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Indies temem ser eclipsados após Microsoft comprar Activision

Com mais jogos de grande porte chegando ao Game Pass, alguns desenvolvedores indies estão preocupados em perder visibilidade no serviço

26 semanas atrás

O anúncio de que a Microsoft está comprando a Activision Blizzard foi visto como uma ótima notícia para todos que assinam o Game Pass. Com a iminência dos jogos da editora serem disponibilizados no serviço, isso deverá torná-lo ainda maior e mais atraente, mas existe uma categoria de desenvolvedores que tem demonstrado preocupação com a novidade, os indies.

Sem o Game Pass, Boyfriend Dungeon poderia nem existir (Crédito: Divulgação/Kitfox Games)

Nos dando acesso a centenas de jogos e sendo bastante elogiado por oferecer alguns deles no dia em que são lançados, o Game Pass também se tornou uma bela vitrine para títulos de menor porte. São criações a quais muitas pessoas não dariam uma chance se tivessem que comprá-las, mas que por estarem disponíveis no catálogo, acabam conquistando vários admiradores.

No entanto, sabemos que boa parte dos jogadores estão mais interessados nas grandes produções, os chamados jogos AAA e se um serviço como o Game Pass estiver abarrotado com títulos desse calibre, será que os indies não terão uma maior dificuldade em serem descobertos?

Pois é justamente esse o temor que tem rondado diversos desenvolvedores menores, como é o caso da criadora do Boyfriend Dungeon, Tanya Short. Segundo ela, hoje os indies já buscam evitar janelas de lançamentos tradicionalmente movimentadas, como o fim de ano. São nesses períodos em que os maiores jogos costumam sair, mas com uma gigante como a Activision Blizzard chegando ao Game Pass, é possível que não sobre muito espaço para os pequenos.

Para a game designer, “talvez [os jogos AAA] dominem o resto do ano e então, o que faremos?” Algo que pode ajudar a agravar o problema é uma quantidade maior de pessoas aderirem ao Game Pass, já que isso poderia significar que muitos só passariam a ter acesso a jogos dessa maneira. De certa forma, seria uma situação parecida com a enfrentada por alguns artistas no Spotify.

Replaced - Jogos Indies

Replaced, um indie que contou com o apoio da Microsoft (Crédito: Divulgação/Sad Cat Studios)

Já na opinião de Yura Zhdanovich, fundador da Sad Cat Studios e que tem atualmente trabalhado no desenvolvimento do Replaced, a maneira como a Microsoft os tem ajudado deve ser elogiada. Com o jogo estando previsto para chegar ao Game Pass ainda este ano, por enquanto a parceria tem funcionado bem, mas nem isso tem lhe impedido de imaginar que, conforme jogos maiores forem chegando ao serviço, os indies acabem perdendo esse suporte.

Mas além de terem que lidar com os Golias que estão se tornando cada vez mais comuns no Game Pass, esses Davis ainda poderão se ver numa verdadeira sinuca de bico. Seguindo a linha de raciocínio de Tanya Short, Piers Harding-Rolls, que trabalha para a Ampere Analysis, disse acreditar que se mais jogadores se tornarem assinantes e deixarem de comprar jogos, fazer parte do catálogo de algum serviço como esse poderá se tornar um movimento quase obrigatório.

É concebível que os jogos indies fora desses serviços possam perder engajamento conforme os assinantes foquem a maior parte de suas atenções em jogos que eles podem acessar gratuitamente dentro do serviço.

A situação se torna ainda pior quando sabemos que, segundo um relatório divulgado pela VG Insights, mais da metade dos jogos indies disponíveis no Steam nunca venderam mais do que US$ 4 mil. E para Jake Simpson, do TNB Studios, esse é um problema difícil de resolver, já que “as pessoas estão preparadas para gastar US$ 1 mil em um telefone e ficam muito ofendidas se você pede para elas pagarem US$ 4,99 em um jogo.

Game Pass: jogos para todos os gostos (Crédito: Divulgação/Microsoft)

Do lado da Microsoft, a vice-presidente de ecossistema de jogos na divisão Xbox afirmou que eles “estão comprometidos em investir em desenvolvedores indies e continuarão fazendo isso à medida que o serviço cresce.

Sarah Bond defendeu que o Game Pass pode ajudar esses jogos de menor porte justamente por permitir que um número maior de pessoas os experimentem e eventualmente buscando outros com um estilo parecido. Segundo ela, 60% das pessoas que deram uma chance ao Human Fall Flat nunca tinham jogado um puzzle e dessas, 40% depois acabarem adquirindo um título do gênero.

Com o número de assinantes do Game Pass tendo ultrapassado a marca de 25 milhões, a verdade é que ainda é muito cedo para sabermos como um serviço assim impactará a indústria. Por enquanto, o que temos visto é uma legião de consumidores comemorando a maior facilidade de acesso a uma enorme quantidade de jogos e num país onde um lançamento pode passar facilmente dos R$ 300, aderir ao que é oferecido pela Microsoft se tornou quase uma necessidade.

Enquanto isso, do outro lado deste muro temos as empresas que ainda estão explorando o terreno, com algumas delas mostrando insatisfação com o retorno alcançado e muitas outras aproveitando a maior visibilidade dada pelo Game Pass.

Os indies por sua vez parecem ter motivo para se preocupar. Mesmo com várias centenas de títulos sendo oferecidos pelo serviço atualmente, apenas alguns foram criados por estúdios independentes e destacar-se já tem se mostrado uma tarefa complicada. Pode ser que esse temido “soterramento” até sirva para incentivar a criatividade dos desenvolvedores e assim eles consigam um maior destaque, porém, pode ser que usar o Game Pass como forma de divulgação deixe de ser algo tão atraente.

Fonte: BBC

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