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IA: China criou modelo para uso militar baseado no Llama

Modelo Llama 13B foi base para pesquisadores da China criarem IA de uso militar; Meta e governo dos EUA nada podem fazer para impedir

1 ano e meio atrás

A China continua investindo pesado no desenvolvimento de tecnologias de ponta, incluindo Inteligência Artificial (IA), apesar das sanções comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos. Um relatório da agência Reuters revelou que institutos de pesquisa ligados ao Exército da Libertação Popular (People's Liberation Army, ou PLA), o braço armado do Partido Comunista chinês, desenvolveu um modelo de algoritmo para uso militar.

Agora vem a parte divertida: o software, que seria basicamente um chatbot (por enquanto), teria sido desenvolvido com base no Llama 13B, modelo de dados open source do Meta, e não há nada que a companhia de Mark Zuckerberg, ou a Casa Branca, possam fazer para impedir seu uso por players dos quais não gostam.

IA militar chinesa seria limitada a 100 mil registros, mas nada impede que seja expandida posteriormente (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

IA militar chinesa seria limitada a 100 mil registros, mas nada impede que seja expandida posteriormente (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

ChatBIT é limitado, ao menos por enquanto

A Reuters afirma ter conseguido acesso a um documento publicado em junho de 2024, que cita 6 artigos científicos de três instituições diferentes, em que duas delas operam sob a Academia de Ciência Militar, o principal grupo de P&D do PLA. O relatório em questão dá detalhes de como os pesquisadores chineses usaram o Llama 13B para criar seu algoritmo, chamado "ChatBIT".

Llama é o LLM do Meta, que possui vários modelos de dados, todos de código aberto. O 13B denota seu tamanho, ou seja, ele possui 13 BILHÕES de parâmetros, embora não seja o maior disponível pela companhia; a questão é que o Meta fornece o Llama em vários modelos, privados e abertos, dependendo da aplicação o desenvolvedor deve pagar uma assinatura, mas eles estão disponíveis para quem quiser baixar, desde que tenha banda e espaço decentes para fazer o download de uma quantidade titânica de dados.

O Meta proíbe o uso do Llama em quaisquer aplicações que infrinjam as regras de exportação dos EUA, supervisionadas pela Comissão Federal de Comércio (FTC), o que inclui uso em aplicações militares, indústria ou aplicações nucleares, espionagem, etc., mas uma que qualquer um pode baixar, não há o que fazer depois. E este é exatamente o caso com o ChatBIT.

Os pesquisadores chineses teriam usado um modelo mais antigo do Llama, e o incorporado com seus próprios parâmetros (por volta de 100 mil, segundo o relatório), para criar um chatbot voltado inicialmente para prover conselhos estratégicos. Ele seria limitado a princípio, mas os artigos mencionam a intenção de treiná-lo em situações mais intrincadas de planejamento e tomada de decisão, ou seja, ele deverá ser refinado e expandido com o tempo.

A China, aliás, não está fazendo o menor esforço para que a existência do ChatBIT seja um segredo, na verdade, a revelação seria uma demonstração de força de Pequim, de que o país continua se desenvolvendo e rápido, militar e comercialmente, apesar dos esforços dos EUA para frear seu progresso.

China busca liderança em IA, apesar dos EUA

Em 2017, o Partido Comunista da China, liderado pelo secretário-geral e também premiê Xi Jinping, apresentou um plano geral de desenvolvimento em IA, que é tudo menos modesto: dividido em três etapas, ele visa posicionar o País do Meio como líder do setor global até 2030, e o governo passará por cima de qualquer obstáculo que surgir no caminho, incluindo os embargos comerciais impostos pelos EUA.

Premiê Xi Jinping quer a China liderando o mercado global em todas as frentes, mas nos termos do Partido (Crédito: reprodução/acervo internet)

Premiê Xi Jinping quer a China liderando o mercado global em todas as frentes, mas nos termos do Partido (Crédito: reprodução/acervo internet)

O ChatBIT faz parte da primeira etapa iniciada em 2020, que foca em estabelecer os alicerces e desenvolver modelos de dados e algoritmos nacionais, desde que eles sigam a cartilha do Partido à risca, ao "incorporar os valores fundamentais do Socialismo". Isso foi estendido também a modelos e aplicações comerciais, impondo revisões dos algoritmos de empresas como ByteDance (Douyin/TikTok) e Alibaba, entre outras, para que seus produtos não se distanciassem do que o governo determina, como rechaçar dissidência e opiniões dissidentes.

A segunda fase, que se inicia em 2025, é a aplicação dos modelos e algoritmos em diversos setores, como produção, infraestrutura, agricultura, medicina e defesa interna, operando em conjunto a leis e regulações; a fase final busca a projeção das soluções chinesas globalmente, especialmente em relações internacionais e defesa.

O fato é que a evolução tecnológica acelerada da China, apesar dos embargos, está tirando Washington do sério, vide o que aconteceu após o recente desenvolvimento envolvendo a nacionalização das jazidas de gálio e germânio; ao invés de negociar, o governo Biden mandou a DARPA se virar, e desenvolver novos semicondutores com outros materiais.

Sobre o ChatBIT, é muito provável que ele não seja o único algoritmo militar em desenvolvimento na China, apenas é o que veio a público no momento; enquanto isso, o Meta não tem o que fazer, pois não pode restringir o uso do Llama em um país onde não atua (e que não dá a mínima para as leis dos EUA), e de qualquer forma, o algoritmo é aberto.

Fonte: Reuters

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