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EUA para Nvidia: "pare de vender para a China!"

Departamento de Comércio dos EUA repreende Nvidia, por versões modestas de chips de IA criados para contornar restrições impostas à China

10 semanas atrás

A Nvidia está tirando o sono de Gina Raimondo, secretária de Comércio dos Estados Unidos: isso porque a companhia de Santa Clara não aceitou muito bem as várias rodadas de sanções econômicas impostas à China, que impedem empresas do país de comprarem componentes de alta tecnologia, para o desenvolvimento de semicondutores e soluções de Inteligência Artificial (IA).

Vez após outra, a Nvidia foi impedida de enviar seus componentes de ponta para clientes corporativos ao País do Meio, que incluem a A100 e H100, e mais recentemente, até mesmo a RTX 4090, a topo de linha do mercado gamer, foi barrada. Para contornar o problema, a empresa vem desenvolvendo versões "capadas", a fim de atender as restrições.

Departamento de Comércio dos EUA não está nada contente com Nvidia redesenhando chips, a fim de continuar vendendo para a China (Crédito: reprodução/acervo internet)

Departamento de Comércio dos EUA não está nada contente com Nvidia redesenhando chips, a fim de continuar vendendo para a China (Crédito: reprodução/acervo internet)

O problema, é que para o Departamento de Comércio, a Nvidia deveria cortar de vez seus canais de venda com a China, ao invés de procurar brechas nas sanções, o que agora rendeu à companhia de Jensen Huang um alerta: ou eles param de vender chips avançados por conta própria, ou serão forçados a isso.

"China não terá acesso a chips de ponta"

A motivação para as sanções impostas à China é a mesma de sempre, a preocupação de que tais componentes serão usados para fabricar armas e dispositivos espiões, e/ou repassados para aliados como Rússia e Coreia do Norte, excluídos da cadeia de suprimentos formal.

A mais recente onda de restrições mirou especificamente em fechar rotas de descaminho, entre o "Eixo do Mal" e nações aliadas, mas também abordou a estratégia recente da Nvidia, que revelou novas versões de produtos que haviam sido bloqueados anteriormente. Estes também foram restritos, e não poderão mais ser enviados à China.

Em agosto de 2022, o Departamento de Comércio impôs as primeiras restrições à Nvidia, que ficou impedida de vender a A100 e a H100, suas GPUs topos de linha para soluções de grande porte, como datacenters e IA comercial, para a China. Como resposta, em outubro do mesmo ano a companhia introduziu a A800 e a H800, versões com especificações mais baixas, que atendiam os limites de capacidades impostos pelo governo dos EUA.

Em outubro de 2023, no entanto, o órgão comandado por Gina Raimondo restringiu também estas, e adicionou à lista a RTX 4090, mesmo esta sendo um produto gamer voltado ao consumidor final, por ter um poder computacional acima de 4.800 TOP/s (trilhões de operações por segundo), segundo a fabricante.

Assim, um cliente corporativo na China, ou mesmo o governo de Pequim pode muito bem se virar com um parque de várias RTX 4090 e tocar projetos de alto nível, o que a Casa Branca não quer de jeito nenhum.

A Nvidia, claro, não gostou da segunda rodada de restrições, e anunciou que continuaria a fazer negócios com a China. Em novembro de 2023, a empresa anunciou uma nova linha de GPUs corporativas, as HGX H20, L20 e L2, e em dezembro, revelou a RTX 4090 D (de Dragon; sutileza não é o forte de Huang), todas exclusivas para o mercado chinês.

Tais estratégias foram entendidas por Gina Raimondo como atos de desafio da Nvidia ao governo, e agora ela explicou como a banda vai tocar. No último sábado (2), durante o Fórum Nacional Reagan de Defensa, um evento anual realizado em Simi Valley, na California, a secretária de Comércio foi taxativa:

Mesmo a RTX 4090, voltada ao usuário final, não pode ser vendida para a China; para contornar o problema, a Nvidia está desenvolvendo uma versão mais modesta, a 4090D (Crédito: Reprodução/Nvidia)

Mesmo a RTX 4090, voltada ao usuário final, não pode ser vendida para a China; para contornar o problema, a Nvidia está desenvolvendo uma versão mais modesta, a 4090 D (Crédito: Reprodução/Nvidia)

"Nós (os EUA) não permitiremos que a China tenha acesso a esses chips, ponto final (...). Nós negaremos a eles o acesso a toda a nossa tecnologia de ponta.

"Eu sei que há certos CEOs de companhias de chips na plateia que não gostaram do que fiz, porque estão perdendo dinheiro (...). É a vida. Proteger nossa segurança nacional é mais importante do que lucro a curto prazo."

E deu um recado direto a Jensen Huang, acerca de suas manobras para lançar produtos exclusivos para os chineses:

"Se você (Huang) redesenhar um chip, contornando um limite particular que permita a eles (a China) desenvolver soluções de IA, eu vou restringi-lo no dia seguinte."

Nvidia (e outras) sem opções

Raimondo deixou claro como cristal que, não importa o que a Nvidia faça para continuar atendendo o mercado chinês, o Departamento de Comércio irá barrar. Assim, deu a entender que a RTX 4090 D, e as HGX H20, L20 e L2, também não serão permitidas a serem comercializadas com companhias do País do Meio.

A secretária de Comércio afirma que o uso de semicondutores de ponta por nações rivais "é a maior ameaça atual" aos Estados Unidos, e que nenhum canal comercial entre as fabricantes de chips será permitido, se seus produtos puderem ser usados para desenvolver modelos de IA. No máximo, Nvidia, AMD, Intel e outras empresas poderão vender produtos que ou são muito fracos para isso, ou que não podem, em tese, ser usados em larga escala.

Ao mesmo tempo, a China está se virando para desenvolver componentes de ponta com tecnologia própria, fazendo gambiarras em equipamentos que já possui, de empresas como a ASML, que também não poderá mais fazer negócios com o país. De fato, há quem questione a efetividade das sanções, que ao invés de atrasar os chineses, os estimulou a correrem atrás do prejuízo e se tornarem autossuficientes.

Enquanto isso, a Nvidia amarga queda nas ações, após as declarações de Raimondo acerca de mais restrições, e o recado dado: ou a companhia para de vender chips de IA à China por bem, ou parará por mal.

Fonte: Fortune

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