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El Camino: o filme de Breaking Bad é necessário? – Resenha

Nossa resenha sobre El Camino, o filme que mostra o que acontece com Jesse Pinkman logo depois do final da incrível e sensacional série Breaking Bad

16/10/2019 às 12:56

Esta é uma resenha do filme El Camino da Netflix, que continua a história imediatamente após o final de Breaking Bad, e pode e deve ser encarado como um presente para os fãs da série, mais do que um longa metragem. Essa resenha, assim como o filme, não faz o menor sentido para quem não assistiu a série na íntegra, e assim quem não quiser spoilers do final da série deve parar de ler este texto agora.

Aaron Paul em cena de El Camino, filme spin-off de Breaking Bad

Breaking Bad é uma das minhas séries favoritas de todos os tempos, e é considerada por muitos como a melhor série já criada. Mas será que contar essa história era algo realmente necessário? Na sua essência eu diria que não, mas a verdade é que a viagem em si já é algo muito agradável para os fãs da série.

A minha resenha sobre o filme terá algumas críticas que julgo pertinentes, mas isso não quer dizer que eu não tenha gostado do filme, muito pelo contrário.

El Camino, ou melhor, o caminho de Jesse Pinkman

Em primeiro lugar, preciso dizer que adoro todo o conceito por trás de El Camino e adoro as histórias no universo de Breaking Bad, tanto que Better Call Saul é uma das séries em andamento que mais gosto. O meu maior problema com El Camino é justamente esse, a minha expectativa pro filme era imensa, pois eu me acostumei a esperar sempre mais de Vince Gilligan. Afinal, ele nos mostrou em suas séries anteriores tudo o que é capaz de realizar.

Como fã de carteirinha de Breaking Bad, eu sou o público alvo perfeito do novo filme de Vince Gilligan, mas preciso ter o distanciamento para dizer que El Camino, em sua essência, não era um filme necessário, como o meu amigo Dave Winer comentou em sua resenha. Em outro texto sobre o filme, ele comentou algo que acredito que foi certeiro: El Camino "não é realmente Breaking Bad, é um filme de duas horas com os personagens de Breaking Bad".

Quem concorda comigo e com o Dave é o próprio Vince Gilligan, que em uma entrevista à Rolling Stone, disse que "o filme não é necessário", e que é "um presente aos fãs de Breaking Bad." Se for visto por este prisma, El Camino funciona perfeitamente bem, então é assim que passei a encarar o este filme, pois por si só, a trama simplesmente não funciona tão bem quanto poderia.

Pelo último trailer e pelo próprio nome do filme, achei que seria um filme de fuga no carro de mesmo nome, mas com o perdão do trocadilho, o caminho escolhido por Vince Gilligan foi bem diferente. O filme então passa a ser uma gincana para resolver a questão financeira de Jesse, o que é interessante, mas não chega a ser o suficiente para transformar El Camino no que ele poderia ser.

Aaron Paul em cena de El Camino, filme spin-off de Breaking Bad

Muitos se questionam se Jesse Pinkman realmente merecia esta redenção. Pra mim, não tem a menor dúvida, o personagem merecia sim e muito. Com todos os seus defeitos e pecados, Jesse não chega nem perto da maldade exibida por Walter White ao longo da série e merecia o seu final feliz, e El Camino mostra como ele consegue chegar até lá.

É um prazer para os fãs saber o que acontece com Jesse depois do final da série, e o filme é realmente um presentão para nós, mas sinceramente já acho que Breaking Bad termine de uma maneira perfeita. A grande questão é que pelo menos pra mim ele já tinha tido seu final feliz.

Eu pelo menos nunca tive a menor dúvida de que Jesse iria escapar das autoridades e conseguiria viver o resto de sua vida em algum lugar tranquilo, então embora seja bem legal assistir como ele conseguiu, essa certeza intrínseca de que ele iria conseguir escapar é algo que faz todo o caminho do filme perder um pouco da força, pelo menos na minha humilde opinião.

Descanse em paz, Robert Foster

Robert Foster em cena de El Camino

El Camino acabou marcando a despedida do queridíssimo ator Robert Foster, que foi indicado ao Oscar por sua magnífica interpretação de Max Cherry em Jackie Brown, terceiro filme de Quentin Tarantino.

As cenas de Robert Foster estão entre as melhores coisas de El Camino, e por ironia o filme foi lançado exatamente no dia da morte do ator. No longa de Vince Gilligan, Robert Foster repete o papel de Ed, que ele já tinha vivido em um episódio da quinta temporada de Breaking Bad, e que representa a esperança de salvação para Jesse, desde que ele consiga juntar o dinheiro necessário, já que pediu e não usou os serviços dele no passado, quando Saul Goodman resolve partir para fugir do terrível final que esperava a maioria dos personagens da série.

Robert também é um ator que sabia muito bem escolher os seus papeis. Depois de ter trabalhado com David Lynch em Cidade dos Sonhos, ele teve um papel de destaque em Twin Peaks: O Retorno, uma das melhores experiências cinematográficas/televisivas dos últimos anos. Seu próximo projeto era Amazing Stories que Steven Spielberg está produzindo para a Apple.

Robert Foster é um ator que vai fazer muita falta em Hollywood. Descanse em paz, e muito obrigado por tudo!

Minha conclusão sobre El Camino

Visualmente, El Camino é perfeito, com direção, fotografia e edição perfeitas, em harmonia total, algo que já estávamos acostumados com o altíssimo nível técnico na produção de Breaking Bad. O filme impressiona pela sua beleza e também pela presença de vários atores da série, a maioria em flashbacks. Em alguns momentos tive a sensação de que estamos diante de um álbum de figurinhas que precisava ser completo.

Aaron Paul e Jonathan Banks em cena do filme que dá sequência a Breaking Bad

É como se eu estivesse ouvindo o disco de uma banda que amamos e que fez muito sucesso, e que em sua volta grava um álbum novo com o mesmo estilo, mas sem a mesma essência. Não é que o filme não tenha alma, ele tem sim, só não se está no mesmo nível ao ser comparado com o ritmo e principalmente com a criatividade dos últimos episódios da série.

Como sempre, eu não pretendo ser o dono da verdade, essa é só uma opinião pessoal mesmo, já conversei com amigos inteligentes que amaram o filme de paixão, e eu juro que entendo perfeitamente todos os seus motivos, e se você gostou, comente dizendo o que esse filme significou pra você.

De qualquer forma, entre erros e acertos, El Camino acaba se salvando, assim como seu protagonista. No final das contas, vemos dois grandes potenciais a serem explorados: o futuro de Jesse Pinkman em sua nova vida e a carreira de Vince Gilligan como cineasta, se ele tiver gostado da nova experiência. Até a próxima resenha!

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