Meio Bit » Mobile » Android ainda terá sideloading, mas com muitos caveats

Android ainda terá sideloading, mas com muitos caveats

Google vai afinal permitir sideloading de apps não verificados no Android, mas acesso será restrito a "usuários experientes"

30 semanas atrás

Foi-se o tempo em que o Android era sinônimo de gadget usado por nerds e fuçadores. O Google vem se esforçando para blindar cada vez mais seu sistema móvel, com a providencial ajuda de fabricantes parceiras como a Samsung, que decidiu trancar o bootloader de todos os seus dispositivos com a interface One UI 8, impossibilitando o uso de Custom ROMs como o LineageOS.

A matriz, por sua vez, se posiciona há tempos contra o uso indiscriminado do sideloading, a instalação manual de apps por fora da Play Store, tendo inclusive usado o game Fortnite como bode expiatório.

Nos últimos anos, Google passou a ver o sideloading como um problema (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Nos últimos anos, Google passou a ver o sideloading como um problema (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Recentemente, o Google estabeleceu que a partir de 2026, apps e games do Android distribuídos dentro e fora da Play Store, seja por outras lojas ou sideloading, só poderão ser instalados se seus desenvolvedores forem verificados, inicialmente para combater a proliferação de aplicações maliciosas, mas como consequência, restringirá a distribuição por meios que não o seu próprio.

Com a comunidade manifestando inevitável resistência e repúdio à medida, o Google agora mudou o tom, dizendo que o sideloading ainda será permitido a apps sem registro... com uma série de ressalvas.

Sideloading no Android permanece, mas...

O Google vê o sideloading como uma ferramenta de desenvolvimento necessária, que nunca deveria ter sido disponibilizada para uso pelo usuário comum. Como não é possível remover o recurso por completo, nem o trancar e restringir seu uso apenas por profissionais verificados, porque isso lhe renderia mais dores de cabeça com legisladores, a companhia usa outros meios para desestimular seu uso.

Um deles foi dificultar a distribuição de arquivos APK, ao criar o contêiner dinâmico AAB, que baixa apenas os binários necessários para o form factor de um dispositivo em questão, e não todos eles, que suportam uma infinidade de resoluções de tela, processadores e modems diferentes, quantidades distintas de memória RAM disponível, e por aí vai.

O AAB hoje é o formato padrão de distribuição de apps na Play Store, mas o Google permite a conversão deste em um APK, mas apenas na forma "magra", ou seja, com os binários usados pelo dispositivo de origem, enquanto o sideloading só suporta APKs "gordos", que contêm todos os dados possíveis.

Fabricantes como a Samsung também usam opções nativas em suas interfaces móveis que bloqueiam a instalação de apps por fora das lojas, sejam as suas próprias ou do Google que podem ser desligadas, o que continua sendo um movimento marginalmente alinhado com a estratégia de Mountain View.

Ainda assim, era pouco. A medida mais recente, que restringirá a instalação de apps apenas a estúdios e desenvolvedores verificados, não importando se a distribuição é feita por outras lojas, ou diretamente para instalação via sideloading, em setembro de 2026 no Brasil, Indonésia, Cingapura e Tailândia, e a partir de 2027 em mais países, mira especialmente em lojas não credenciadas como QooApp e APKPure, especializadas na distribuição de aplicações e games sem restrições de região, mas que também contornam os sistemas de pagamento das lojas oficiais.

Oficialmente o Google está combatendo malwares, mas reduzir uso do sideloading tem outros efeitos (Crédito: Reprodução/acervo internet) / android

Oficialmente o Google está combatendo malwares, mas reduzir uso do sideloading tem outros efeitos (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Paralelo a isso, o Google pode em tese se reservar no direito de conceder verificações aos estúdios e desenvolvedores que ela julgar dignos de terem acesso ao Android, principalmente por razões mercadológicas, o que poderia inclusive se desdobrar em uma cobrança de comissões mesmo sobre apps distribuídos fora da Play Store, de forma similar à Apple.

Claro que a resposta da comunidade foi a pior possível, a medida foi principalmente vista como um ataque do Google à liberdade dos usuários de usarem seus smartphones e tablets Android da maneira que acharem melhor, instalando apps que oferecem funcionalidades extras, ou que são bloqueados em suas respectivas regiões.

Essa reação fez o Google baixar o tom... mas só um pouquinho.

Via uma thread publicada no X, o presidente do ecossistema Android, Sameer Samat, explicou algumas mudanças em como o Google lidará com o sideloading no futuro. A exigência de verificação permanece, justificando-o novamente como uma proteção extra contra hackers e golpistas, que contam com o anonimato para escalar seus ataques aos usuários e ao sistema do robozinho.

Samat defende a medida como uma forma de acabar com o jogo de gato e rato, uma vez que um app ou game só terá acesso ao Android se o desenvolvedor for devidamente identificado pelo Google, e credenciado como um profissional honesto.

Ao mesmo tempo, o profissional disse que recebeu várias réplicas opostas ao bloqueio do sideloading, e mencionou dois perfis específicos, estudantes (muito provavelmente da área de desenvolvimento) que precisam da ferramenta para aprender os macetes do SO móvel, e power users que desejam ser livres para fazerem o que quiserem, mesmo que isso os exponha a riscos.

Pensando nesses perfis, Samat anunciou que estudantes e hobistas terão acesso a uma nova conta de desenvolvedor específica, que permitirá o compartilhamento de apps e games sem verificação, entre um número limitado de pessoas, mirando especificamente em familiares, amigos, professores e/ou supervisores.

Já para os power users, a regra sobre o sideloading será levemente afrouxada: usuários serão permitidos a instalarem APKs de desenvolvedores não verificados, mas o Google está criando um "meio avançado" para isso, que muito provavelmente envolve a exibição de vários alertas de segurança.

Em última análise, é bem provável que a ferramenta de desbloqueio seja jogada dentro das opções de desenvolvedor do Android, que a grande maioria dos usuários leigos não faz ideia de como ativá-las.

Idealmente o Google preferia não fazer nenhum tipo de concessão sobre o uso do sideloading por qualquer um, em um mundo ideal ele deveria ser acessível apenas a desenvolvedores, mas por ser oferecido como uma função padrão desde o início, a companhia não pode fechar a porta nem se quisesse, sob risco de ser contemplado com (mais) multas pesadas, especialmente na União Europeia.

Assim, a gigante joga com as armas que tem, como o FUD, apavorando incautos com mensagens de que instalar APKs de procedência duvidosa (leia-se, qualquer coisa que não esteja na Play Store) expõe seu gadget e dados pessoais a hackers. A outra opção é dificultar ao máximo o uso do sideloading, para que apenas usuários experientes, ou muito teimosos, continuem usando-o.

Fonte: The Verge

Leia mais sobre: , .

relacionados


Comentários