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Clones: quando a Vida Imita a Arte e o resultado é aterrorizante

Entre ficção e realidade, clones reacendem um debate assustador sobre ética, ciência e até onde vai o limite humano

31/05/2026 às 19:25

Em 1987, John Byrne publicou sua seminal obra O Mundo de Krypton, uma história distópica sobre clones e a maior das Utopias, o Superman. Hoje a Realidade alcançou o que Byrne previu, com aterrorizante precisão.

Esta é uma página de quadrinhos em cores vibrantes com um fundo de verde-água.**Personagens:** 1. **Mulher:** No centro, uma mulher com pele escura e cabelos longos e cacheados de cor azul-escuro está sentada na parte traseira de um veículo futurista. Ela usa uma túnica roxa e dourada com detalhes brilhantes e luvas azuis. Sua postura é relaxada e elegante. 2. **Homem:** Em primeiro plano, vemos um homem de costas, com cabelos vermelhos curtos e uma barba rija. Ele é musculoso e usa uma túnica dourada com um manto vermelho que flui atrás dele. **Veículo:** Eles estão montados em um veículo aerodinâmico, parecendo uma nave ou um cavalo mecânico, com design curvo e cores roxa e azul. Possui detalhes dourados e uma cauda que termina em uma lâmina afiada. **Bocadinhos de diálogo:** Os diálogos estão em português e indicam uma cena flerta: * Ele diz: "VARA! VOCÊ ESTÁ... LINDA!" e ela responde: "EU SEI." * Ele continua: "VOCÊ REALMENTE PARE ESTAR CRESCENDO, VAN-L." * Ela responde: "ACHO QUE É A PRIMEIRA VEZ QUE VOCÊ NOTOU!" * Ele propõe: "TENHO UMA RECEIÇÃO NO COMPARTIMENTO TRASEIRO, O SUFICIENTE PARA NÓS DOIS." * Ela responde: "VOCÊ VEM COMIGO PARA A MONTANHA KANTOR?" **Estilo visual:** A arte é dinâmica, com linhas de ação e cores saturadas típicas de quadrinhos de super-heróis, como os da Marvel. A iluminação sugere um ambiente futurístico ou espacial.

Sim, o nome da mulher é Vara. Krypton era uma sociedade muito moderna e campeã de diversidade (Crédito: Reprodução/DC Comics/Warner Bros.)

Chamada de R3 Bio, segundo o MIT Technology Review, ela seria uma startup com uma proposta no mínimo assustadora, mas vendida como uma ideia otimista e positiva: eles querem criar, via engenharia genética, “sacos de órgãos” de macacos, para substituir os testes in vivo com animais. A princípio, a “coisa” seria um conjunto de órgãos com capacidade de se manter vivo, mediante linhas de nutrientes, mas sem nenhum sistema neural avançado.

Bancada por investimentos do bilionário Tim Draper (Twitter, Tesla, Skype, Baidu, Hotmail, etc.) e fundos de investimento relacionados com longevidade, a R3 operou por vários anos em modo furtivo, talvez por seu projeto ser bem controverso entre grupos de defesa de animais e... fãs de quadrinhos.

Sim. Uma das funções da Ficção Científica é nos alertar e preparar para problemas e situações que ainda não enfrentamos, mas que podem acontecer e, no nosso caso, os leitores do Superman no arco do genial John Byrne ouviram desesperadas sirenes de alerta ao ler a notícia.

A história, publicada em quatro partes, faz parte da reimaginação do Superman, e Byrne foi a fundo. No passado, Krypton era uma utopia hedonista, com robôs fazendo todo o trabalho, enquanto os kryptonianos viviam vidas quase imortais em busca de prazer, divertimento e até ciência, de vez em quando.

Eu digo quase imortais, pois eles eram como elfos de Tolkien, imortais se ninguém tentar matá-los. No caso, assim como a Feiticeira, não era magia, era tecnologia. A Ciência Médica em Krypton era avançadíssima, e cada kryptoniano quando nascia ganhava três clones, que ficavam armazenados em câmaras protegidas.

Os clones eram mantidos em perfeita saúde física e, caso o kryptoniano precisasse de sangue, tecidos ou órgãos completos, eles seriam retirados dos clones. Somente casos extremos, como destruição total do cérebro, tornavam a “morte” permanente.

Esta é uma página de quadrinhos em estilo clássico, dividida em dois painéis principais, com balões de fala e legendas que contam uma história.**Painel da Esquerda:** No fundo, há um cenário exótico e colorido. À esquerda, duas criaturas verdes, parecidas com águas-viças gigantes ou plantas aquáticas, flutuam ou estão presas. No centro, um homem musculoso de cabelos vermelhos, vestindo uma túnica dourada e um cinto, segura uma espada curta. Ele está de costas para um homem sentado à direita, que usa uma capa azul escura e parece estar em uma posição de poder ou autoridade (sobre uma mesa baixa). Ao fundo, atrás do homem de capa azul, há uma mulher com pele escura, vestindo um traje azul e dourado, com um diadema na cabeça e um olhar atento. Os balões de fala revelam uma conversa tensa: * O homem de capa azul diz: “Aqueles não serão necessários. Eu asseguro você.” * O homem de cabelo vermelho responde: “É somente o que você queira restringir sua tabela. Até agora, eu sou apenas um cirurgião de transplantes bem-sucedido. Em todos meus milagres, nunca precisei de tanto como nesta cirurgia em um único indivíduo. E na verdade, tem sido sempre hábito da minha filha ser diferente, Doutor.” * Na parte inferior, uma legenda indica o nome do homem de capa azul: “TEN-AR!” **Painel da Direita:** O cenário muda para um ambiente mais formal, com cortinas roxas e um prédio dourado ao fundo. Os mesmos dois homens estão agora em pé, se cumprimentando com um aperto de mãos. O homem de cabelo vermelho agora está de frente, sorrindo e usando uma túnica dourada com um símbolo amarelo no peito. Ele segura uma coroa em sua mão esquerda. Os balões de fala mostram o diálogo: * O homem de capa azul (agora identificado como “VAN-L”) pergunta: “Ou sou eu prematuro para te chamar pelo seu nome? Quando é a hora da sua passagem?” * O homem de cabelo vermelho responde: “Não para outro quartel, meu Lord. Mas obrigado pelo elogio.” **Elementos Visuais Gerais:** * **Estilo:** Arte de quadrinhos dos anos 80, com linhas pretas definidas, cores vibrantes (roxo, verde, dourado) e sombras marcadas. * **Personagens:** Destacam-se por suas roupas elaboradas, acessórios (coroas, espadas) e expressões faciais dramáticas. * **Ambiente:** Transição de um ambiente misterioso e naturalista para um palácio ou salão real. * **Atmosfera:** Tensão inicial no primeiro painel, seguida por um momento de reconhecimento ou cerimônia no segundo. Em resumo, a imagem mostra uma cena de introdução ou apresentação entre dois personagens poderosos em um mundo fantástico, com elementos de magia, cirurgia avançada e realeza.

RoboDoc. Pronto, o nome é meu, aguarde a série (Crédito: Reprodução/DC Comics/Warner Bros.)

Claro, nem tudo eram flores e, com o passar dos milênios, foi surgindo um movimento que achava errado o uso dos clones. Alguns chegaram a chamar o uso de clones médicos de escravidão e, na época da história de Byrne, manifestações violentas defendiam o direito dos clones.

Os partidários do uso dos clones argumentavam que eles não tinham mente, eram projetados para existir sem qualquer consciência ou senciência, eram meros corpos biológicos ou, como chamaríamos hoje, “sacos de órgãos”.

A coisa desandou quando uma mulher chamada Nyra anunciou o noivado de seu filho, Kan-Z, com uma jovem chamada Kayla. Eles já estavam namorando fazia algum tempo, e Nyra, conhecida por ser temperamental e possessiva, estava estranhamente feliz com o relacionamento de Kan-Z, a quem era extremamente apegada.

Durante o anúncio do noivado, Kan-Z entra no salão transtornado, mata a própria mãe e tenta se matar, mas é detido. É um escândalo, essas coisas simplesmente não acontecem em Krypton.

Esta é uma página de uma história em quadrinhos, provavelmente do universo DC, focada no tema dos "Clones de Nyrza". A página é dividida em três painéis.**Painel Superior:** A cena principal mostra dois personagens de costas, vestidos com mantos longos e elegantes — um vermelho e outro preto — caminhando sobre um chão dourado e brilhante. O ambiente ao redor é uma câmara alta, de cor azul claro, com paredes curvas e decoradas com formas orgânicas e flores estilizadas. Eles estão observando uma vasta extensão de clones, que parecem ser seres humanoides com peles douradas e olhos verdes, dispostos em fileiras sobre o chão. Ao redor deles flutuam pequenos drones verdes com formato de cogumelo. Os balões de fala revelam que este é o "arquivamento" dos clones, mantidos em perfeita cópia e dormindo sob um campo de suas células. Um dos personagens diz: "Cuidadoso, pois sempre por sentinela silencioso". Outro menciona: "A câmara onde armazenamos os nossos clones para caso algum dia precisemos deles..." e identifica o local como "Krypton". **Painel Central (Inserido):** É um zoom detalhado de um dos clones, mostrando seu rosto pálido, olhos verdes brilhantes e corpo coberto por uma textura dourada quase metálica. Ele está sendo observado pelos dois personagens principais. **Painel Inferior:** Mostra os dois personagens de costas novamente, agora mais próximos de um grupo maior de clones. Eles estão sobre uma plataforma flutuante, com os drones verdes ao redor. Um dos personagens pergunta: "Este é o que procuramos, senhores?" — sugerindo que estão inspecionando ou selecionando os clones. O último balão diz: "Eles... eles... são prontos!" **Estilo Visual:** A arte é colorida, com tons vibrantes de azul, dourado e verde. As linhas são limpas e o estilo remete a quadrinhos dos anos 90 ou início dos 2000. Os personagens têm silhuetas imponentes, indicando importância ou poder. **Resumo para deficientes visuais:** Imagine dois líderes ou guardiões caminhando por um laboratório futurista e místico, cheio de seres idênticos — os clones de Nyrza — prontos para uso futuro. Eles são acompanhados por pequenos robôs verdes e observam cada clone com cuidado. A atmosfera é de tecnologia avançada misturada com algo quase sagrado ou biológico, tudo dentro de uma estrutura que parece flutuar no espaço ou em uma dimensão especial chamada Krypton. É uma cena que mistura ciência, poder e preparação para um destino desconhecido.

Tipo Matrix do Bem, mas não muito (Crédito: Reprodução/DC Comics/Warner Bros.)

Quase ao mesmo tempo, o corpo de Kayla é descoberto. Havia sido morta por Kan-Z pouco antes do matricídio. Eis que um dos robôs médicos faz uma revelação: um exame genético demonstrou que Kayla era geneticamente idêntica a Nyra.

Ela violou várias Leis kryptonianas, roubou um de seus clones e por métodos pouco explicados, fez com que ela desenvolvesse consciência, personalidade e identidade. Se nenhuma mulher era boa o suficiente para seu filho, ela o seria.

Fora o fato de transformar Krypton no Alabama do Espaço e tentar pagar um Édipo Reverso, Nyra inadvertidamente entregou para os Clonies, os defensores dos direitos dos clones, tudo que precisavam: a prova de que sim, com o tratamento correto os clones eram humanos - ok, kryptonianos - perfeitamente viáveis, e mantê-los presos e usá-los como fonte de peças de reposição era além de cruel.

O resultado foi uma guerra civil que durou mil anos, e eventualmente levou à destruição de Krypton, mesmo depois de a paz ter sido alcançada e os clones abolidos.

John Byrne trouxe à tona uma discussão ética fascinante, com paralelos com temas como aborto e eutanásia.

Historicamente estamos avançando. Hoje em dia experimentos com grandes primatas, como chimpanzés e orangotangos são proibidos praticamente no mundo todo, eles têm mais Direitos do que boa parte da população mundial de 250 anos atrás, mas outras espécies não contam com tanta consideração.

O campo dos xenotransplantes está avançando bem rápido. Técnicas como CRISPR são usadas para modificar geneticamente porcos para diminuir a rejeição de seus órgãos, vários porcos geneticamente modificados já foram produzidos -inclusive no Brasil- e a esperança é que tenhamos órgãos produzidos rapidamente, em quantidade e com baixa rejeição.

O argumento aqui é que porcos são criados para servir de comida, e se você vai fazer uma costelinha na AirFryer...

Sal, pimenta em flocos, alho, um limão espremido, azeite, deixe marinando por até um dia na geladeira, transfira para uma folha de papel alumínio, em formato de casulo para não vazar, coloque ¼ de copo de água, feche, 40 min na potência máxima, tire do papel alumínio, mais 15 min para dourar virando na metade do tempo. Me agradeça depois.

Por que não usar o mesmo animal para salvar vidas?

O povo contra-argumenta que porcos são inteligentes, amorosos, evoluídos e merecem o direito de existir em paz. Mesmo não concordando, admito que a argumentação é desconfortavelmente próxima dos defensores dos clones de Krypton, mas agora é a hora em que o fiofó cai do derrière: um X9 que participou de uma apresentação exclusiva para investidores diz ter ouvido planos assustadores de John Schloendorn, fundador da tal Startup R3.

Ele propôs criar clones sem cérebro para reposição de órgãos e tecidos, e eventualmente transplante total de cérebro, dando uma nova vida a pessoas com muito dinheiro, claro.

Na apresentação, ele usou como exemplo casos extremos de hidrocefalia, uma condição neurológica em que o feto não consegue drenar normalmente o fluido cérebro-espinhal, que se acumula no crânio, o que impede o desenvolvimento de todas as áreas nobres do cérebro. A criança acaba sem um telencéfalo altamente desenvolvido, nos casos extremos apenas as funções vitais básicas funcionam, não há cérebro para pensar, sentir ou existir.

Schloendorn quer induzir artificialmente hidrocefalia nos embriões clonados e depois mantê-los vivos em cápsulas que cuidarão de nutrição, excreção, etc. Só que para isso, eles precisam nascer antes.

Ainda não há tecnologia para criar úteros artificiais A solução? Óbvio, mães de aluguel. Ele vai pagar mulheres para gestarem os fetos clonados. Mas só no começo.

Depois das primeiras safras, ele pretende usar clones de mulheres sem cérebro (não necessariamente loiras, pare com isso) para produzir as novas gerações de embriões sem cérebro.

É um cenário de filme de terror, que invoca a questão do que nos faz humanos, pois por mais que o clone sem cérebro não seja uma pessoa, o ato de intencionalmente criar o clone assim não seria a suprema desumanização?

Experimentos como os propostos por Schloendorn são proibidos em quase todo lugar, mas sabe-se lá o que acontece nos laboratórios secretos. Interesse não falta e, para tornar a coisa mais próxima ainda de um plano de um supervilão, foi revelado pelo The Wall Street Journal que Vladmir Putin alocou US$ 26 bilhões em pesquisas para ampliar a longevidade humana.

Não acho que vamos chegar a uma guerra civil mundial por causa de clones, nem a um cenário estilo Meninos do Brasil, com clones de ditadores perpetuando-os no poder, mas as perspectivas não deixam de ser perturbadoras.

A imagem apresenta uma cena futurista e industrial. No primeiro plano, à esquerda, vemos a cabeça de uma pessoa, provavelmente um homem, vista de perfil e de baixo para cima. Sua pele parece úmida ou suada, com reflexos de luz brilhando sobre o couro cabeludo e o rosto.Ao lado dele, estendendo-se em perspectiva em direção ao fundo, há uma fileira de recipientes longos e estreitos, semelhantes a tanques ou cápsulas. Estes recipientes são transparentes ou semi-transparentes, revelando um líquido com um brilho laranja-avermelhado intenso e quente que os preenche. Dentro do líquido, é possível ver formas escuras e difusas, que podem ser partes de corpos humanos ou de criaturas biológicas. No fundo, atrás da fileira de tanques, há uma estrutura complexa e intrincada, feita de inúmeros tubos, fios e componentes mecânicos entrelaçados, sugerindo um sistema de suporte de vida ou uma máquina de grande porte. A iluminação é dramática e contrastante: a luz quente e laranja vinda dos tanques se reflete no tanque mais próximo e na cabeça da pessoa, enquanto o fundo e as partes superiores da estrutura são banhados por uma luz azulada e fria, criando uma atmosfera de alta tecnologia, mas também de mistério e talvez perigo. A composição guia o olhar do espectador ao longo da fileira de tanques, enfatizando a repetição e a escala da cena.

Bons tempos em que o futuro colocava a gente apenas como baterias... (Crédito: Reprodução/Village Roadshow Pictures/Groucho II Film Partnership/Silver Pictures/Warner Bros.)

Uma alternativa otimista é que há pesquisas avançadas em bioimpressão 3D e clonagem de órgãos. Afinal, nossos órgãos se desenvolvem do zero uma vez, com o uso de células-tronco, ao menos em teoria, é possível induzir o crescimento de um órgão novo.

Se você perder a pontinha do dedo e for bem jovem, há grandes chances dele se regenerar, mas chegou na falangeta, já era. Outras espécies são bem melhores nisso. Lagartixas perdem o rabo sem nenhuma preocupação, salamandras e paulistinhas conseguem regenerar membros, nadadeiras, coluna espinhal, coração, olhos e parte do cérebro.

Planárias podem ser picotadas em pedacinhos e cada um se desenvolve em um animal completo. Chifres de cervos são órgãos vascularizados que se regeneram rotineiramente.

Kurt Connors, o vilão do Homem-Aranha conhecido como Lagarto é um cientista amputado que estava pesquisando uma fórmula ativadora para tentar regenerar seu braço. Mais uma vez a Ficção Científica com uma visão de um futuro possível.

Por enquanto somos vítimas de nossa complexidade. Só conseguimos regenerar naturalmente dois órgãos, a pele e o fígado (meus garçons agradecem), mesmo assim quanto mais velhos, mais ficamos com cicatrizes. Se for possível ativar esses genes, um paciente com doença renal receberá uma semente com células-tronco que produzirão um órgão novo geneticamente modificado para resistir à doença original, e ele se desenvolverá no próprio corpo.

Ou em um porco, confirmando mais uma vez que Bacon é Vida.

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