Dori Prata 1 ano e meio atrás
Imagine querer jogar algum título recém-lançado e se dar conta de que isso não será possível, simplesmente porque você não possui a plataforma em que ele chegou com exclusividade. Essa é uma realidade que vem atormentando as pessoas desde os primórdios da indústria, mas a cada dia que passa, mais a Microsoft se aproxima da ideia de disponibilizar a marca Xbox para todos — e em todos os dispositivos.
Nos últimos dias, enquanto navegava por alguma rede social, talvez você tenha se deparado com a nova campanha de marketing encomendada pela Gigante de Redmond. Intitulada “Isso é um Xbox”, a ideia é mostrar para as pessoas que para jogar algo produzido pela empresa, não precisamos de um console vendido por eles e no site Xbox Wire, o diretor de marketing da divisão, Craig McNary, explicou essa visão.
“Acreditamos que os jogos devem ser fáceis de acessar e disponíveis para todos, então, se você possui um console Xbox, joga no PC, com uma TV smart da Samsung, portáteis, celulares, Amazon Fire TV ou um headset Meta Quest com o Game Pass Ultimate, você pode jogar Xbox,” declarou. “Na verdade, você provavelmente está lendo isso em um dispositivo habilitado para Xbox, que pode ser ligado com a ajuda dos jogos por streaming ou com o Xbox App para PC.”
Em sua tentativa de evangelizar as pessoas sobre praticamente qualquer dispositivo eletrônico moderno ter acesso aos jogos da marca, a campanha não se limitou à divulgação online. Além de camisetas e moletons, em cidades como São Francisco, Atlanta, Nova York, Sydney, Londres e Berlin, a população poderá encontrar algumas peças espalhadas pelas ruas.
Segundo McNary, a iniciativa “mostra a evolução do Xbox como uma plataforma que se estende pelos dispositivos, com visuais ousados, icônicos, divertidos e em tom alegre.” Outro que voltou a defender essa estratégia foi o CEO da Microsoft, Satya Nadella.
“E então dissemos: ‘vamos levar essa alegria de jogar para todos os lugares.’ E é por isso que, mesmo esses anúncios com o Xbox agora, onde estamos redefinindo o que significa ser fã do Xbox, é sobre poder aproveitar o Xbox em todos os seus dispositivos,” disse. “E mais importante, penso que a longo prazo, como empresa, podemos trazer o melhor da IA, inovação em nuvem, inovação de console, inovação de PC para criar os melhores jogos que podem ser aproveitados por jogadores em todos os lugares.”
Contudo, a empresa está convicta de que precisa ir além, com a chegada de suas franquias também em outros consoles ganhando mais força no futuro. O primeiro passo nessa direção foi dado em fevereiro deste ano, quando alguns títulos foram anunciados para chegarem ao Nintendo Switch e PlayStations.
Depois, a Microsoft confirmou que duas grandes produções (Doom: The Dark Ages e Indiana Jones and the Great Circle) seriam lançadas para o atual console da Sony. Aparentemente a companhia estava testando o terreno e segundo o editor executivo do site, Windows Central, Jez Corden, ela não deve parar por aí.
Usando sua conta no X, o sujeito afirmou que daqui para frente a marca não terá mais exclusivos. No pior cenário, os futuros lançamentos poderão ficar “presos” apenas temporariamente aos consoles fabricados pela Microsoft ou PC, para depois aparecerem também nos aparelhos da Sony e Nintendo.
“Se alguns jogos forem exclusivos, isso será, na melhor das hipóteses, incidental,” disse Corden. “O argumento ‘caso a caso’ será, em geral, multiplataforma, temporário e com talvez alguns (poucos) casos atípicos.”
É importante dizer que a declaração do editor foi uma resposta dada a um questionamento feito por outra pessoa. Logo, é de se imaginar que ele não tenha passado uma informação, mas sim apenas a opinião de alguém que acompanha de perto a maneira como a Microsoft tem trabalhado.
De qualquer forma, considerando tudo o que tem saído dos escritórios de Redmond, essa possível especulação não parece absurda. Por mais que possa soar improvável um dia vermos um Halo ou um Forza no PlayStation 5, essa possibilidade tem sido levantada há algum tempo (aqui e aqui) e acredito que ninguém ficará realmente surpreso se tais franquias um dia pularem o muro.
Com o custo de desenvolvimento dos jogos tendo alcançado patamares tão elevados, é compreensível que as desenvolvedoras e editoras queiram alcançar o maior público possível e qual maneira melhor para fazer isso, do que disponibilizar suas criações em várias plataformas?
Embora a Nintendo continue insistindo em ter suas marcas apenas nos consoles que produz, exceto apenas por um ou outro jogo para dispositivos mobile, a Sony já cedeu e hoje temos várias das suas principais franquias no PC. Mesmo demorando um pouco para se desvencilharem das amarras de um PlayStation, essas produções eventualmente se tornam mais acessíveis e precisar investir na compra de um console nunca pareceu tão desnecessário.
No caso da Microsoft, com suas produções chegando ao PC simultaneamente ao Xbox, essa dependência se tornou ainda mais irrelevante e por isso algumas pessoas já se perguntam qual a necessidade do Series S|X receber um sucessor. Como um apaixonado por consoles, digo que ainda prefiro jogar neles, mas a verdade é que com a facilidade oferecida pela dupla Steam Link e Steam Big Picture, além do Steam Deck (sem falar nos jogos pela nuvem), defender os aparelhos fabricados por Sony e Microsoft tem se tornado um belo desafio.
Tudo bem, a morte dos consoles é algo que ouço ser anunciada desde que era moleque, mas pensando no cenário atual e na maneira como a indústria mudou, essa é uma possibilidade que está se tornando bastante plausível. Mas insisto: enquanto tiver a oportunidade, não desistirei das máquinas dedicadas aos games. A diferença é que se elas me permitirem jogar mesmo aquilo que foi produzido pelos estúdios de outra fabricante, melhor.