Ronaldo Gogoni 19/06/2026 às 11:00
Uma pesquisa recente revelou novos dados interessantes em defesa dos videogames: certos gêneros específicos, como os de mundo aberto e com foco na diversão e acessibilidade (leia-se para todas as idade),) levam jogadores a se sentirem menos solitários e mais preparados para os imprevistos da vida, no que títulos da Nintendo levam considerável vantagem.
Não muito tempo atrás, os games recentes da série The Legend of Zelda foram considerados capazes de deixar os jogadores mais felizes e prover um senso de ludicidade similar aos filmes do Studio Ghibli dirigidos por Hayao Miyazaki (Meu Vizinho Totoro, O Serviço de Entregas da Kiki), e a nova pesquisa aponta que eles e os games da franquia Yoshi podem ser considerados auxiliares em tratamento, mas sem substituir a terapia tradicional, claro.

Games de mundo aberto, como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, têm efeito positivo na saúde mental dos jogadores (Crédito: Divulgação/Nintendo)
Videogames frequentemente são apontados como a causa de todos os males do mundo, mas estudos vêm mostrando ao longo dos anos que eles podem auxiliar no tratamento de doenças e em fisioterapia, além de aperfeiçoar habilidades específicas e prover benefícios para a saúde mental.
O estudo publicado em 2025 revelou que pessoas que interagem com games abertos e livres, mas que não incutem um senso de urgência no jogador (o que exclui gachas como Genshin Impact, por exemplo) cultivam o senso de maravilha no indivíduo, que alteram a noção sobre o que é possível ser realizado, diante da vastidão do espaço e do tempo.
O mesmo efeito foi notado em quem assiste aos filmes mais ligados à nostalgia e tempos mais felizes do Studio Ghibli, e em ambos os casos, o jogador ou espectador é incutido com um "senso de missão", ao fazê-los imaginar que são parte de algo maior ao jogar ou assistir a uma animação. No fim, tais sentimentos levam a uma sensação de felicidade, ludicidade e admiração que muitos títulos não possuem.
O mais recente estudo (cuidado, PDF), conduzido por um time de pesquisadores da Imperial College Business School no Reino Unido, ouviu 2.252 pessoas a partir dos 21 anos sobre hábitos ao jogar, estado emocional e sentimentos de solidão. O que os cientistas notaram é que aqueles que preferiam títulos como os mais recentes da série Zelda (The Breath of the Wild e Tears of the Kingdom), ou considerados mais relaxantes e simples, como Yoshi's Crafted World, fazem com que se sintam menos isolados e solitários, quando comparados a quem não joga.

Títulos voltados a todas as idades, como Yoshi's Crafted World, também oferecem benefícios aos jogadores (Crédito: Divulgação/Nintendo)
Outro dado interessante, jogadores que consomem esses games em específico marcaram pontos mais altos em um traço psicológico referente ao estoicismo, a linha de pensamento que nos ensina a "levar a vida". O score mede o quão resiliente é uma pessoa, se ela resiste à pressão e é capaz de se adaptar a situações adversas, mantendo a compostura e uma atitude proativa.
Em suma, quem joga Zelda, Yoshi ou outros games na mesma linha não quebra tão fácil e vê a vida com otimismo, em vez de ficar se lamentando; vale notar que o mesmo efeito não é notado em quem engaja com outros gêneros, especialmente os mais dinâmicos ou os que apelam ao FOMO para esfolar a carteira do jogador.
O Dr. Andreas B. Eisingerich, professor de Marketing do Imperial Business College e um dos autores do estudo, explica:
"Ao contrário do estereótipo de que videogames são meramente uma forma de escapismo, descobrimos que jogos de mundo aberto divertidos e acessíveis (no sentido de serem voltados a todas as idades) ajudam a cultivar uma mente resiliente e estoica, além de aliviar a solidão."
Isso significa que, nesse cenário específico de auxílio no combate à solidão e formação de um caráter flexível e mais resiliente, não basta apenas jogar muito e de tudo; o mais importante aqui é escolher quais títulos são mais adequados, e aqueles que apelam para experiências lúdicas e sem urgência são mais efetivos.
Vale notar que, embora a pesquisa cite apenas duas franquias da Nintendo como especificamente benéficas, é fato que a companhia de Quioto é muito mais voltada ao lúdico e impulsionada pela missão de que games precisam ser, antes de qualquer coisa, divertidos e abertos a todo mundo, de 6 a 106 anos e para todos os gêneros, etnias, classes sociais e afins.
Por isso, da próxima vez em que você escolher um game para seu filho(a), talvez um mais adequado para sua faixa etária e mais lúdico seja não só a melhor opção por motivos óbvios, mas também porque ele ajudará na formação dos pequenos em pessoas mais preparadas para a vida e menos solitárias.
HOU, C., TAM, W., RAHMADIANTY, A. A. et al. The Effects of Open-World and Fun, Accessible Games on Perceived Loneliness and Stoicism in Adults: Cross-Sectional Survey Study. JMIR Serious Games, Volume 14 (2026), 17 páginas, 17 de junho de 2026.
DOI: 10.2196/89304
Fonte: EurekAlert!