Ronaldo Gogoni 46 semanas atrás
ATUALIZAÇÃO: South Park Studios e Paramount chegaram a um acordo, em que os termos revistos pela Skydance foram aceitos: US$ 1,5 bilhão por 5 temporadas de 10 episódios, e a inclusão da série no Paramount+ nos Estados Unidos, o que deve ser refletido no resto do mundo.
Segue abaixo a notícia original.
South Park sempre foi uma série que não poupa ninguém, os criadores, Trey Parker e Matt Stone, já irritaram todo o tipo de gente dentro e fora da animação, mas mesmo eles dependem de distribuidores, com os quais não estando se entendendo.
A Warner Bros., que exibia os episódios clássicos no HBO Max (que era Max, que era HBO Max... enfim), não vai renovar o contrato ao considerar que foi enrolada, e a Skydance, que deve concluir o processo de fusão com a Paramount em breve, não quer honrar um acordo verbal de US$ 3 bilhões (~R$ 16,7 bilhões, cotação de 21/07/2025) para novas temporadas e especiais.

27.ª temporada de South Park foi adiada, e na pior das hipóteses, pode ficar restrita ao Comedy Central (Crédito: Divulgação/South Park Studios/Comedy Partners/Paramount)
O caso está tão enrolado que a 27.ª temporada foi adiada, o que poderia limitar a exibição de South Park, excluindo os especiais, ao Comedy Central; a série original, inclusive, não está mais disponível no Brasil e em vários outros países.
Os problemas de South Park começaram lá atrás, em 2019, quado Parker e Stone assumiram o controle de South Park, após o fim do acordo original que dividia a posse da marca com o Comedy Central, então controlado pela Viacom; isso foi antes da fusão com a CBS que resultou na criação da ViacomCBS, posteriormente renomeada para Paramount Global, a empresa atual.
De posse das rédeas, a dupla fechou um contrato de cinco anos com a WarnerMedia (a WB antes da fusão da Discovery) no valor de US$ 500 milhões, para a exibição de todos os novos e antigos episódios da série no HBO Max nos Estados Unidos; esse acordo expira em outubro.
Já em 2021, a South Park Studios firmou outro acordo, desta vez com a Paramount, de 6 anos e no valor de US$ 900 milhões, para a produção de 6 novas temporadas e 14 "filmes", hoje os especiais como Entrando no Pandaverso, O Fim da Obesidade, e por aí vai. O acordo também previa a exibição da série em mercados internacionais, como o Brasil.
Está anotando tudo? Pois bem, continuemos.
Caso sua memória ande falhando, nós passamos por um grande e incômodo evento de repercussão global entre o fim de 2019 e meados de 2022, que afetou a produção de conteúdos de mídia de diversos estúdios e emissoras, e South Park não foi exceção. Stone e Parker atrasaram a produção de novos episódios da série, o que deixou a Warner Bros. a ver navios, enquanto lançou dois especiais, exclusivos do Paramount+. Nessa época a fusão com a Discovery já havia sido concluída, e todo mundo sabe que o atual CEO, David Zaslav, não é flor que se cheire.
Corta para 2023, com a Warner ainda sem receber um episódio novo da série sequer, Zaslav perdeu a paciência e processou a rival, alegando que, por assinar um acordo antes, tinha direito aos especiais, que a empresa entendia como "episódios"; a Paramount retrucou, dizendo que o formato de um nada tem a ver com outro, e se declarou no direito de exibi-los. Parker e Stone não foram incluídos na ação.
Como resultado, a Warner não vai renovar o contrato que expirou em outubro, o que significa que os episódios das temporadas anteriores serão removidos do HBO Max, mas esse nem é o maior dos problemas dos moleques desbocados.
A Paramount e a South Park Studios haviam fechado um compromisso essencialmente verbal, de que quando o atual acordo de US$ 900 milhões expirar em 2027, ele deverá ser substituído por um novo de 10 anos (ou seja, mais 10 temporadas e sabe lá quantos especiais) e US$ 3 bilhões, mas a companhia da família Redstone está à beira do precipício, com um débito acumulado de US$ 15,52 bilhões (~R$ 86,2 bilhões), enquanto está avaliada em US$ 9,18 bilhões (~R$ 51 bilhões).
Para se salvar, a Paramount acertou um processo de fusão avaliado em US$ 8 bilhões com a Skydance Media, companhia conhecida por co-produzir a trilogia Kelvin de Star Trek, e a série Fundação, controlada por David Ellison, filho do presidente, CTO, e co-fundador da Oracle, Larry Ellison.
Tudo muito bonito, só que a Skydance não quer gastar US$ 3 bi com South Park.
A cúpula estaria disposta a oferecer um acordo menor de 5 anos, enquanto pausou todos os acordos sobre a distribuição dos episódios da série fora dos Estados Unidos. Com a expiração destes, South Park foi removida de serviços de streaming em quase todo o mundo, e só está disponível de forma oficial nos EUA... por enquanto.
Para completar, a estreia da 27.ª temporada foi adiada de 9 para 23 de julho, e os ânimos estão péssimos. Parker e Stone querem que a Paramount/Skydance cumpra a promessa do acordo original, não pretendem aceitar a contraproposta, e se as coisas continuarem assim, South Park pode acabar restrito somente ao Comedy Central, disponível apenas em alguns mercados. O Brasil, por exemplo, não é um deles.
Os criadores de South Park estão fulos da vida, principalmente porque a Paramount, desesperada para que a fusão com a Skydance seja aprovada e se safar de uma não tão impossível falência, está se sujeitando às condições do comprador E do governo Trump, que manteve o processo como refém enquanto não dessem cabo de todas as suas políticas de DEI (Diversidade, Equidade, e Inclusão).
Outro desdobramento recente, o apresentador e comediante Stephen Colbert foi demitido e o talk show Late Show cancelado, quando este chamou de "propina" o acordo em que a Paramount pagou US$ 16 milhões ao presidente, de modo a por fim a processos.
Na pior das hipóteses, dependendo de como as negociações se desenrolarem, South Park pode não mais receber novos especiais, e a série pode até mesmo ser encerrada, se nenhuma outra distribuidora se interessar. A Warner obviamente é carta fora. Disney? Mesmo com Simpsons e Family Guy no catálogo, Parker e Stone são muito mais caóticos. Apple? Também não. Netflix? Dificilmente.
Quanto ao conteúdo indisponível no Brasil e em outros países, Cartman já mandou um recado:
No mais, resta acompanhar como o processo de fusão entre Paramount e Skydance vai se desenrolar, e se South Park continuará zoando e atormentando tudo mundo por mais alguns anos.
Fonte: The Hollywood Reporter