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Pepinos rápidos da NASA: Artemis II e Starliner

Rapidinhas da NASA: Artemis II talvez voe em abril de 2026, e missão da Starliner foi uma falha "Classe A", como o desastre da Challenger

16 semanas atrás

O administrador da NASA Jared Isaacman tem pelo menos dois abacaxis para descascar em 2026: a missão Artemis II, o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em décadas, e reminiscências do primeiro teste tripulado da cápsula Starliner, realizado em 2024.

O primeiro teve dois vazamentos consecutivos detectados, enquanto o relatório mais recente acerca da missão malfadada da cápsula da Boeing a classificou como uma Falha Classe A, a mais grave da escala.

Detalhe de logo da NASA no Edifício para Construção de Veículos (VAB) nas instalações do Centro Espacial Kennedy na Flórida, EUA (Crédito: NASA)

NASA anda enrolada com problemas da Artemis II, e Starliner não acabou em catástrofe por MUITO pouco (Crédito: NASA)

Artemis II talvez suba em abril de 2026

A Artemis II está bem atrasada, disso não há dúvidas. A NASA originalmente marcou a missão, que realizará o primeiro flyby lunar tripulado em décadas, para ser lançada entre 2019 e 2021, mas de lá a data foi jogada para 2023, depois 2024, 2025, e a mais recente previa o lançamento (sem piadinhas) para 1.º de abril de 2026, após mais dois adiamentos recentes.

O foguete SLS e a cápsula Orion, já devidamente posicionados na doca de lançamento no Centro Espacial Kennedy, deveriam ser lançados agora em fevereiro, mas um teste realizado no dia 02/02/2026 revelou um vazamento de hidrogênio líquido, detectado durante uma simulação da contagem regressiva. Não obstante, uma válvula ligada ao módulo pressurizado da cápsula Orion, que acomoda a tripulação, teria que ser refixada.

Isso fez a NASA remarcar a data de lançamento para março de 2026, visto que a operação para conter o vazamento e apertar a válvula solta demorou mais que o previsto, mas de qualquer forma, um novo teste realizado no dia 19/02 concluiu que tudo estava nos conformes. Claro, a famosa eficiência alemã da agência (sorry, not sorry) com procedimentos de segurança se fez presente outra vez, e mais um teste foi agendado para o dia 21/02.

O resultado foi a detecção de outro vazamento, desta vez de hélio, no estágio superior do SLS, que apesar de ser bastante seguro, não é imune a bugs aqui e ali. O problema é que desta vez a falha foi considerada grave, e o foguete teve que ser movido de volta para o Edifício de Montagem de Veículos (Vehicle Assembly Building, ou VAB), para que reparos sejam feitos de forma adequada.

SLS e cápsula Orion posicionados para missão Artemis II, antes de voltarem para o VAB (Crédito: Ben Smegelsky/NASA)

SLS e cápsula Orion posicionados para missão Artemis II, antes de voltarem para o VAB (Crédito: Ben Smegelsky/NASA)

 

A missão Artemis II seria adiada para abril, com o dia 1.º sendo o mais provável para o lançamento, mas em uma postagem no X, Jared Isaacman se limitou a dizer que a falha inviabilizou o mês de março e, por enquanto, estão comprometidos a realizar a empreitada daqui a pouco mais de 30 dias, mas uma data concreta só será fixada posteriormente, quando todas as falhas tiverem sido identificadas e debeladas.

Os astronautas Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch e Jeremy Hansen (especialistas de missão) já estavam inclusive em quarentena, mas tiveram que sair visto que não há nada concreto para a Artemis II; a NASA pretende mover o SLS do VAB de volta à plataforma de lançamento no dia 24/02/2026, e nos próximos dias deverá realizar uma coletiva de imprensa, para explicar publicamente o que aconteceu e revelar os planos atualizados para a missão.

Enquanto isso, a missão Artemis III continua parcialmente agendada para 2028, visto que esta depende da versão lunar da Starship, que até agora ninguém sabe, ninguém viu.

Missão da Starliner quase deu MUITO ruim

A paranoia da NASA em relação à segurança mais do que se justifica, quando lembramos de desastres como o da missão Apollo I, e as últimas dos ônibus espaciais Challenger e Columbia; a Apollo XIII só foi salva graças ao trabalho conjunto de Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon e Ed Harris.

Por isso mesmo é assustador descobrir agora, quase dois anos depois da sucessão de trapalhadas envolvendo a cápsula Starliner, que a missão de teste tripulado de 2024 só não acabou em uma nova tragédia por uma combinação de sorte e habilidade dos astronautas Butch Wilmore e Suni Williams, que conseguiram acoplar a cápsula à Estação Espacial Internacional (ISS) com relativa segurança.

Cáspula CST-100 Starliner da Boeing acoplada à Estação Espacial Internacional (Crédito: Divulgação/NASA)

O voo da Starliner poderia ter acabado muito, mas muito mal (Crédito: Divulgação/NASA)

Na última quinta-feira (19), a NASA liberou para acesso público o relatório (cuidado, PDF) publicado por um time independente criado em 2025 para averiguar todos os erros cometidos pela Boeing no projeto e no lançamento da CST-100, e classificou o incidente como uma "Falha Classe A", a mesma atribuída à perda da Challenger e da Columbia, que vitimaram ambas as tripulações em 1986 e 2003, respectivamente.

Dando uma repassada rápida no ocorrido, a missão da Starliner apresentou problemas com os propulsores de manobra e subiu vazando hélio de forma descontrolada, uma ocorrência que não foi resolvida; como se não bastasse, ela não possuía um modo de desacoplamento remoto, que a Boeing considerou "desnecessário", e só voltou à Terra (sem a tripulação) após receber um patch. Wilmore e Williams permaneceram meses na ISS (a missão duraria originalmente apenas alguns dias) até voltarem à Terra em uma cápsula Dragon.

O mais absurdo dessa história é lembrar que o Programa de Tripulações Comerciais da NASA (CCP) só saiu do papel quando a Boeing entrou na concorrência, e esta recebeu bem mais grana que a SpaceX; a NASA ainda acredita que a Starliner pode voltar a ser usada, mas seria usada em menos missões, o que elevaria o custo de cada lançamento ainda mais.

A administradora associada da NASA Amit Kshatriya descreveu o rolo com a Starliner durante coletiva de imprensa como "um evento realmente desafiador" na história recente da agência, que "quase teve um dia terrível" na ocasião, apontando que a missão tripulada de testes esteve a um dedo de distância de uma catástrofe, que muito provavelmente levaria à perda de vidas.

A Boeing amargou um prejuízo financeiro de US$ 2 bilhões só por causa da Starliner, o que muitos entendem como outro reflexo da política atual de "contadores de feijões" da empresa: profissionais da área de finanças passando por cima de procedimentos de segurança da engenharia e dando pitacos na gestão como forma de economizar, resultando em cortes grotescos em projetos apontados como as causas dos vários acidentes e incidentes com o 737 Max, que vitimaram 346 pessoas e levaram a um processo bilionário.

Fonte: NASA [1, 2]

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