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Apple vai investir US$ 0,5 trilhão em empregos e fábrica nos EUA

Apple anuncia investimento para gerar 20 mil empregos em até 4 anos nos EUA, a fim de mitigar prejuízo de tarifas impostas por Donald Trump

1 ano atrás

A Apple está revendo seus planos e se prepara para investir nos Estados Unidos, em parte graças à enorme pressão comercial exercida pelo presidente Donald Trump sobre a China.

Nesta segunda-feira (24), a maçã anunciou que irá investir US$ 500 bilhões (~R$ 2,9 trilhões, cotação de 25/02/2025) pelos próximos 4 anos, em planos que incluem uma nova fábrica de servidores no estado do Texas, e a geração de 20 mil novos empregos.

Tim Cook e Donald Trump durante encontro realizado em 2019; na época, CEO da Apple conseguiu isenções, o que não deve acontecer de novo (Crédito: AP)

Tim Cook e Donald Trump durante encontro realizado em 2019; na época, CEO da Apple conseguiu isenções, o que não deve acontecer de novo (Crédito: AP)

Apple, iPhone Made in USA, Trump, e as tarifas

O movimento da Apple é uma resposta ao "chamado à ação" de Trump, para que as grandes companhias de tecnologia voltem a produzir seus produtos nos EUA, e consequentemente gerem mais empregos internamente, uma de suas promessas de campanha mais antigas.

Ela foi ancorada na aplicação de tarifas pesadas de importação a países como China e Índia, onde a maçã mantêm linhas de manufatura e acordos sólidos com a Foxconn, que também foi um alvo, sendo "gentilmente" pressionada a estabelecer uma linha de montagem no território americano.

NA época, o CEO Tim Cook conseguiu convencer Trump a conceder isenções à Apple, alegando que o custo de produção do iPhone subiria muito se as taxas fossem implementadas, o que foi atendido em partes, Trump não abriu mão do compromisso de gerar empregos, o que levou a um investimento de US$ 350 bilhões em 2018, para gerar 20 mil empregos em até 5 anos, com o orçamento expandido para US$ 430 bilhões em 2021, incluindo a construção (em andamento) de um novo campus em Austin.

Já com a Foxconn, a principal montadora da Apple, Trump foi bem menos gentil, dizendo que a companhia tinha obrigação de instalar uma linha de montagem e migrar toda a sua expertise da China para a América, no que ele hoje diz que empresas chinesas "roubaram" tecnologia e empregos americanos. Um acordo foi firmado para uma fábrica de US$ 10 bilhões no Wisconsin, o que Trump muito comemorou.

Deu ruim, claro. A Foxconn embolsou todos os subsídios, mas nem de longe cumpriu com as promessas, tendo gerado menos de 1.500 empregos dos 10 mil prometidos, a maioria técnicos de outras regiões, dispensados não muito tempo depois. O enorme galpão, que emprega um pessoal mínimo, deveria ser uma unidade Gen 10,5 (produção de telas para TVs e iPhones), foi reduzida para Gen 6 (telas para celulares não-Apple), mas nem isso aconteceu, hoje ela é basicamente um depósito.

A população local não ficou muito contente, o que foi explorado por Joe Biden durante a campanha de 2024, enquanto Trump jogou toda a culpa no adversário, dizendo que ele cortou investimentos que impediram a Foxconn de estabelecer uma linha de montagem funcional. O presidente está novamente apertando a montadora chinesa, dizendo que ela deverá transferir as operações do México para os EUA, como parte do compromisso assumido pela Apple; a empresa nega.

Trump promete um "iPhone Made in USA" barato desde o primeiro mandato, o que nunca vai acontecer (Crédito: Reprodução/technewstoday.com)

Trump promete um "iPhone Made in USA" barato desde o primeiro mandato, o que nunca vai acontecer (Crédito: Reprodução/technewstoday.com)

A Apple, por sua vez, estaria tentando se safar da nova rodada de tarifas que Trump impôs às importações da China, a adicional já vigente de 10% sobre as existentes, e uma nova prometida de "25% ou mais" sobre semicondutores, que deixou todo o Vale do Silício de cabelo em pé. Se aplicada, ela levará a altas de preços em todo o setor, de smartphones e tablets a PCs, placas de vídeo, consoles de videogame, TVs e outros gadgets.

A Acer, por exemplo, implementou antecipadamente um reajuste de 10% em toda a sua linha de laptops nos EUA, e mesmo a Apple já teria se adequado, o novo iPhone 16e, criado como substituto da linha SE, deu um salto de US$ 430 do modelo anterior, para US$ 600 no novo smartphone, um aumento de quase 40% no preço final, afinal, "trabalhar para pobre é pedir esmola para dois".

O grande problema para a Apple é que desta vez, Trump não estaria disposto a conceder isenções, e a companhia teria duas opções: pagar MUITO caro para importar da China, ou pagar caro investindo localmente, gerando empregos americanos e fazendo o dinheiro circular dentro do país. De um jeito ou de outro o custo vai subir e será repassado ao consumidor, assim, Tim Cook decidiu jogar conforme as novas regras, e o mesmo deverá ser seguido por outras fabricantes americanas, como a Nvidia.

Os planos visam estabelecer toda uma cadeia de suprimentos, ou seja, reproduzir a rede ancilar que já existe na China ao redor da Foxconn, o que levará muito tempo e consumirá muito dinheiro, mesmo contando com empresas com as quais já trabalha, como Broadcom, Qorovo, e SkyWorks Solutions; os chips Apple Silicon, por sua vez, são impressos parcialmente na fábrica da TSMC no Arizona, atualmente em 4 nm, no que Trump pressionou para os taiwaneses trazerem os processos mais recentes, e de novo, conseguiu o que queria.

E não, uma produção local não vai reduzir o preço do iPhone, como o causo brasileiro já deixou bem claro; a mão-de-obra fora da China é bem mais cara, fora os custos para criar toda a rede ao redor, que não existe da mesma forma que a do País do Meio, devidamente azeitada. Ao mesmo tempo, a pressão de Trump se estende a impedir que os chineses continuem desenvolvendo novas tecnologias, principalmente em IA, e as sanções deverão ficar ainda mais duras, assim, fortalecer o mercado interno enquanto tira oportunidades da China, fazem parte dos planos de Make America Great Again.

Os frutos desse comprometimento da Apple com o mercado interno devem demorar a aparecer, mas, por outro lado, o preço final de seus produtos ficarão mais caros dentro e fora dos EUA, pois alguém tem que pagar a conta, e como sempre, será o consumidor.

Fonte: The Verge

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