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Trump pode dar isenção de taxas para Apple e Tesla, afinal

Apple e Tesla podem ser isentas de taxas extras de importação da China prometidas por Donald Trump, para não ficarem atrás de Samsung e BYD

1 ano e meio atrás

Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2025, e ninguém sabe se ele levará a cabo a promessa de taxar, com mão pesada, todas as importações da China; a alíquota extra, que se se somará às já existentes, deve ficar entre 10% e 60%, porcentagem esta aventada durante a campanha.

Trump teria sugerido que desta vez, não haverá exceções de nenhum tipo, mas como sempre, "todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros": Apple e Tesla seriam duas das poucas empresas, se não as únicas, a receberem uma aliviada do novo velho presidente, para não permitir que rivais de fora, a Samsung e a BYD, ganhem espaço nos mercados mobile e de carros elétricos.

Trump prometeu tributar pesadamente quem não dançar conforme a música, Brasil incluso, mas alvo prioritário é a China (Crédito: Evan Vucci/AP/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Trump prometeu tributar pesadamente quem não dançar conforme a música, Brasil incluso, mas alvo prioritário é a China (Crédito: Evan Vucci/AP/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Trump, taxas, e America First

Muita água rolou por baixo da ponte desde que Huawei e ZTE foram inclusas em uma lista de "empresas não confiáveis" durante o primeiro mandato de Trump, que proibiu ambas de fazerem negócios com empresas norte-americanas ou parceiras de fora, e de usar suas tecnologias e serviços; as acusações de espionagem nunca foram confirmadas, o entendimento era de que o interesse por trás é de frear a competição.

O fato é que a Huawei, na época a maior fabricante de smartphones no planeta, só pode vender seus aparelhos na China, e com o passar dos anos, o governo Biden foi endurecendo as restrições e adicionando mais empresas chinesas, como a SMIC, uma foundry (manufatura de semicondutores).

A China, claro, respondeu na mesma medida, passando a restringir empresas dos EUA no seu território, proibindo repartições de usar soluções de empresas como Intel e AMD, e usando a máquina do governo para persuadir os consumidores a preferirem a prata da casa, como celulares da Huawei no lugar de iPhones, e carros elétricos da BYD em vez dos da Tesla.

Em casa, as coisas não são muito diferentes. O bilionário Elon Musk, por exemplo, promoveu um lobby fortíssimo para que carros elétricos chineses fossem taxados no país, o que funcionou, Biden aplicou uma alíquota extra de inacreditáveis 100%. Tudo para que a Tesla continue dominando o mercado doméstico de EVs.

No entanto, a ameaça de Trump em taxar tudo o que vem da China, e sem avaliar para ninguém, está tirando o sono de muita gente, principalmente das companhias de tecnologia. A Apple, por exemplo, depende da cadeia de suprimentos e manufatura chinesas, onde a maioria de todos os seus gadgets são produzidos, ainda que a maçã venha aos poucos aumentando a presença em outros países, como a Índia.

Claro, Trump também ameaçou taxar em 100% todas as importações dos países do BRICS, Índia e Brasil inclusos, graças à possibilidade aventada de usar uma moeda própria em transações comerciais internas; o presidente eleito foi bem claro em sua ameaça, seus membros não devem sequer sonhar com a ideia de dispensar o dólar.

Elon Musk (que terá cargo no governo) e Tim Cook podem ser agraciados com isenções, apenas para que Tesla e Apple não fiquem atrás de BYD e Samsung (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Elon Musk (que terá cargo no governo) e Tim Cook podem ser agraciados com isenções, apenas para que Tesla e Apple não fiquem atrás de BYD e Samsung (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Essa outra taxa (que pode ou não ser fixada em 100%, isso se entrar em vigor) não tem nada a ver com a já mencionada de 10% sobre as importações do País do Meio, anunciada com as de 25% sobre tudo o que vem de México e Canadá, como punição pelos três países não controlarem o tráfico de fentanyl. Ou seja, a rota da China tem duas possíveis taxas a serem aplicadas, uma por cima da outra, sobre as já vigentes.

A consequência direta, tudo vai ficar mais caro para o consumidor americano médio, de bens de consumo básico como alimentos e matéria-prima (do Brasil, os principais são aço, carne bovina, petróleo cru e derivados, e celulose), mas também dispositivos como smartphones, tablets, consoles de videogame, computadores, TVs e outros, por boa parte dos componentes, e materiais usados em sua produção, vir da China.

Tal medida afeta diretamente os negócios das maiores companhias tech dos EUA, como Microsoft, Intel, Nvidia, e principalmente a Apple, a empresa mais valiosa do mundo. Com seus produtos se tornando mais caros, o domínio do mercado interno em mobile seria ameaçado pela rival sul-coreana Samsung, líder no resto do mundo. Da mesma forma, a Tesla poderia perder espaço para a BYD, mesmo com os já existentes 100% de taxa.

Baseado nisso, a Deepwater Asset Management, uma companhia de investimentos dos EUA, incluiu, entre suas tradicionais previsões para o ano seguinte, uma passagem de que Trump deverá, sim, impor mais taxas a todas as importações da China, que vão afetar os negócios e bolsos de todo mundo, mas se isso acontecer, Tesla e Apple serão isentas.

Não é do interesse de Trump permitir que a Apple, uma companhia Born in the USA, seja superada em casa (e fora dela, por extensão) por rivais estrangeiros, especificamente a Samsung, o mesmo valendo para a Tesla em relação à BYD. Outro fator que pesa a favor de Musk, ele irá co-comandar o DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), um órgão temporário (ou não) criado para "desburocratizar" a máquina pública, logo, terá acesso direto ao presidente.

O mercado inclusive não parece preocupado, as ações da Apple continuam subindo, um reflexo de que Trump só aliviará para quem for fiel a ele; no primeiro mandato, o CEO da maçã, Tim Cook, conseguiu convencer Trump a conceder isenções à gigante, citando que a Apple não conseguiria concorrer com a Samsung, cuja cadeia de produção é toda concentrada na Coreia do Sul, logo, não depende da China para nada, se fosse taxada; ao que tudo indica, Cook deve usar a mesma carta uma segunda vez.

Claro, até Trump assumir em janeiro, tudo deve ser considerado rumores e especulações, mas se tomarmos seu primeiro mandato como referência, não há motivos para que Apple, Tesla, e talvez algumas outras companhias (Microsoft? Nvidia?) não sejam agraciadas com isenções uma segunda vez.

Fonte: Deepwater Asset Management

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