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TSMC é arrastada para rolo entre Trump e Taiwan

Taiwan proíbe TSMC de imprimir chips de 2 nm no exterior, após Trump dizer que país "roubou" mercado de semicondutores dos EUA

1 ano e meio atrás

A TSMC, que se prepara para imprimir semicondutores nos Estados Unidos (em processos antigos, é bom lembrar) pode se enrolar no futuro, graças a um mal-estar entre o governo de Taiwan e o presidente norte-americano reeleito, Donald Trump. Recentemente, o governo do país asiático proibiu a manufatura local de levar seus processos de ponta para fora, determinando que chips de 2 nm para baixo não poderão ser impressos fora de suas fronteiras.

A TSMC, que pretende iniciar a impressão de 2 nm em solo americano em 2028, pode ter seus planos prejudicados graças a uma declaração de Trump durante a campanha eleitoral, de que Taiwan teria "roubado" o mercado de semicondutores dos EUA.

Logo da TSMC na sede da empresa em Hsinchu, Taiwan (Crédito: Ann Wang/Reuters)

Logo da TSMC na sede da empresa em Hsinchu, Taiwan (Crédito: Ann Wang/Reuters)

Taiwan e Trump se estranham; pior para a TSMC

A TSMC é cortejada há anos pelo governo dos EUA, mais especificamente desde o primeiro mandato de Trump, a fim de construir uma fábrica no país e imprimir seus chips de ponta localmente, para atender seus principais clientes, Apple, Intel, AMD, e Nvidia. A unidade, que fica no estado do Arizona, entrará em atividade em 2025, inicialmente produzindo semicondutores de 4 nm, que a Apple já se comprometeu a comprar uma parte, a partir do 2.º semestre.

O problema, tanto Trump antes e agora, quanto Joe Biden durante todo o seu mandato, pressionaram a TSMC e a Samsung, que também abrirá uma fábrica na América, no estado do Texas, a trazerem seus processos de litografia mais avançados, de 2 nm; o governo da Índia bateu na mesma tecla, a foundry taiwanesa também abrirá uma nova unidade por lá.

Em comum, ambas empresas mandaram recados de que não pretendem, em nenhuma hipótese, imprimir chips de última geração fora de suas matrizes, em Taiwan e na Coreia do Sul, no momento; os planos visam produzir componentes mais antigos, e somente quando os atuais estiverem desafados, eles serão exportados.

A TSMC, por exemplo, já avisou que os EUA só deverão receber o processo de 2 nm em 2028, quando a companhia tá estiver imprimindo SoCs de 1,6 nm em casa; não obstante, o custo de manufatura externa será pelo menos 30% mais caro, a empresa vai repassar despesas de energia e água, inflação local, e acessórios como instalação e importação de processos. No fim, o consumidor norte-americano vai pagar a conta, com gadgets Made in USA bem mais caros.

Isso em um cenário ideal, caso Donald Trump não tivesse dado uma declaração atravessada, dizendo que Taiwan "roubou" o mercado de chips dos americanos; como esperado, o governo local não gostou nem um pouco disso.

A declaração de Trump em si não é nova, foi dada durante uma entrevista em 2023, mas ter dito que os EUA deveriam ter retaliado taxando importações de Taiwan (independente de como a TSMC conseguiu ficar à frente de outras foundries, inclusive da Samsung, que perdeu a Apple como cliente), não pegou bem de qualquer forma. Ele voltou a abordar o assunto durante a campanha, dizendo que os americanos foram "muito burros" ao permitirem tal coisa.

Trump no caso tem alvos bem definidos, os governos democratas de Barack Obama, que na sua conta, permitiu que Taiwan passasse à frente dos EUA, e Joe Biden, em que a CHIPS Act, a Lei de incentivo que destinou US$ 280 bilhões a companhias locais, especialmente a Intel (que está enrolada até o pescoço), foi alvo de críticas várias vezes, e chamada de "um acordo ruim" pelo então presidenciável.

Em setembro de 2024, quando Trump voltou a atacar Taiwan, o ministro da Economia do país, Kuo Jyh-huei, disse que as declarações eram equivocadas, e que a TSMC atendia companhias norte-americanas via contratos de comissão justamente estabelecidos, e que o então candidato tinha "opiniões equivocadas" sobre o assunto, que o governo pretendia clarificar.

Só que o tempo passou, Trump foi eleito, e ele continua batendo na tecla do America First, pressionando a TSMC a trazer seus processos de 2 nm para os EUA, o que deve ser feito AGORA, não em 2028, a fim de tornar o país autossuficiente. Como o diálogo aparentemente não deu resultado, o ministro Kuo partiu para a ignorância:

Em novembro de 2024 o ministério da Economia emitiu uma norma, proibindo efetivamente a TSMC de imprimir semicondutores de 2 nm, ou de qualquer processo menor que isso, fora das fronteiras de Taiwan, incluindo os Estados Unidos, Índia, ou qualquer outro país em que a foundry esteja presente.

Kuo deixou bem claro que a norma não está aberta à discussão:

"Como Taiwan possui regulações voltadas a proteger suas tecnologias proprietárias, a TSMC não pode, no momento, produzir chips de 2 nm no exterior (...).

Embora a TSMC tenha planos para imprimi-los (no exterior) no futuro, tal tecnologia de ponta permanecerá em Taiwan."

A lei taiwanesa já proíbe as foundries locais de imprimirem as duas últimas gerações de seus processos de litografia fora do país, onde a TSMC havia se comprometido a iniciar em 2025 a produção de chips de 4 e 5 nm nos EUA, e em 2026, trazer os de 3 nm; em casa, a produção dos componentes de 1,6 nm deverá ter início em 2026.

Só que agora, com governo de Taiwan proibindo a produção de chips mais avançados que 3 nm fora de suas fronteiras, caso as diferenças entre o país e Trump, que assume a presidência dos EUA no dia 20 de janeiro de 2025, não sejam resolvidas, elas podem prejudicar os negócios da TSMC, que verá seus planos de expandir ao exterior a produção de componentes avançados, mesmo com atrasos, descer pelo ralo.

Isso sem contar a possibilidade de Trump taxar importações de Taiwan, o que poderia afetar a Apple, que não tem outro fornecedor de chips, mas esta pode muito bem ser agraciada com isenções, para não perder em competitividade para a Samsung.

De qualquer forma, apenas quando Trump voltar à Casa Branca nós saberemos como esses eventos deverão se desenrolar, mas até lá, especular é de graça.

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