Resenha — Esquadrão Suicida (sem muitos spoilers)

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A DC e a Warner não estão vivendo um momento muito bom nos cinemas. Embora Batman vs. Superman: A Origem da Justiça tenha rendido mais de 800 milhões de dólares de bilheteria em todo o mundo (o que é excelente para a maioria dos mortais) a percepção interna é que o projeto foi um fracasso: o estúdio projetou afobadamente um rendimento de mais de US$ 2 bilhões e como a grana não veio, mudanças tiveram que ser postas em prática.

A primeira delas foi estrutural: Zack Snyder perdeu a carta branca e Geoff Johns, presidente e CCO da DC Comics passou a exercer a função de manda-chuva também nas produções cinematográficas. Com Mulher-Maravilha e Liga da Justiça na esteira era imperativo mudar alguns aspectos das películas e uma delas foi bem clara: diminuir a “elegância” Snyderniana e injetar mais humor, imitando o que a FOX fez com Deadpool na cara dura.

O problema: Esquadrão Suicida já estava quase pronto, o corte final era muito mais sério do que o trailer vendeu e por causa disso ele voltou para a prancheta, e cenas extras foram filmadas às pressas. O resultado?

Atenção: o texto contém alguns leves SPOILERS sobre o filme. Leia por conta e risco.

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O Filme

Serei sincero: Esquadrão Suicida tem sérios problemas de montagem. Num esforço de deixar o filme mais leve e engraçadinhos os produtores inseriram uma série de recursos para deixa-lo com uma cara mais pop, desde músicas famosas a fichas técnicas, num estilo bem cartunesco. A primeira meia-hora é toda assim, serve como uma apresentação de todos os personagens e só então a ação começa.

É aí que o filme muda. Sai a pegada infantil, entra uma trama bem mais pesada e dark. As piadinhas ainda estão lá e fazem parte da construção de alguns dos personagens (principalmente Arlequina e Capitão Bumerangue), mas no geral estamos diante de uma trama pesada, muito mais alinhada com o que Snyder fez em O Homem de Aço e Batman vs. Superman.

David Ayer (Corações de Ferro) não merece ser culpado pela direção da DC ter mexido em sua obra original. Há informes de que muita coisa ficou de fora do corte final, mesmo Jared Leto diz que diversas cenas do Coringa foram removidas. Enfim, contornados esses problemas temos uma aventura muito boa, com um time de desajustados enviados para resolver um problema que eventualmente vai acabar com todos indo para a vala ou, na melhor das hipóteses levando a culpa. Esquadrão Suicida diverte, e isso é suficiente. Não espere pela oitava maravilha do cinema, mas se for assisti-lo de coração aberto conseguirá sim apreciar as duas horas tranquilamente.

Vamos dar então uma pincelada nos principais protagonistas da trama:

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O “Bom”

Will Smith se safou desta vez. Sua relutância em não querer interpretar personagens maus como o Pica-Pau acabou por casar bem com o Pistoleiro, que sempre foi uma figura ambígua. O maior assassino do mundo, o atirador que nunca erra um alvo, um mercenário que mata pelo maior cachê e vive bem com isso em todas as encarnações sempre teve um bom motivo para não ser completamente podre, e aqui esse elemento permanece imutável.

Floyd Lawton é um vilão com princípios, ele deixa claro que há uma linha que nunca será cruzada e é leal a seus companheiros, mesmo estes sendo iguais ou piores do que ele. O Pistoleiro acaba se tornando o líder nato do grupo, e várias vezes coloca o coronel Rick Flag (Joel Kinnaman, o Alex Murphy do reboot de RoboCop), aquele que mantém todos os membros da Força-Tarefa X (o nome oficial do grupo, referência a outra HQ da DC) na coleira em seu coldre.

Falando nisso, a performance de Smith nas cenas de ação é muito boa. Ele demonstra bem como o Pistoleiro é um profissional sem igual quando o assunto são armas de fogo e sua presença é decisiva em algumas situações.

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A Má

Se Darkseid é o deus para quem o diabo reza, de Amanda Waller ele tem medo. A comandante das operações do Esquadrão Suicida é uma personagem que detém poder como nenhum outro humano jamais teve, e não falo dela ser uma meta-humana. Lex Luthor já foi colocado debaixo de seus pés (inclusive quando foi presidente dos EUA) e ela é a única criatura conhecida capaz de apontar o dedo na cara do Batman, deixando-o sem ação.

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E digamos que o morcego tem seus motivos para não ir com a cara de Waller:


TrueKazam — Oh shit.

Já com o Capitão Bumerangue ela foi bem menos sutil…

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A DC criou uma das personagens mais temidas de seu universo que não possui nenhum superpoder, que dobra qualquer um e usará quaisquer métodos para atingir seus objetivos, usando quem quer que seja. Apesar de tudo ela ainda é uma oficial bem quista no governo e embora possua uma agenda própria, sempre colocou os interesses dos EUA acima dos seus próprios. Ainda assim Waller é uma mulher terrível, capaz de submeter mesmo o mais poderoso dos meta-humanos à sua vontade e que não tem o menor melindre em sujar as mãos com o que for.

A indicada ao Oscar Viola Davis (Vidas Cruzadas) consegue dar à Amanda Waller toda a força de sua encarnação mais conhecida, de antes D’Os Novos 52 (onde ela sofreu uma desnecessária recauchutagem e ficou a cara da Rihanna; ela jamais precisou depender da aparência para mostrar a que veio e mesmo sendo gorda e baixinha, ninguém nunca se atreveu a deixa-la nervosa) e aqui ela segue uma figura terrível, que você definitivamente não quer pisar no pé. Ela é o próprio demônio tanto em maldade quanto em retórica, seus argumentos são convincentes o bastante para colocar até o mais louco dos loucos em cheque.

E por falar em loucos…

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A Pirada

Amanda Waller pode ser um destaque e tanto, mas Margot Robbie (O Lobo de Wall Street) rouba a cena como Arlequina. Sua versão da mais despirocada dos inimigos do Batman é sensacional, ela não só mostra que não é um rostinho bonito como é extremamente má e lunática. A história de origem da dra. Harleen Quinzel é bem fiel aos quadrinhos, ela continua sendo a vítima de um relacionamento extremamente abusivo mas como sempre não está nem aí com isso. Ela é tão louca quanto o Coringa, porém mais cruel e inconsequente que o Príncipe Palhaço do Crime.

Ainda assim há momentos em que sua porção “sã” dá as caras, inclusive para dar um sermão em certos personagens. E ela se vira sozinha o tempo todo, não dependendo de ninguém para descer o sarrafo em quem quer que seja. Quem gostou da Mulher-Maravilha em Batman vs Superman levando porrada do Apocalipse e dando risada vai adorar ver a Arlequina em ação batendo, apanhando e se divertindo a beça.

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O Palhaço

O ponto fraco do filme é justamente o Coringa de Jared Leto (Clube de Compras Dallas). Sua versão do palhaço é tão diferente quanto todas as outras, aqui ele é um psicótico desequilibrado completo mas ainda muito inteligente e meticuloso. O grande problema é que ele aparece pouco, sua inserção no filme parece deslocada e as alegações de Leto que muito dele foi tirado na versão final pode ter prejudicado sua performance como um todo.

Por outro lado é compreensível. Tanto o Batman quanto o Coringa são personagens tão grandes e fortes que dar mais atenção a eles tiraria o foco dos personagens principais, e esta não era a intenção. Ainda assim eu gostaria de ver mais do palhaço em tela e espero que o filme do Cruzado Embuçado, que será dirigido por Ben Affleck nos propicie isso no futuro.

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Os Outros

Cada um dos membros da patota tem seu momento. O Capitão Bumerangue (Jai Courtney, o Kyle Reese de Exterminador do Futuro: Gênesis) é um falastrão e chega a ser o mais apagado do filme, mas não foge de uma briga e suas habilidades são bem úteis em alguns momentos; o Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje, o Mr. Eko de Lost) é o tanque com sua força e voracidade descomunais, embora não chegue a ser tão monstruoso quanto sua aparência sugere. Já El Diablo (Jay Hernandez) é o membro mais relutante do time, e tem um motivo muito forte para isso; ainda assim suas habilidades especiais fazem a diferença quando este resolve tirar as luvas.

Rick Flag é o comandante em campo e mantém os vilões em rédeas curtas o tempo todo, mas basicamente ele é o menos equilibrado da missão por fatores que não convém discutir aqui, e não é nem um pouco respeitado pelo esquadrão. Katana (Karen Fukuhara) por sua vez é seu braço direito, a portadora de uma espada mística que absorve a alma de todos aqueles que mata. Embora não seja uma vilã ela também não é nem um pouco boazinha, e é uma das maiores causadoras de estragos do filme. Temos também a Magia, uma feiticeira extradimensional de milhares de anos de idade que habita o corpo da arqueóloga June Moone (Cara Delevingne, de Cidades de Papel), e que desempenha um papel muito importante na trama.

E o Morcego? Bom, ele está no filme fazendo pontas aqui e ali, mas não espere muito. Vale mencionar apenas que Esquadrão Suicida tem uma cena extra no meio dos créditos, essencial para o entendimento do que virá a seguir.

Conclusão

Esquadrão Suicida não é perfeito. Embora não seja um filme como o que os trailers venderam ele é sim uma atração que vai entreter e divertir desde o fã dos quadrinhos a quem só acompanha as produções da Warner na tela grande. Ele não merece a chuva de críticas dos sites especializados mas também não é a tábua de salvação do cinema de super-heróis, ao ponto dos floquinhos ofendidos pedirem o fechamento do Rotten Tomatoes.

Pela ação ele é sim excelente, mas no fator humor ele perde para Deadpool de longe. No entanto compara-los é injusto, cada um é bom à sua maneira e quem for fã de uma boa aventura não sairá insatisfeito da sala de cinema. Podem ir sem medo.

Dica: se puderem assistir em 2D, façam isso. Os efeitos em três dimensões novamente não justificam o investimento extra.

Nota: quatro de cinco Arlequinas; é divertido e isso basta.

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Warner Bros. Pictures Brasil — Esquadrão Suicida – Trailer “Blitz” (leg) [HD]

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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