notas oficiais que estão igualmente isentas das taxas adicionais, todas por compromissos com suas fábricas em solo americano: a primeira possui duas no Texas, nas cidades de Austin e Taylor, e a segunda no Arizona; a última anunciou que vai construir uma nova unidade, em Indiana.

Todas as quatro companhias viram suas ações subirem desde então, mostrando que os investidores estão mais tranquilos com seus executivos decidindo que não é sensato bater cabeça com o presidente dos EUA, não quando ele ameaça insubordinação (é assim que Trump vê quem não reza por sua cartilha) com taxas.

Enquanto isso, Trump exigiu a demissão do CEO da Intel, Lip-Bu Tan, por supostas ligações com o governo chinês; a companhia nega.

Consumidor vai pagar a conta, como sempre

A consequência de um maior investimento na produção de chips e semicondutores nos EUA é óbvia, o aumento do preço final. Primeiro, o custo homem-hora de um trabalhador norte-americano é maior do que um da Índia, Vietnã (onde a Nintendo monta seus produtos) e Taiwan, e quando comparamos com a China, chega a ser covardia, sem contar o déficit em trabalhadores especializados, para cargos mais elevados.

Segundo, a cadeia de produção no oriente funciona há tempos, é uma máquina eficiente apoiada em uma rede ancilar de fornecedores e parceiros estratégicos, e nada disso existe na mesma escala nos Estados Unidos. Chegar ao mesmo nível levará tempo e custará muito dinheiro, e todo esse custo encarecerá o produto final, não só para os americanos, mas para todo mundo; as chances que os reajustes não sejam globais são de efetivamente zero, empresas são entidades e prezam o lucro antes de qualquer coisa.

Ainda que Apple e Samsung sejam concorrentes diretos, a TSMC atende uma infinidade de clientes além das duas, uma lista que inclui a Intel e companhias fabless (que não imprimem seus chips) além da Apple, como ARM, Broadcom, MediaTek e Qualcomm, além de outras como HiSilicon, Xilinx, Unisoc, e Texas Instruments, entre várias outras, que produzem todo tipo de dispositivos, para usuários finais e de infraestrutura, comerciais e corporativos.

Tanto Samsung quanto TSMC avisaram no passado que os chips impressos nos EUA serão mais caros, e esse custo será repassado ao consumidor, o que Trump chegou a retrucar dizendo que as companhias, em todos os setores afetados pelo tarifaço geral, deveriam entubar o prejuízo; claro, não vai acontecer.

Embora o anúncio de Trump não tenha caráter oficial (nada foi assinado) e ele tenha a tendência a dar para trás com frequência, é bom o usuário não descartar por completo que seus gadgets poderão ficar mais caros em um futuro próximo.

Fonte: CNBC, 9to5Mac

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