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Resenha — Spider-Noir

Spider-Noir: uma homenagem ao cinema noir e aos quadrinhos, com detetive decadente, mafiosos e muito amor ao Aranhaverso

17/06/2026 às 17:07

Spider-Noir é um projeto da Sony que deu certo, usando a fórmula “coloca o dinheiro na mão da MGM e cale a boca, volte quando estiver pronto”, em uma aposta toda focada no ego do Nicolas Cage, que é liberado para correr solto em uma viagem completamente diferente de tudo que se refere ao Homem-Aranha. Felizmente, Cage é um nerd de responsa, ama essa bagaça e o resultado é magnífico.

A imagem apresenta uma cena dinâmica em tons de preto e branco, centrada em uma figura masculina de meia-idade a adulta, agachada sobre o topo de um arranha-céu. Ele veste um casaco longo escuro, um chapéu abaixado e luvas, com a postura sugerindo movimento rápido ou preparação para um salto. Seu rosto é coberto por uma máscara com duas lentes brilhantes e intensas, que parecem irradiar luz, criando um ponto focal claro no centro da composição. O fundo é composto por uma cidade urbana em alta velocidade, com edifícios desfocados e linhas de luz esticadas radialmente, indicando que a câmera ou o personagem está em movimento acelerado. A iluminação é dramática e contrastante, com sombras profundas nas laterais e destaque nos olhos e bordas do chapéu, criando uma atmosfera cinematográfica e tensa. A fotografia é capturada de baixo para cima, enfatizando a imponência da figura sobre a paisagem urbana. O estilo visual remete a arte conceitual ou ilustração digital realista, com foco em ação e estilo noir. Não há texto legível na imagem. A cena transmite urgência e isolamento, comum em gêneros como ficção científica ou super-heróis.

Noir and Ready! (Crédito: Divulgação/Pascal Pictures/Lord Miller Productions/Bohemian Risk Productions/Oren/Amazon MGM Studios/Sony Pictures Television)

Lançada em 2009, a mini-série em quadrinhos Homem-Aranha Noir, criada por David Hine e Fabrice Sapolsky, e desenhada por Carmine Di Giandomenico trazia uma versão alternativa do Peter Parker passada em 1933, durante a Grande Depressão.

Era um Homem-Aranha muito mais dark, lidando com gangsters e outros vilões, e violando uma das regras básicas do personagem: ele mata gente.

Esta imagem é uma página de quadrinhos em preto e branco, composta por quatro painéis que contam uma sequência narrativa. A cena principal se desenrola em um ambiente que parece ser um bar ou club de noite, caracterizado por janelas de estilo gothic e uma multidão em segundo plano. No painel superior, um homem de chapéu e terno aponta para uma mulher loira de cabelos ondulados, vestindo um vestido elegante e decote profundo; ele diz "HEY, RICK. WATCH THE LANGUAGE. WE GOT A LADY PRESENT." No painel seguinte, um homem mais jovem com terno e gravata, segurando uma taça, comenta "SOMEWHERE AROUND HERE. AT LEAST." enquanto a mulher responde "VERY FUNNY." O terceiro painel foca em um homem de perfil com bigode, usando uma camisa listrada, que observa a cena e pensa: "ALL I KNOW IS. I WISH THE SPIDER WAS STILL AROUND." O quarto e maior painel mostra uma ação dinâmica na rua: o Homem-Araanha, com seu traje clássico de aranha e capa voando ao vento, está em pleno salto, segurando duas armas de fogo. Ele avança em direção a um homem de terno e chapéu que está caindo ou sendo empurrado para trás, com uma arma apontada para o céu ao lado dele. O fundo deste painel exibe uma construção urbana com uma escada externa, e linhas de velocidade indicam o movimento rápido do herói. Os balões de diálogo no último painel revelam o pensamento do herói: "HE'D GIVE ALL THOSE CROOKS WHAT FOR." O estilo visual é monocromático, com alto contraste entre as áreas pretas e brancas, típico da arte de quadrinhos, enfatizando a ação e a expressão facial dos personagens.

Claro que Spider-Noir era em preto-e-branco (Crédito: Reprodução/Marvel Comics/Disney)

Em um multiverso de variantes e alternativas, o Homem-Aranha Noir se destaca por ter um pé bem firme na realidade, algo que funcionou muito bem na excelente série do Pinguim, que tem todo o cheiro de ter servido de inspiração, ou pelo menos validação para Spider-Noir.

O projeto da Sony/MGM+ foi ousado (e caro, as menores estimativas falam em US$ 150 milhões pelos oito episódios) ao se propor a criar uma história em estilo Noir, aquele estilo cinematográfico criado nos EUA nos anos 1940, com visual bastante inspirado no expressionismo alemão, com cenas elaboradas, contrastes fortes em preto-e-branco, com tom pessimista, protagonistas moralmente dúbios, cenários urbanos e sombrios.

Esta é uma fotografia em preto e branco de um homem adulto, provavelmente na casa dos 30 ou 40 anos, sentado à uma mesa e olhando diretamente para a câmera. Ele tem o cabelo escuro penteado para trás, com uma linha de cabelo recuada, e usa um terno de listras finas, camisa de colarinho e gravata escura. Sua mão direita segura um cigarro próximo à boca, enquanto a mão esquerda repousa sobre uma mesa de madeira polida, ao lado de uma escultura esculpida em forma de pássaro ou ave, que parece ter detalhes de rosto ou figura humana. A iluminação é lateral e forte, criando sombras marcadas no fundo e projetando a silhueta do homem e da escultura na parede atrás dele. A composição é um retrato em plano médio, focado no rosto e no tronco superior do homem, com a mesa ocupando o terço inferior da imagem. Não há texto visível na foto. O estilo visual remete a uma fotografia de estúdio clássica, possivelmente dos anos 1940 ou 1950, com alto contraste e fundo neutro e simples.

Bogart e o Falcão Maltês, a quintessência do herói — ok, protagonista — noir (Crédito: Divulgação/Warner Bros. Pictures)

O estilo se encaixou muito bem em histórias de detetive e em atores como Humphrey Bogart, em filmes como O Falcão Maltês (localizado como Relíquia Macabra no Brasil), The Big Sleep (À Beira do Abismo), Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses) e tantos outros.

É algo mais que parodiado, todo mundo reconhece o detetive com contas atrasadas, escritório deprimente e caindo aos pedaços, uma secretária fazendo mágica para manter a coisa flutuando, e a inevitável cliente femme fatale. Esse cenário é familiar a todo mundo que já viu Uma Cilada para Roger Rabbit, Eddie Valiant é a quintessência do detetive noir.

É uma trope tão forte que até no Brasil funciona, com personagens como Ed Mort e Mário Fofoca.

Nicolas Cage ama quadrinhos e ama cinema, principalmente cinema noir. Ele dublou o Homem-Aranha Noir na animação do Aranhaverso, então o convite para Spider-Noir foi mais que automático, bem como seu aceite.

Exceto que Nicolas Cage não é mais um garoto, então sua história teve que ser adaptada, e o foi, direitinho, ah, se foi.

Spider-Noir – A Premissa

Ben Reilly é um detetive particular em fim de carreira, mais endividado que o rapaz alegre na piada do Costinha. O que poucos sabem é que ele é também o Aranha, um vigilante com superpoderes que tocou o terror entre as gangues de criminosos em Nova Iorque durante os anos 1920. Ele abandonou a carreira depois que não conseguiu salvar Gwen digo, Ruby, sua noiva, morta em um atentado de um de seus inimigos.

Ele é contratado por um sujeito para investigar Cat Hardy, sua esposa, uma cantora de cabaré que aparentemente tem um caso com o prefeito.

Como sempre, nada é o que parece ser, Ben acaba se envolvendo com Cat (uma variante de Felícia Hardy, a Gata Negra, mas sem poderes aqui) e descobre que ela é uma espécie de sugar baby celibatária do Silvermane, o chefão mafioso local.

Esta fotografia em preto e branco retrata uma cena de confronto urbano noturno, caracterizada por uma atmosfera densa de neblina ou fumaça. Três indivíduos, posicionados em formação triangular, ocupam o centro da composição, com dois deles à esquerda e direita e um terceiro no centro, ligeiramente mais distante. Todos vestem casacos longos e chapéus de aba larga, e usam máscaras faciais que cobrem o rosto inteiro, exceto por duas lentes brilhantes e redondas que simulam olhos, emitindo uma luz intensa e focalizada. Cada figura segura uma arma de fogo apontada para o centro do grupo, criando uma tensão visual imediata. O cenário é um quarteirão de cidade com calçada e rua visíveis, onde um poste de sinalização de rua exibe claramente as inscrições "W 42" e "BROADWAY". A iluminação provém das próprias lentes dos personagens e de uma fonte artificial elevada à esquerda, projetando sombras duras no chão molhado ou úmido. A textura da imagem é granulada, típica de fotografia de filme antigo ou estilização de alto contraste, reforçando o clima noir e cinematográfico. A câmera está posicionada em nível dos olhos, com enquadramento que inclui as figuras até a parte inferior do corpo, destacando a simetria e a ação dinâmica do momento.

Sim, claro que os dublês iriam zoar o meme do Aranha (Crédito: Divulgação/Pascal Pictures/Lord Miller Productions/Bohemian Risk Productions/Oren/Amazon MGM Studios/Sony Pictures Television)

Silvermane tem capangas com superpoderes, inclusive Flint Marko, o Homem-Areia, e com o passar da história outros da galeria de vilões do Aranha aparecem, incluindo o raro Megawatt, mas apesar de boas cenas de combate e do Spider-Noir usar bastante suas teias orgânicas, o foco não é a parte super.

Spider-Noir é uma clássica história de detetive, com traições, reviravoltas, femme fatales, carros antigos, chuva e Nova Iorque. Apesar dos passeios de teia entre os arranha-céus, é uma história bem pé-no-chão, o (ok, um) Aranha enfrentando bandidos comuns (e seus vilões de sempre), como parte dos heróis do dia a dia como Demolidor, Punho de Ferro e Luke Cage.

Spider-Noir Em Cores!

Quando começaram a produzir a série, Nicolas Cage lembrou que o Jovem™ tem ojeriza a filmes preto-e-branco, e seria interessante fazer uma versão colorida da série. Só que há um problema. Transformar uma imagem em preto-e-branco não é tão simples quando reduzir a intensidade das cores no Photoshop.

A imagem apresenta um close-up de uma mulher de pele clara, posicionada em primeiro plano e voltada para o lado direito do quadro, com uma expressão facial séria e olhar fixo. Ela possui cabelo escuro preso em um penteado volumoso e elaborado, com mechas soltas caindo sobre o ombro esquerdo. Um acessório dourado, formado por raios longos e finos que lembram um halo ou sol, está posicionado atrás da cabeça, criando um efeito visual marcante. A iluminação é quente e direcionada, destacando o rosto e os ombros, enquanto projeta sombras suaves no fundo e na parte inferior do corpo. Ela veste um top ou vestido de cor dourada com detalhes geométricos e bordados visíveis na parte superior. Ao lado direito da composição, em segundo plano, encontra-se um microfone clássico com grade redonda e haste fina. O fundo é composto por tons escuros e difusos, com faixas de luz avermelhada e dourada sugerindo um ambiente de palco ou estúdio. A fotografia tem estilo cinematográfico, com foco seletivo na modelo e profundidade de campo reduzida. O texto presente é limitado ao logotipo do microfone, que parece conter uma figura estilizada, mas sem letra legível. A composição é assimétrica, com o corpo da mulher ocupando a esquerda e o microfone equilibrando a direita, criando um enquadramento dinâmico e teatral.

A quase Gata Negra, uma japinha* de respeito (Crédito: Divulgação/Pascal Pictures/Lord Miller Productions/Bohemian Risk Productions/Oren/Amazon MGM Studios/Sony Pictures Television)

*EU SEI

O filme preto-e-branco “converte” as cores originais em tons de cinza, mas não é uma conversão intuitiva. Cores próximas se mesclam no mesmo tom de cinza, e a tendência é as imagens ficarem lavadas.

Isso fica evidente na maquiagem. Um batom vermelho-sangue fica clarinho no preto-e-branco. Sombras e bases desaparecem, mesmo que ao vivo em cores a maquiagem esteja perfeita. O cinema aprendeu e desenvolveu técnicas para lidar com isso, e o resultado parece até exagerado para quem está de fora.

Os contornos são realçados com delineador verde ou azul, batom é verde, todo mundo fica parecendo filho do Coringa, mas no preto e branco, o resultado é ótimo.

Os cenários também têm esse tipo de contraste, e em cores se pareceriam com uma penteadeira de dama que troca favores por dinheiro.

Dinheiro, aliás, foi a solução. Usaram um caminhão de dólares para pesquisar um meio-termo de maquiagem, cenários e cores para que fosse mantido o estilo visual do filme noir, e o colorido menos carnavalesco. O resultado foi batizado de “True-Hue Full Color”, e ficou igualmente lindo.

Conclusão:

Spider-Noir é uma linda homenagem aos filmes noir e uma declaração de amor aos quadrinhos, um raro caso em que todos os envolvidos amam seu trabalho e o material original, só comprovando que o Aranhaverso ainda tem muita história para contar.

Menos a Saga do Clone, pulem a Saga do Clone!

Cotação:

5/5 Ilsas

Onde assistir:

O seriado do personagem da Marvel, hoje da Disney, sob controle criativo da Sony Pictures, pode ser assistido na Amazon, logicamente.

Trailer:

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