Carlos Cardoso 1 ano e meio atrás
Creature Commandos é o que todo mundo poderia esperar de uma série de James Gunn: Personagens obscuros reinterpretados e atualizados, trilha sonora impecável, violência e sacanagem na medida certa e muita ação. Alguns cínicos diriam que é formulaico, mas o importante é que funciona muito bem.

Crédito: Reprodução/DC Studios/Warner Bros.
Primeiro de tudo, a DC tem que agradecer à Marvel e ao povo lacrador de Internet. Sem eles Creature Commandos, O Esquadrão Suicida, Pacificador, nada disso teria acontecido.
Tudo começou no longínquo ano de 2018, quando em meio à pré-produção de Os Guardiões da Galáxia Vol. 3, o povo da Polícia da Internet descobriu twits “ofensivos” que James Gunn teria escrito, por volta de 1973.
Ao invés de dar uma boa passada de pano, dizer que investigarão profundamente e esperar as 24 regulares até a Internet e seu lendário déficit de atenção se preocupar com outra coisa, a Disney entrou em pânico, e demitiu James Gunn. O povo que vive numa bolha achou que seria o fim dele, mas tudo que Gunn fez foi recostar em sua poltrona, olhar para o telefone e contar 5... 4... 3...
*Ring ring* - é a DC, oferecendo um caminhão de dinheiro, liberdade criativa total, faz o que quiser, contrata quem quiser, a casa é sua.
James Gunn foi então produzir O Esquadrão Suicida, um dos raros bons filmes da DC dos últimos anos. O fato de terem deixado ele fazer um filme do Esquadrão, depois da bomba que foi o primeiro, mostra como a DC deu carta-branca a Gunn.

Esquadrão Suicida. Coragem de colocar um personagem como o King Shark em um filme "sério" (Crédito: Reprodução/DC Studios/ Warner Bros.)
Em 2022, depois do sucesso do filme, Gunn foi convidado com outro caminhão de dinheiro para, junto com Peter Safran, virarem Chairmen e CEOs do DC Studios. Eles seriam o chefão, o rei da cocada preta, il capo di tutti capi, o pica das galáxias, o bambambã, o manda-chuva, o Rei do Pedaço.
Nesse meio-tempo a Marvel viu a hagada que havia feito, pede desculpas rastejando (mais um caminhão de dinheiro) e James Gunn termina o terceiro Guardiões da Galáxia, encerra a saga e seu tempo na Marvel.
Na DC, Gunn promoveu uma matança, cancelando quase todas as séries, todos os filmes menos o Batman, e produzindo e escrevendo Pacificador, uma das séries mais erradas e deliciosas do mundo de super-heróis. A começar pela magnífica abertura, totalmente fora da caixa:
Os Creatures Commandos apareceram pela primeira vez no número 93 da Weird War Tales, em uma história escrita por J.M. DeMatteis. Basicamente eles são um grupo de criaturas sobrenaturais criadas - naturalmente - pelo Exército dos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial, com o nobre propósito de matar nazistas.
Inicialmente o grupo é formato por um vampiro, criado através de doses de sangue de um morcego-vampiro mexicano, um sujeito com licantropia, que consegue se transformar em um lobisomem, e um soldado que teve o corpo destruído por uma mina e foi reconstruído por cientistas.

Fogo nos nazistas! (Crédito: Reprodução/DC Domics/Warner Bros.)
Sim, eles são basicamente os Monstros da Universal, Lobisomem, Drácula e Frankenstein, mas para não pagar direitos autorais, eles foram kibados, sem menção a suas identidades originais.
Assim como Doom Patrol, Esquadrão Suicida, Avengeiros e essencialmente todo grupo de super-heróis, os Creature Commandos tiveram diversas formações, e sua origem foi recontada e retconeada mais de uma vez.
Na série animada, James Gunn introduz (epa!) os Creature Commandos ao DCU. A série é uma espécie de continuação/Soft Reboot d'O Esquadrão Suicida / Pacificador, a premissa é que após levar uma dura do Governo, Amanda Waller está proibida de utilizar prisioneiros humanos como mercenários.

Crédito: Reprodução/DC Studios/Warner Bros.
Esperta como só ela, Waller, na voz de Viola Davis, que fez a personagem nos dois filmes do Esquadrão Suicida e em Pacificador, encontra uma brecha na proibição: ela vai à seção sobrenatural da prisão de Belle Reve, e recruta um grupo de degenerados para realizar seus serviços sujos pelo mundo.
1 - General Flagg Sr. – líder do grupo, é o único que não é um prisioneiro. Pai de Rick Flagg Jr., morto em O Esquadrão Suicida.
2 – A Noiva – No caso, Noiva de Frankenstein, criada no Século XIX pelo dr. Frankenstein como companhia para seu monstro, ela acaba se envolvendo com seu criador, que é morto pelo monstro em um acesso de ciúmes. Depois disso Eric, o monstro, persegue a Noiva através dos Séculos, tentando conseguir uma chance de ter seu amor retribuído.
3 – G.I. Robot – Imagine a inocência do C-3PO, combinada com a psicopatia do Chopper. G.I. Robot é um robô criado na 2.ª Guerra Mundial para matar nazistas, coisa que ele faz muito bem. Infelizmente G.I. Robot vê nazistas em todo canto, e precisa ser persuadido a não passar fogo em todo mundo que aparece na sua frente.
4 – Weasel – Ninguém sabe que diabos é o Weasel, só se sabe que ele está preso por matar 27 crianças, é um assassino sanguinário que mal pode ser controlado. Ele é imprevisível.
5 – Doutor Fósforo – Graças a um acidente em uma usina nuclear, Alexander Sartorius ganha poderes radioativos, sua pele e órgãos se tornam transparentes, e ele vive perpetuamente em chamas, nada disso tem a ver com o elemento “Fósforo”, mas autores de quadrinhos não são cientistas.
6 - Nina Mazursky – em uma das versões dos quadrinhos ela é criadora dos Creature Commandos. Uma cientista que testa seus experimentos em si mesma, e se transforma em uma mulher-anfíbia.
7 – Eric Frankenstein – o clássico monstro do dr. Victor Frankenstein, que também aparece na série. Ele é bem mais complexo do que um monstro sem alma furioso ou um monstro meio bobão. Sua aparição inicial na série lhe dá um certo ar de Pepe Le Pew, mas o personagem tem bem mais potencial.
O Pokolistão, que deve ser vizinho da Latvéria, está sob ataque de Circe, vilã da Mulher-Maravilha. Amanda Waller monta a Força-Tarefa M para proteger o país. No palácio a Princesa, uma moça muito dada, arrasta asa para cima de Rick Flagg Sr., que mantém a compostura e resiste bravamente aos avanços reais por vári-nah, eles se pegam, e forte.

Crédito: Reprodução/DC Studios/Warner Bros.
A Noiva, quando descobre que estão no Pokolistão, fica nervosa, pois é perto do local onde foi criada. Uma noite ela foge e vai até o castelo do dr. Frankenstein, onde revive seu passado.
O segundo episódio é quase todo um flashback contando a origem da Noiva, e parece que essa será a estrutura da série; uma missão geral bem genérica, e apresentação dos personagens. Como bônus, uma cena de sexo entre a Princesa e Rick Flagg Sr., com um vídeo dos bastidores postado no Instagram de James Gunn absolutamente sensacional (aumente o volume).

Crédito: Divulgação/DC Studios/Warner Bros.
As forças de Circe, os Filhos de Themyscera, atacam Nina e a Noiva, Circe aparece e polpifica a Noiva em uma luta desigual. Nina tem seu capacete destruído pelos capangas de Circe; ela e a Noiva terminam caídas, derrotadas, destruídas.
Creature Commandos mistura ação, violência, música, comédia e um ritmo frenético, sem ser superficial. É uma história com conteúdo, seus personagens não são bidimensionais (quer dizer, tecnicamente são). Eles nos deixam curiosos, queremos saber mais sobre como se tornaram o que são hoje.
É uma animação mais adulta do que a maioria das animações da DC, mesmo as excelentes Harley Quinn e Kite-Man: Hell Yeah!, bem mais focadas na comédia.

Crédito: Divulgação/DC Studios/Warner Bros.
A série tem tudo para agradar o público, e mantém a tradição da DC ser excelente nas animações, ao contrário da Marvel.
5/5 Weasels, seja lá o que for aquilo.