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Depois de 11 anos, Google volta a dar atenção a tablets

Android 13 contará com suporte a apps com interfaces dedicadas a tablets, pela 1.ª vez desde a versão 3.0 Honeycomb, lançada em 2011

11 semanas atrás

Não é segredo que o Google sempre teve dificuldade em lidar com tablets. A companhia foi arrastada para o mercado à força pela Apple, com a introdução do iPad em 2010, no que os parceiros comerciais começaram a lançar produtos para competir com a maçã.

O problema: o Android era pensado para uma interface em celulares, telas pequenas, e levou um bom tempo até que uma proposta dedicada surgisse com a versão 3.0 Honeycomb, em 2011. O problema é que de lá para cá, o Google nunca mais fez nada do tipo, o que ajudou a depreciar o ecossistema de tablets do robozinho.

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Motorola Moto Tab G70 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O Android 13, anunciado de maneira oficial (uma prévia já circulava) durante a conferência Google I/O 2022, promete resolver essa lacuna de 11 anos, mas dado o histórico do Google, é bom manter o pé atrás.

Android Honeycomb, Xoom e a piada pronta

Entre as várias novidades do Android 13, uma que chamou a atenção foi o fim da longa, LONGA negligência do Google em relação ao suporte a interfaces em apps voltadas para a usabilidade em tablets. Com exceção de iniciativas dos próprios desenvolvedores, a maioria dos softwares só oferece uma experiência "esticada" dos celulares, não oferecendo recursos para aproveitar uma área maior.

A Apple nunca teve tais problemas com a linha iPad, salvo raras exceções por teimosia de parceiros, vide o Instagram, por exemplo, que também não terá um tratamento melhor no Android. Aplicações nativas do iOS sempre trataram o formato de telas e proveram versões de interfaces distintas, o que foi aprimorado com a criação do iPadOS, um sistema em separado.

Essa atenção da Apple à prata da casa estimula os desenvolvedores a seguirem a fórmula, pois entendem que o usuário de iPad preza a experiência de uso em primeiro lugar, e tudo o que ele não quer é transformar seu tablet caro em um "iPhonão". Por outro lado, o Google passou muitos anos sem dar atenção a isso.

Ainda em 2010, a Samsung correu para introduzir a primeira geração do Galaxy Tab no mercado, com um display de apenas 7" e uma experiência esticada do Android para celulares. Faltava algo que pudesse ser considerado um concorrente real ao iPad, com uma experiência de uso dedicada.

Foi então que veio a parceria que resultou no lançamento do Motorola Xoom, o primeiro embarcado com o Android 3.0 Honeycomb, uma versão do robozinho exclusiva para tablets.

Interface do Motorola Xoom, rodando Android Honeycomb (Crédito: Reprodução/Motorola/Android Open Source Project)

Interface do Motorola Xoom, rodando Android Honeycomb (Crédito: Reprodução/Motorola/Android Open Source Project)

O Honeycomb foi pensado para oferecer uma usabilidade mais próxima de um desktop, com o suporte de widgets que posteriomente, foi melhor aproveitado nas demais versões do Android, além de maior foco em multitarefa. O grande problema para o Google, foi contar com o tablet da Motorola como garoto-propaganda do SO dedicado.

Resumindo a história: o Xoom chegou ao mercado incompleto, foi vítima de horrendas práticas de RH, e não vendeu quase nada, mas ei, ele suportava Flash, toma essa, Steve Jobs!

A única coisa boa a sair desse rolo foi a compra da Motorola pelo Google, que durante o período, colocou no mercado aparelhos muito bons. Quanto ao Honeycomb, a companhia foi obrigada a engolir o sapo e o vampirizou até não poder mais, implementando seus recursos na versão padrão do Android. O fork para tablets recebeu atualizações até a versão 3.2.6, de fevereiro de 2012, e ficou por isso mesmo.

Pixel C, Chrome OS e Pixel Slate

Ao invés de dedicar tempo para uma versão específica do Android para tablets, o Google adotou a estratégia da Apple em implementar tudo em uma única distribuição Android, ou assim se pensou. A prioridade da companhia sempre foi smartphones, e os fabricantes que se virassem para adequarem seus produtos.

Boa parte dos apps nativos não têm experiências de uso para telas grandes até hoje; pegue um tablet Android e abra o Google Keep, Home ou Voice, e você verá a apresentação de celular. Outros, como a Play Store e o Chrome (este com a interface de desktop) fazem o básico, e somente alguns poucos, como o Mapas, o Calendário e o Gmail, são totalmente responsivos.

Com o tempo, ficou claro para o público que o iPad se tornaria o sinônimo de tablets, como certas marcas de esponja de aço e de iogurtes. Mesmo produtos de ponta, como a linha premium da Samsung, não consegue concorrer em receita com a maçã, e aos poucos, os demais fabricantes foram pulando fora do barco, até porque o Google não dava suporte algum ao Android nesse sentido.

Em 2015 a companhia anunciou o Pixel C, apenas para sair do mercado de tablets Android em 2018, pouco tempo após introduzir o Pixel Slate, que não rodava Android, mas Chrome OS; Mountain View esperava que a linha fosse mais apelativa para power users, e o posicionou como um adversário das linhas iPad Pro e Microsoft Surface.

Tanto não deu certo que em 2021, o Pixel Slate foi descontinuado.

Rodando Chrome OS, o Pixel Slate foi lançado em 2018, e descontinuado em 2021 (Crédito: Divulgação/Google) / tablets

Rodando Chrome OS, o Pixel Slate foi lançado em 2018, e descontinuado em 2021 (Crédito: Divulgação/Google)

Tablets do Google: a 3.ª vez é a que conta?

Em 2022, o Google tentará mais uma vez com um tablet Android próprio, chamado apenas Pixel Tablet, rodando Android novamente, agora na versão 13. Será o segundo com o SO do robozinho a chegar às lojas, e o terceiro produto do tipo vindo diretamente da companhia, sem contar a linha Nexus, que era fabricada por OEMs.

A grande novidade, no entanto, foi a gigante das buscas ter finalmente entendido que não é possível contar com um grande ecossistema de aplicações dedicadas a tablets, se ela própria não fizer o dever de casa. Assim, mais de 20 aplicações nativas receberão enfim o tratamento devido.

Segundo o Google, o Android 13 em tablets oferecerá experiências de uso decentes no YouTube e Mensagens, enquanto outros que já o fazem, como o Mapas e o Gmail, serão refinados; para incentivar a adesão de mais desenvolvedores, empresas como Meta e ByteDance anunciaram versões de seus apps repaginados, como o Facebook (de novo, não conte com um Instagram para tablets) e TikTok, além do Canva, Zoom e outros.

Apps nativos, Facebook, TikTok e Zoom, entre outros, trarão interfaces voltadas a tablets no Android 13 (Crédito: Reprodução/Google)

Apps nativos, Facebook, TikTok e Zoom, entre outros, trarão interfaces voltadas a tablets no Android 13 (Crédito: Reprodução/Google)

A essa altura do campeonato, seria ingênuo dizer que o movimento do Google vai estimular uma Renascença dos tablets Android, com diversas fabricantes entrando novamente no mercado. Quem jogou a toalha não voltará, mas, por outro lado, consumidores de produtos das companhias que ainda insistem no formato, como Samsung e Motorola/Lenovo, serão beneficiados

Tal mudança de filosofia vai viabilizar mais aplicativos com interfaces voltadas a tablets no Android, desde que o Google se comprometa a manter o que propôs para o Android 13 nas próximas versões, e a mudança não acabe se tornando um Honeycomb 2 — A Missão.

Fonte: Ars Technica

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