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Resenha: Creature Commandos - James Gunn sendo James Gunn

Creature Commandos é a nova animação da DC, sob comando de James Gunn. mais adulta, sangrenta e divertida. Tire as crianças da sala!

1 ano e meio atrás

Creature Commandos é o que todo mundo poderia esperar de uma série de James Gunn: Personagens obscuros reinterpretados e atualizados, trilha sonora impecável, violência e sacanagem na medida certa e muita ação. Alguns cínicos diriam que é formulaico, mas o importante é que funciona muito bem.

Crédito: Reprodução/DC Studios/Warner Bros.

James Gunn

Primeiro de tudo, a DC tem que agradecer à Marvel e ao povo lacrador de Internet. Sem eles Creature Commandos, O Esquadrão Suicida, Pacificador, nada disso teria acontecido.

Tudo começou no longínquo ano de 2018, quando em meio à pré-produção de Os Guardiões da Galáxia Vol. 3, o povo da Polícia da Internet descobriu twits “ofensivos” que James Gunn teria escrito, por volta de 1973.

Ao invés de dar uma boa passada de pano, dizer que investigarão profundamente e esperar as 24 regulares até a Internet e seu lendário déficit de atenção se preocupar com outra coisa, a Disney entrou em pânico, e demitiu James Gunn. O povo que vive numa bolha achou que seria o fim dele, mas tudo que Gunn fez foi recostar em sua poltrona, olhar para o telefone e contar 5... 4... 3...

*Ring ring* - é a DC, oferecendo um caminhão de dinheiro, liberdade criativa total, faz o que quiser, contrata quem quiser, a casa é sua.

James Gunn foi então produzir O Esquadrão Suicida, um dos raros bons filmes da DC dos últimos anos. O fato de terem deixado ele fazer um filme do Esquadrão, depois da bomba que foi o primeiro, mostra como a DC deu carta-branca a Gunn.

Esquadrão Suicida. Coragem de colocar um personagem como o King Shark em um filme "sério" (Crédito: Reprodução/DC Studios/ Warner Bros.)

Em 2022, depois do sucesso do filme, Gunn foi convidado com outro caminhão de dinheiro para, junto com Peter Safran, virarem Chairmen e CEOs do DC Studios. Eles seriam o chefão, o rei da cocada preta, il capo di tutti capi, o pica das galáxias, o bambambã, o manda-chuva, o Rei do Pedaço.

Nesse meio-tempo a Marvel viu a hagada que havia feito, pede desculpas rastejando (mais um caminhão de dinheiro) e James Gunn termina o terceiro Guardiões da Galáxia, encerra a saga e seu tempo na Marvel.

Na DC, Gunn promoveu uma matança, cancelando quase todas as séries, todos os filmes menos o Batman, e produzindo e escrevendo Pacificador, uma das séries mais erradas e deliciosas do mundo de super-heróis. A começar pela magnífica abertura, totalmente fora da caixa:

Quem São os Creature Commandos?

Os Creatures Commandos apareceram pela primeira vez no número 93 da Weird War Tales, em uma história escrita por J.M. DeMatteis. Basicamente eles são um grupo de criaturas sobrenaturais criadas - naturalmente - pelo Exército dos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial, com o nobre propósito de matar nazistas.

Inicialmente o grupo é formato por um vampiro, criado através de doses de sangue de um morcego-vampiro mexicano, um sujeito com licantropia, que consegue se transformar em um lobisomem, e um soldado que teve o corpo destruído por uma mina e foi reconstruído por cientistas.

Fogo nos nazistas! (Crédito: Reprodução/DC Domics/Warner Bros.)

Sim, eles são basicamente os Monstros da Universal, Lobisomem, Drácula e Frankenstein, mas para não pagar direitos autorais, eles foram kibados, sem menção a suas identidades originais.

Assim como Doom Patrol, Esquadrão Suicida, Avengeiros e essencialmente todo grupo de super-heróis, os Creature Commandos tiveram diversas formações, e sua origem foi recontada e retconeada mais de uma vez.

Creature Commandos Versão James Gunn

Na série animada, James Gunn introduz (epa!) os Creature Commandos ao DCU. A série é uma espécie de continuação/Soft Reboot d'O Esquadrão Suicida / Pacificador, a premissa é que após levar uma dura do Governo, Amanda Waller está proibida de utilizar prisioneiros humanos como mercenários.

Crédito: Reprodução/DC Studios/Warner Bros.

Esperta como só ela, Waller, na voz de Viola Davis, que fez a personagem nos dois filmes do Esquadrão Suicida e em Pacificador, encontra uma brecha na proibição: ela vai à seção sobrenatural da prisão de Belle Reve, e recruta um grupo de degenerados para realizar seus serviços sujos pelo mundo.

A equipe é composta de:

1 - General Flagg Sr. – líder do grupo, é o único que não é um prisioneiro. Pai de Rick Flagg Jr., morto em O Esquadrão Suicida.

2 – A Noiva – No caso, Noiva de Frankenstein, criada no Século XIX pelo dr. Frankenstein como companhia para seu monstro, ela acaba se envolvendo com seu criador, que é morto pelo monstro em um acesso de ciúmes. Depois disso Eric, o monstro, persegue a Noiva através dos Séculos, tentando conseguir uma chance de ter seu amor retribuído.

3 – G.I. Robot – Imagine a inocência do C-3PO, combinada com a psicopatia do Chopper. G.I. Robot é um robô criado na 2.ª Guerra Mundial para matar nazistas, coisa que ele faz muito bem. Infelizmente G.I. Robot vê nazistas em todo canto, e precisa ser persuadido a não passar fogo em todo mundo que aparece na sua frente.

4 – Weasel – Ninguém sabe que diabos é o Weasel, só se sabe que ele está preso por matar 27 crianças, é um assassino sanguinário que mal pode ser controlado. Ele é imprevisível.

5 – Doutor Fósforo – Graças a um acidente em uma usina nuclear, Alexander Sartorius ganha poderes radioativos, sua pele e órgãos se tornam transparentes, e ele vive perpetuamente em chamas, nada disso tem a ver com o elemento “Fósforo”, mas autores de quadrinhos não são cientistas.

6 - Nina Mazursky – em uma das versões dos quadrinhos ela é criadora dos Creature Commandos. Uma cientista que testa seus experimentos em si mesma, e se transforma em uma mulher-anfíbia.

7 – Eric Frankenstein – o clássico monstro do dr. Victor Frankenstein, que também aparece na série. Ele é bem mais complexo do que um monstro sem alma furioso ou um monstro meio bobão. Sua aparição inicial na série lhe dá um certo ar de Pepe Le Pew, mas o personagem tem bem mais potencial.

A Trama

O Pokolistão, que deve ser vizinho da Latvéria, está sob ataque de Circe, vilã da Mulher-Maravilha. Amanda Waller monta a Força-Tarefa M para proteger o país. No palácio a Princesa, uma moça muito dada, arrasta asa para cima de Rick Flagg Sr., que mantém a compostura e resiste bravamente aos avanços reais por vári-nah, eles se pegam, e forte.

Crédito: Reprodução/DC Studios/Warner Bros.

A Noiva, quando descobre que estão no Pokolistão, fica nervosa, pois é perto do local onde foi criada. Uma noite ela foge e vai até o castelo do dr. Frankenstein, onde revive seu passado.

O segundo episódio é quase todo um flashback contando a origem da Noiva, e parece que essa será a estrutura da série; uma missão geral bem genérica, e apresentação dos personagens. Como bônus, uma cena de sexo entre a Princesa e Rick Flagg Sr., com um vídeo dos bastidores postado no Instagram de James Gunn absolutamente sensacional (aumente o volume).

Crédito: Divulgação/DC Studios/Warner Bros.

As forças de Circe, os Filhos de Themyscera, atacam Nina e a Noiva, Circe aparece e polpifica a Noiva em uma luta desigual. Nina tem seu capacete destruído pelos capangas de Circe; ela e a Noiva terminam caídas, derrotadas, destruídas.

Conclusão

Creature Commandos mistura ação, violência, música, comédia e um ritmo frenético, sem ser superficial. É uma história com conteúdo, seus personagens não são bidimensionais (quer dizer, tecnicamente são). Eles nos deixam curiosos, queremos saber mais sobre como se tornaram o que são hoje.

É uma animação mais adulta do que a maioria das animações da DC, mesmo as excelentes Harley Quinn e Kite-Man: Hell Yeah!, bem mais focadas na comédia.

Crédito: Divulgação/DC Studios/Warner Bros.

A série tem tudo para agradar o público, e mantém a tradição da DC ser excelente nas animações, ao contrário da Marvel.

Trailer:

Cotação:

5/5 Weasels, seja lá o que for aquilo.

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