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Almirante Kuznetsov, porta-aviões zicado da Rússia agora resolveu pegar fogo

O Almirante Kuznetsov é maior, mais poderoso e único porta-aviões da Rùssia, e é azarado demais. Agora ele resolveu pegar fogo durante uma reforma.

16 semanas atrás

Histórias navais não faltam, mas de todos os casos, tirando o Bateau Mouche, o Almirante Kuznetsov é a embarcação mais azarada da atualidade, mas navios agourentos não são nada inéditos, marinheiros desde tempos imemoriais acumulam superstições que podem tornar um navio azarado. De ter mulheres a bordo a rebatizar o navio, mas algumas vezes o azar é inegável e antes do zicado Kuznetsov, vamos falar de um navio muito, muito mais azarado.

Esse é o lmirante Kuznetsov, ANTES do incêndio.

Esse é o Almirante Kuznetsov, ANTES do incêndio.

O navio em questão é o famigerado USS William D. Porter, um destróier que foi ao mar em 1943. Ele tinha o dom de estar no lugar errado na hora errada, incluindo quando foi selecionado para uma missão secreta e durante as manobras de partida sua âncora atingiu outro navio da esquadra, destruindo várias áreas, incluindo o Iate do Capitão.

A missão secreta era escoltar o encouraçado Iowa, que levava o Presidente Franklin D. Roosevelt, o Secretário de Estado e vários oficiais do Estado-Maior, para uma reunião igualmente secreta na África. A Força-Tarefa navegava em estrito silêncio de rádio, então ninguém soube o que aconteceu no meio da noite, quando ouviram uma enorme explosão. Os navios começaram a fazer manobras evasivas, até o William D. Porter comunicar via sinais visuais que uma onda derrubou no mar uma carga de profundidade, que sabe-se lá porque estava armada.

Passa-se mais um tempinho, a viagem começa a ficar entediante, alguém sugere e Roosevelt gosta da ideia; balões meteorológicos são soltos, para simular alvos e o Iowa demonstra sua capacidade antiaérea derrubando os bichos. O William D. Porter se junta à brincadeira quando alguns balões começam a vir em sua direção.

O Capitão, aproveitando o momento, inicia um treino de lançamento de torpedos, usando o Iowa como alvo. O que ele não sabia é que um dos marinheiros iria se confundir e ao invés de botar os comandos em posição de treino, configurou à Vera. Tudo alinhado, a ordem de disparo foi seguida de um torpedo sendo lançado em direção ao navio com o Presidente dos Estados Unidos.

Todo mundo correndo pra atualizar o currículo no Linkedin, certo? Não necessariamente, durante treinos os torpedos têm removida a espoleta, que detona a carga principal de 250 quilos de explosivos. O torpedo atingiria o Iowa, faria talvez um amassado no casco, e só. Exceto que o marinheiro responsável esqueceu de remover a espoleta do torpedo durante o exercício.

Isso mesmo: O destróier americano lançou um torpedo armado contra o navio levando o POTUS.

Como estavam navegando em estrito silêncio de rádio, o William D. Porter tentou usar faróis de sinalização, mas apontou pro lado errado, depois errou a mensagem e só quando a situação estava ficando periclitante o Capitão decidiu quebrar o silêncio, e transmitir o alerta via rádio mesmo.

O Iowa entrou em postos de batalha, motores acelerados ao máximo, manobras evasivas e por sorte, muita sorte o torpedo detonou nas ondas geradas pelas manobras bruscas do Iowa.

Depois disso o encouraçado apontou as armas para o destróier, temendo que o incidente fosse parte de um plano para assassinar o Presidente. A tripulação toda foi presa, foram enviados para as Bahamas, onde um rigoroso inquérito identificou o marinheiro que esqueceu de remover a espoleta, e ele foi condenado a 14 anos de trabalhos forçados, mas Roosevelt, sempre gente-boa baixou um perdão presidencial pra todo mundo.

Nas Aleutas, um marinheiro sem noção disparou sem querer o canhão de cinco polegadas do navio, o projétil foi cair no quintal do comandante da Base.

Mais tarde, com Capitão Novo o William D. Porter participou da Batalha de Okinawa, em junho de 1945, quando derrubou vários aviões inimigos e pelo menos três da Marinha dos Estados Unidos, provando mais uma vez que não existe fogo amigo. AH sim, eles também atingiram sem querer o USS Luce.

O grande azar ocorreu quando um kamikazi, carregado de explosivos, tentou atingir um navio próximo, errou, caiu na água, no caminho do William D. Porter. Quando passavam por cima do avião, a carga do kamikazi explodiu, levantando o Porter no ar.

Depois de três horas tentando salvar o Porter, o Capitão deu ordem de abandonar o navio. 12 minutos depois tudo estava acabado, e o Porter afundou, mas ironicamente toda a sorte que ele não usou durante sua vida, foi usada naquele momento. NENHUM dos homens a bordo foi perdido.

E o Almirante Kuznetsov?

Ah, esse é outro navio zicado. Ele tem 34 anos de idade, foi construído ainda no tempo da União Soviética, quando os russos não sabiam (e ainda não sabem) construir porta-aviões. Neste artigo aqui eu detalho a capivara do Almirante Kuznetsov, mas basta dizer que ele tem motores tão descompensados que ao invés de radar basta um detector de fumaça para identificá-lo.

Ah sim em 2009 ele também pegou fogo:

Ele é tão pouco confiável que só viaja com um rebocador de alto-mar acompanhando, não é questão de se, mas quando ele vai quebrar.

A Zica vale até no porto, no final de 2018 uma doca flutuante afundou, um guindaste gigantesco caiu em cima do Kuznetsov, causando danos extensos. Agora, isto:

Em 12 de dezembro de 2019, durante trabalhos de soldagem, algo pegou fogo e o Almirante Kuznetsov foi engolfado por fumaça.

Segundo a Agência TASS, até agora o saldo é de um morto, 10 feridos e seis na UTI. Aparentemente não há risco estrutural para o navio, mas conhecendo os russos, tudo é possível. Resta saber se mais esse revés será entubado, ou Putin vai aceitar que russos e porta-aviões não se dão bem e se concentrar em renovar a frota de submarinos, essa sim uma força respeitável.

 

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