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Warner Bros. e Paramount discutem planos para fusão

CEOs da Warner Bros. e Paramount estariam planejando a fusão das duas companhias, para concorrer com Disney e Netflix, e sanar suas contas

21/12/2023 às 10:37

Segundo fontes apuradas pelo site Axios, na última terça-feira (19), David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, se reuniu com Bob Bakish, CEO e presidente da Paramount Global (ex-ViacomCBS), e Shari Redstone, presidente da National Amusements, operdora de mídia e cinemas à qual pertence o conglomerado que reúne Paramount Pictures, CBS, Comedy Central e MTV, entre outras marcas.

O objetivo do encontro, de acordo com pessoas próximas, seria traçar os planos para uma potencial fusão entre a Warner e a Paramount, na qual a primeira compraria a segunda, ou mesmo toda a National e suas subsidiárias, a fim de criar uma megacorporação de entretenimento forte o bastante para fazer frente à Disney, Amazon (que hoje é dona da MGM), e Netflix.

Warner e Paramount estão considerando compartilhar suas caixas d'água (Crédito: AaronP/Bauer-Griffin/GC Images/Michael Buckner/Variety)

Warner e Paramount estão considerando compartilhar suas caixas d'água (Crédito: AaronP/Bauer-Griffin/GC Images/Michael Buckner/Variety)

Segundo as informações apuradas, Zaslav teria se encontrado com Bakish e Redstone (que recentemente enfrentou uma guerra corporativa, a lá Sucession, para assumir o controle total das empresas de mídia após a morte de seu pai, o magnata Summer Redstone, em 2020) em ocasiões separadas, para apresentar de forma independente as duas propostas: a Warner teria interesse em adquirir ou a Paramount Global, ou a National Amusements.

Caso o acordo seja fechado com a segunda opção, a Warner juntaria ao seu portfólio, além dos estúdios e franquias relacionadas, as diversas redes de salas de cinema que a empresa de Redstone opera em todo o mundo; no Brasil, a National é dona das cadeias Multiplex e Cineplex.

O motivo que levaria à aproximação entre a Warner e a Paramount é o de sempre, dinheiro. Embora a primeira tenha um valor de mercado atual de US$ 28,06 bilhões, a gigante dona da DC e a casa dos irmãos Warner (e da irmã Warner) acumula um débito total de US$ 44,8 bilhões (dados de setembro de 2023); diversas medidas vêm sendo tomadas para tampar o buraco por Zaslav, com boa parte delas afetando a disponibilidade de conteúdo da Warner, no que vários saíram de catálogo para cortar o pagamento de residuais a atores, diretores, roteiristas e equipes envolvidas nas produções.

A Paramount não está muito melhor: com um valor de mercado de US$ 10,31 bilhões, ela tem um débito de aproximadamente US$ 14 bilhões. Unindo as duas, a expectativa seria de que a nova sinergia encontrada alavanque o valor das ações do leviatã resultante, de modo a gerenciar melhor as dívidas e aumentar a tração, e assim, permitindo aumentar a competição no setor. Por outro lado, há a possibilidade de que o buraco fique ainda maior, acabando por arrastar Warner e Paramount para ainda mais fundo.

De fato a situação está feia para a Warner, mas é a Paramount quem está recebendo enorme pressão do conselho, para encontrar um parceiro comercial ou um comprador, a fim de sair do atoleiro em que se enfiou.

Embora ambos estúdios controlem marcas poderosíssimas do entretenimento, é fato que as coisas têm ficado complicadas para qualquer um que não se chame The Walt Disney Company, hoje avaliada em US$ 167 bilhões, muito mais capaz de gerenciar seu débito de aproximadamente US$ 39,9 bilhões; a Amazon então, hoje controladora da MGM Studios, nem se fala: US$ 1,67 trilhão de valor de mercado, e uma dívida irrisória (dadas as proporções) de US$ 136,98 bilhões.

Pois é, a Amazon deve quase uma Disney inteira, mas isso responde por apenas 8,2% de seu valor de mercado.

Warner, Paramount e a união de forças

Uma fusão entre as partes ou a aquisição pela Warner, seja da Paramount ou da National Amusements, se revelaria o pesadelo regulatório da vez, tanto quanto foi a compra da Fox pela Disney anos atrás, e mais recentemente, a novela Activision Blizzard/Microsoft, que só se resolveu após os direitos de streaming dos títulos do estúdio serem negociados com a Ubisoft por 15 anos, uma decisão imposta pela CMA britânica, para impedir o surgimento de um monopólio de games na nuvem.

De cara, o público está atento à possível adição ao portfólio da Warner de uma das marcas mais poderosas da Paramount, Star Trek. Reunindo mais de 50 anos de séries, filmes e mídias relacionadas, a franquia tem o potencial de ser explorada (para o bem e para o mal) da mesma forma que a Disney o faz com Star Wars, permitindo a Kirk, Spock, Picard, Pike e cia. a continuar explorando novos mundos, com um maior leque de possibilidades.

Outras franquias e produções incluem O Exterminador do Futuro, O Poderoso Chefão, Transformers, Top Gun, Pânico, Sexta-feira 13, Jack Ryan, Missão: Impossível, Um Lugar Silencioso, South Park, De Férias com o Ex, Dexter, Yellowstone, CSI, NCIS, e várias outras, além de de parte do catálogo da DreamWorks, entre filmes e animações, até 2011.

Crossovers seriam apenas uma de várias possibilidades (Crédito: Reprodução/IDW Publishing/DC Comics)

Crossovers seriam apenas uma de várias possibilidades (Crédito: Reprodução/IDW Publishing/DC Comics)

No portfólio de subsidiárias, a Paramount possui a MTV, o canal que popularizou o videoclipe nos anos 1980, as redes CBS News e CBS Sports, e a Nickelodeon, com um enorme acervo de produções infantis (Bob Esponja, Avatar/A Lenda de Korra, Tartarugas Ninja, etc.). Em termos de sinergia, a CBS News poderia ser combinada com a CNN, e a CBS Sports com a Turner Sports, fortalecendo seu alcance nos setores de notícias e esportes, o primeiro em escala global.

Além disso, os serviços de streaming Paramount+ e HBO Max (ou Max, nos EUA) acabariam inevitavelmente fundidos em um só, agregando todas essas marcas em um único serviço (cuja assinatura seria mais cara do que ambos cobram hoje individualmente, mas divago), para fazer frente aos três maiores serviços do mercado, Disney+, Netflix, e Amazon Prime Video, este hoje reforçado pelo catálogo da MGM e suas marcas, que incluem 007, Stargate, RoboCop, Fargo, The Handmaid's Tale - O Conto da Aia, e outras.

Como ninguém da Warner, Paramount e National Amusements comenta o caso, restam algumas especulações a serem feitas, mas há alguns pontos concretos nessa história. David Zaslav é movido pelo mote "lucro a todo custo, não importa como", e é descrito como um executivo "extremamente ambicioso". De fato, a provisão fiscal imposta pelo governo após a fusão entre a Warner Bros. e a Discovery se encerra em 2024, permitindo à companhia realizar um novo movimento de aquisição ou junção, legalmente falando.

Na mais recente reunião com investidores, Zaslav disse que as medidas tomadas para poupar dinheiro e reduzir custos permitem à Warner "alocar mais capital em possibilidades de crescimento", no que a compra ou fusão com a Paramount se enquadraria.

Sobre regulação, especialistas acreditam que o negócio não configura uma violação das leis antitruste, mesmo com o cerco contra as big techs e grandes corporações se fechando. Isso se deve ao fato de que nenhuma das partes são operadoras de telecomunicações, ou possuem subsidiárias nesse mercado, diferente da NBCUniversal, que pertence à Comcast, cogitada como uma possível compradora da Warner, o que seria prontamente questionado pelo governo dos Estados Unidos. Em última análise, o acordo seria um repeteco da união entre Disney e Fox.

De qualquer forma, as negociações entre Warner e Paramount estariam ainda nos estágios iniciais, é possível que as conversas não dêem em nada, mas é fato que separadas, ambas estão mal das contas (a Paramount, em uma situação bem pior), e Zaslav odeia perder dinheiro.

Fonte: Axios

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