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Paramount aprova fusão com Skydance por US$ 8 bilhões

Acordo entre Paramount e Skydance ainda pode ser revisto; negócio prevê absorção também da matriz National Amusements, da família Redstone

08/07/2024 às 11:08

E parece que a novela finalmente chegou ao fim: a Paramount entrou em um acordo para realizar uma fusão com a Skydance, o conglomerado de mídia do CEO e fundador David Ellison, filho de Harry Ellison, fundador da Oracle. O negócio envolve pagamentos totais de US$ 8,4 bilhões para a aquisição de todo o grupo, incluindo a matriz National Amusements, controlada por décadas pela família Redstone.

O acordo, que ainda pode ser revisto se a Paramount conseguir uma oferta melhor, promete encerrar o período de penúria da empresa, enquanto a Skydance consolida seu portfólio com algumas das marcas mais valiosas do cinema e TV.

Skydance deve absorver a Paramount e a matriz National Amusements, pondo um fim à Era Redstone (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Skydance deve absorver a Paramount e a matriz National Amusements, pondo um fim à Era Redstone (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Paramount de mudança... ou não

O acordo anunciado neste domingo (8) estipula que a Skydance deve pagar US$ 4,5 bilhões, em ações ou espécie (dinheiro), aos acionistas da Paramount Global em troca do controle acionário da companhia, além de mais US$ 1,5 bilhão para o balanço patrimonial. Além disso, a empresa de David Ellison vai desembolsar mais US$ 2,4 bilhões, em espécie, para assumir o controle da National Amusements.

Esta última, fundada em 1936 por Michael Redstone e sob controle familiar desde então, administra mais de 1.500 salas em cinema em todo o mundo (no Brasil, ela responde pelas redes Cineplex e Multiplex), e é a acionista majoritária da Paramount, no que a companhia atual é uma fusão de várias divisões de encarnações e subsidiárias passadas, da Viacom à CBS.

A Paramount vinha passando por um período sombrio na última década, com um declínio acentuado de seus negócios que mesmo sua plataforma de streaming unificada, o Paramount+, não conseguiu sequer aliviar. O débito acumulado da empresa gira em torno de US$ 14,6 bilhões (dados de março de 2024), enquanto o conglomerado tem um valor de mercado de apenas 8,22 bilhões.

É sabido que Shari Redstone, presidente da National Amusements, enfrentou uma guerra interna para assumir o controle da empresa, após a morte de seu pai, o magnata Summer Redstone, em 2020, e não estava disposta a abrir mão da empresa do clã, embora considerasse um negócio envolvendo somente a Paramount, mas os acionistas estavam fazendo pressão pela venda de tudo.

Foi por esses desentendimentos que o negócio com a Warner foi para o vinagre, bem como a primeira rodada de negociações com a Skydance, que não deram em nada; ambos fiascos acabaram custando a Bob Bakish o posto de CEO, no que ele foi substituído por Redstone por um trio de executivos, que comandam três divisões, Chris McCarthy (Showtime e MTV), George Cheeks (CBS), e Brian Robbins (Paramount Pictures).

Estes propuseram cortes de até US$ 500 milhões, incluindo uma possibilidade de fundir o Paramount+ com outro serviço de streaming, mas os acionistas continuavam descontentes, e seguiram pressionando Redstone a aceitar a oferta da Skydance, e vender o pacote completo; isso chegou a ser acordado em junho de 2024, apenas para a chefona mudar de ideia e cancelar o acordo, sem dar explicações.

De qualquer forma, talvez pelo fato de não ver uma luz no fim do túnel, a presidente da National Amusements aceitou as condições, e venderá o pacote completo a David Ellison, pondo um fim a 88 anos da Era Redstone à frente da empresa não mais familiar; o fundador da Skydance assumirá os cargos de CEO e chairman da nova e reestruturada Paramount, assim que o negócio for concluído.

Skydance colocará a mão em uma série de franquias valiosas (Crédito: Reprodução/Paramount)

Skydance colocará a mão em uma série de franquias valiosas (Crédito: Reprodução/Paramount)

Caso o negócio com a Paramount seja concluído, a Skydance Media adicionará a seu portfólio uma série de marcas famosas, como todo o acervo da franquia Star Trek (séries e filmes), além de outras como O Exterminador do FuturoO Poderoso ChefãoTransformersTop GunPânicoSexta-feira 13Jack RyanMissão: ImpossívelUm Lugar Silencioso, e outras.

Em conteúdos para TV e streaming, temos obras como South ParkDe Férias com o Ex, RuPaul's Drag Race (original e versões locais, brasileira inclusa), DexterYellowstone (e derivadas), Daily Show (antiga e atual casa de Jon Stewart), The Late Show e The Colbert Report (ambos apresentados por Stephen Colbert), CSI, NCIS, Bob EsponjaAvatar/A Lenda de Korra, As Tartarugas Ninja (séries e filmes) e Patrulha Canina, além de produções mais recentes como Tulsa King, estrelada por Sylvester Stallone, e Mayor of Kingstown, com Jeremy "Gavião Arqueiro" Renner.

O pacotão também inclui as redes CBS News, CBS Sports e Nickelodeon, além das já citadas mais de 1.500 salas de cinema em todo o mundo, que pertencem à National Amusements, o negócio original da companhia.

Fundada em 2006, a Skydance Media é focada em co-produções com outros estúdios, incluindo a Paramount, no que respondeu pela trilogia Kelvin de Star Trek, e os filmes mais recentes das séries Missão: Impossível, Jack Ryan, Top Gun e O Exterminador do Futuro. Na TV e streaming, ela assinou as séries Grace e Frankie, Altered Carbon, Jack Ryan, Reacher, FUBAR (com Arnold Schwarzenegger), e Fundação.

Como esperado, a venda de uma empresa familiar para um conglomerado com raízes na cena tech (David Ellison fundou a Skydance com fundos providos pelas ações na Oracle que ele possui), não está agradando. Donna Langley, CCO da NBCUniversal, disse que a venda é "triste", e que um cenário onde grandes corporações englobam outras, consolidando um grande poder econômico nas mãos, ameaça a competição.

Claro, em um caso clássico de "o sujo falando do mal lavado", a NBCUniversal pertence à gigante Comcast, uma das maiores operadoras de telecomunicações do planeta.

A Paramount tem 45 dias para consolidar o acordo de fusão, ou recusá-lo caso a companhia consiga uma oferta melhor (o que é bem difícil), ou Shari Redstone mude de ideia outra vez e cancele tudo, mas dada a situação do estúdio, eu diria ser esta uma situação de pegar ou largar; ou a empresa agarra a boia, ou arrisca ir ainda mais para o fundo, o que pode escalar até mesmo para um pedido de falência.

Fonte: Reuters, The New York Times

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