Meio Bit » Engenharia » Trump anunciou uma frota de Encouraçados. É uma ideia Idiota?

Trump anunciou uma frota de Encouraçados. É uma ideia Idiota?

Trump quer revolucionar a Marinha com encouraçados modernos. Seria inovação ou delírio? Descubra os detalhes e polêmicas!

22 semanas atrás

Em uma fala dia 22/12/2025, Donald Trump revelou seus planos para a Frota Dourada, a reconstrução da Marinha Americana, com direito a uma nova classe de Encouraçados. Vamos conhecer esses navios, descobrir se faz sentido existirem nos tempos atuais, e se a proposta do Trump sequer se refere a eles.

USS Missouri. Dizem que a comida a bordo é muito boa, principalmente os bolos recheados (Crédito: US Navy)

O conceito de encouraçado surgiu em 1906 com o lançamento do HMS Dreadnought, um monstro de 160 metros de comprimento e 18000 toneladas, orgulho da Marinha Inglesa.

O encouraçado foi planejado como um navio com uma quantidade absurda de armamento de grosso calibre, capaz de enfrentar uma esquadra inimiga atingindo-a antes que ela tivesse como responder fogo, pois o alcance dos canhões do encouraçado seria bem maior.

Um encouraçado tem um casco especial para deter torpedos, e uma blindagem extremamente espessa. O HMS tinha 30cm de aço no casco. Na Segunda Guerra Mundial os encouraçados classe Yamato tinham blindagem de 66cm nas torres de canhões.

A imagem mostra uma escultura de metal, com aparência rústica e desgastada, instalada ao ar livre em um ambiente que parece ser um parque ou praça pública.O objeto principal é uma estrutura volumosa, predominantemente escura — provavelmente feita de aço enferrujado ou concreto corroído — cuja superfície está profundamente danificada. Há grandes fissuras, como se o material tivesse sido arranhado ou “despedaçado” por forças externas; partes da estrutura parecem estar separadas ou soltas, formando formas orgânicas e fragmentárias. A textura do metal revela camadas de ferrugem e oxidação, especialmente nas áreas expostas à luz solar e ao tempo. Um grande orifício irregular atravessa a peça central, dando-lhe um aspecto quase biológico ou caótico. Esta escultura repousa sobre um pedestal simples, também de concreto ou pedra, com fendas verticais visíveis na sua face frontal. O pedestal apresenta sinais de deterioração: manchas avermelhadas indicam corrosão, talvez causada pela água ou exposição prolongada aos elementos. Ao fundo, observa-se vegetação verdejante (árvores), bancos de madeira para sentar, pessoas relaxando no parque, incluindo uma mulher vestindo blusa azul sentada num banco, e até parte de um carro estacionado. Uma bicicleta também aparece no canto direito da cena. A iluminação natural sugere um dia ensolarado, projetando sombras suaves sobre os objetos e realçando as rugosidades da obra. Embora a escultura tenha um visual destrutivo ou "esmagador", ela transmite uma sensação de força e presença, bem como crítica social ou artística, dependendo do contexto histórico da instalação. Em resumo, trata-se de uma obra de arte urbana contemporânea, provocativa, que interage com seu entorno público através de materiais aparentemente descartados ou envelhecidos, gerando reflexões sobre decadência, transformação, resistência ou mesmo sobre a natureza humana.

Blindagem da torre de um encouraçado Classe Yamato (Crédito: Museu Naval, Washington)

A foto acima é de uma placa de blindagem do encouraçado IJN Shinano, que não chegou a ser terminado. A placa foi levada para os EUA e testada. Em condições ideais, um projétil de 16 polegadas conseguiu perfurar a blindagem, mas dificilmente se encontram condições ideais em combate.

Em teoria um encouraçado deve ser auto-suficiente, contra alvos marítimos e aéreos. O Yamato chegou a ter 24 canhões de 127mm e 162 canhões de 25mm, e não foram o suficiente para evitar que a aviação naval americana selasse seu destino, mas não nos adiantemos.

A superioridade dos encouraçados ficou evidente na Batalha do Estreito da Dinamarca, quando os encouraçados britânicos HMS Hood (orgulho da Marinha Real, mas já obsoleto) e o novo encouraçado HMS Prince of Wales deram caça ao Bismarck, o recém-lançado encouraçado alemão de 50 mil toneladas.

Com a missão de atacar os comboios do Atlântico, o Bismarck seria mortal, os aliados não tinham nada capaz de detê-lo, então era essencial evitar que ele chegasse a seu destino.

O Bismarck. Para saber mais, clique aqui (Crédito: Domínio Público)

Na manhã do dia 24/5/1941, o Bismarck foi avistado, a 24Km de distância, e tiros foram disparados. No papel o Hood tinha o mesmo armamento do Bismarck, 8 canhões de 380mm, mas o Hood era 10 mil toneladas mais leve, o que significava menor blindagem. O convés do Bismarck era protegido por 120mm de aço. O do Hood, apenas 76mm.

A tecnologia do Bismarck era de ponta, com sistemas de controle de tiro bem melhores. Isso ficou evidente quando com menos de dez minutos de conflito, o Bismarck acertou um único tiro, direto no convés do HMS Hood, atingindo um depósito de munição, o que resultou em uma violentíssima explosão. Em três minutos o HMS afundou. Dos 1418 homens a bordo, três sobreviveram.

O destino do Bismarck, entretanto, não foi glorioso. Meio danificado pelo Prince of Wales, ele tentou retornar ao porto, mas foi perseguido pela frota inglesa, sofrendo danos severos da aviação naval, com torpedos lançados por biplanos Swordfish, já comicamente obsoletos, demonstrando que a Era dos Encouraçados havia terminado.

Durante o ataque a Pearl Harbour os poderosos cruzadores da esquadra americana foram alvo fácil para a aviação japonesa; oito afundados ou severamente danificados, milhares de mortos. Dos 353 aviões japoneses, 29 foram perdidos.

Funcionando dos dois lados, no final da Guerra os invencíveis encouraçados Musashi e Yamato foram afundados pela aviação americana, a artilharia antiaérea de época era ineficiente demais.

O Yamato foi afundado apenas temporariamente (Crédito: IJN)

Do outro lado, a vantagem do encouraçado, de poder atingir alvos distantes em terra, perdeu seu sentido com a introdução dos porta-aviões, com muito mais alcance e precisão. Os encouraçados foram aos poucos sendo aposentados.

Navios como o Iowa (descomissionado em 1949 e reativado em 1951) serviram na Guerra da Coréia, nas condições de total superioridade aérea e sem marinha inimiga.

O USS Missouri foi lançado no finalzinho da Guerra, junho de 1945, serviu na Guerra da Coréia, e foi descomissionado em 1958, sendo reativado e modernizado em 1984. Durante a Operação Tempestade no Deserto (1991) ele disparou 783 tiros de seus canhões de 16 polegadas, e lançou 28 mísseis Tomahawk.

Ele foi descomissionado em 1992, voltando ao serviço brevemente em 2012, enfrentando uma ameaça alienígena no Havaí.

O Fim dos Encouraçados

A doutrina naval do pós-guerra (ao menos de quem tinha dinheiro para isso) era toda voltada para porta-aviões, os navios existiam para protegê-los, todo o ataque a longa distância era feito por meios aéreos, e mais tarde por mísseis. Os encouraçados não eram bons combatendo ataques aéreos, e nenhum navio chegaria perto o suficiente para ser atacados.

Durante a Guerra do Golfo alguns encouraçados foram recomissionados, era um caso excepcional, os Aliados tinham total superioridade aérea, e havia alvos em terra ao alcance das poderosas armas do Winsconsin e do Missouri, mas depois disso nada justificava o custo operacional de manter encouraçados na ativa.

Hoje em dia um encouraçado seria um alvo fácil para mísseis antinavio, e precisaria de escoltas para se defender, escoltas essas que deveriam proteger os porta-aviões. No modelo de guerra atual, não há lugar para encouraçados.

Exceto que o Ghoul de Fallout está errado, a guerra muda.

A Frota Dourada e os Delírios de Donald Trump

Em 22/12/2025 Donald Trump anunciou seus planos para revitalizar a indústria naval americana, que está realmente bem negligenciada, construindo um destróier ou outro, com cancelamentos sucessivos e sem grandes planos, enquanto a China tem uma linha de montagem de porta-aviões e solta navios como quem produz caixa de fósforo.

O primeiro navio do novo programa é a fragate FF(X), que substituirá a cancelada classe Constellation. Sendo bem direto, é um navio que ninguém pediu, e que não serve a nenhum propósito real.

Isso não é novidade para a Marinha, eles vivem sendo forçados a operar navios sem propósito, por imposição de políticos. Um bom exemplo são os LCS, navios de combate litorâneo, feitos de alumínio e reconhecidamente de “baixa capacidade de sobrevivência”. Depois de inúmeros atrasos e estouros de orçamento, os navios foram construídos, e problemas diversos apareceram, como corrosão excessiva.

USS Independence, um LCS (Crédito: US Navy)

Outros, com o USS Zumwalt, viraram um elefante branco. Cheio de promessas, o Zumwalt tem seu canhão principal inutilizado pois a munição para ele ficou cara demais e resolveram não construir. A ideia de um navio modular onde unidades padronizadas seriam trocadas para diversas missões? Também foi descartada.

Críticos apontam que por não ter um lançador vertical integrado, a nova fragata não carregará mísseis de longo alcance. Também não tem um sistema de defesa aérea integrado, nem capacidade de guerra antisubmarino.

Alguns dizem que é um barco da Guarda Costeira pintado de cinza, ótimo para perseguir barcos de traficantes e pescadores ilegais, mas totalmente inadequado para combater uma ameaça chinesa.

SE sair do papel em 2028 (spoiler: Não vai) a FF(X) será um beco-sem-saída, com zero capacidade de ser aprimorada futuramente. É um caso clássico de “só pra dizer que tem”

Finalmente, o Encouraçado

Trump escolheu o nome, Encouraçado, ou Battleship no original, passa toda uma imagem de poder e domínio dos mares, e os críticos estão caindo em cima, pelos motivos supracitados, mas isso é injusto.

Apesar do nome, o encouraçado de Trump não é um encouraçado tradicional, foi concebido como uma unidade autosuficiente, com capacidade nuclear explícita, se tornando a quarta perna da Tríade Nuclear.

O tal encouraçado Trump (Crédito: POTUS)

Com 40 mil toneladas e 268 metros, será o maior navio de guerra do mundo, fora os porta-aviões. Aliém de 12 células para mísseis CPS (com capacidade de atingir qualquer ponto do mundo) ele terá 128 células VLS Mk 41, para mísseis convencionais, além de mísseis de defesa.

Parece muito, mas um cruzador classe Ticonderoga leva 122 células VLS.

Os melhores armamentos do encouraçado do Trump são os que não existem, ele em teoria será equipado com lasers ODIN, sistemas anti-drones e railguns, capazes de lançar projéteis hipersônicos.

A Marinha dos EUA havia abandonado o projeto de railguns, mas depois que China, Japão e outros começaram a pesquisar a tecnologia, o interesse foi reacendido. Ainda não resolveram o principal problema, o desgaste extremo dos canos dos canhões, que não resistem a mais de algumas dúzias de disparos, e a energia de 32 megajoules por disparo não é fácil de ser gerada ou armazenada.

A imagem mostra um navio de guerra moderno, provavelmente uma embarcação da classe Arleigh Burke ou similar, posicionado no oceano sob um céu parcialmente nublado e com a bandeira dos Estados Unidos hasteada na sua superestrutura. O foco principal é um sistema de armamento de grande porte instalado em primeiro plano: dois canhões de alta tecnologia, possivelmente sistemas de mísseis ou arma de defesa antimissil (como os lançadores de misseis "Phalanx" ou similares), que estão apontados para fora do quadro à direita. Os tubos são longos, robustos e apresentam detalhes metálicos escuros; dentro das câmaras de disparo há luzes azuis intensas e brilhantes, sugerindo que o sistema está ativo, preparado ou em funcionamento — talvez mesmo prestes a disparar. As estruturas do navio exibem design angular e aerodinâmico típico de embarcações contemporâneas, com várias antenas esféricas e cilíndricas dispostas sobre a superestrutura central, indicando sensores avançados como radar e sistemas de detecção eletrônica. A proa do navio está visível ao fundo, com vários membros da tripulação observando as operações. Ao redor do tirocador, vê-se equipamentos auxiliares, cabines de controle, cordões de segurança e elementos de manutenção. O convés parece estar limpo, mas com sinais de uso intenso – marcas de desgaste nas superfícies metálicas. No horizonte, o oceano se estende até onde a linha entre terra e céu pode ser discernida, criando uma atmosfera imponente e militarizada. Sobre o convés, alguns soldados ou oficiais parecem estar alertas, olhando fixamente para frente ou monitorizando os sistemas. A iluminação natural sugere um dia claro, embora algumas nuvens estejam presentes, conferindo profundidade à cena. O tom geral da fotografia tem cores frias e cinzentas, reforçando o clima técnico e sério do ambiente naval. Essa imagem evoca poder, precisão e capacidades militares avançadas, típicas de filmes de ficção científica ou documentários especializados sobre forças marinhas modernas. É possível que seja uma cena de filme, dado o estilo visual dramático e a presença de elementos ficticios como os raios azuis emitidos pelos canhões.

Railguns, por enquanto, só na ficção (Crédito: Reprodução/DreamWorks Pictures/Paramount Pictures/Di Bonaventura Pictures/Hasbro)

Resolvidos esses problemas, o encouraçado do Trump terá um canhão usando tecnologia Railgun, capaz de disparar um projétil de 20Kg de tungstênio a uma velocidade de Mach 7.5, e alcance de 200Km.

Esse projétil não leva carga explosiva. Não precisa, a energia cinética do impacto equivale a 16Kg de TNT.

Outra vantagem é o custo. US$25 mil por disparo, a maior parte disso o custo do projétil, versus US$2 milhões por um míssil Tomahawk.

A utilidade do Encouraçado

A logística e o custo de manter um grupo de ataque de porta-aviões são imensos, e com conflitos regionais fica complicado “marcar presença” em todos. Um encouraçado capaz de se proteger sem precisar de uma esquadra inteira, veloz, podendo se deslocar para teatros operacionais rapidamente, é uma arma interessante.

Um encouraçado desses pode se posicionar em uma zona contestada, afugentar drones aéreos e marítimos, controlar rotas marítimas e destruir alvos em terra, a uma fração do custo de uma operação com porta-aviões.

Com um hangar amplo, o Encouraçado poderá levar helicópteros e aeronaves Osprey, para patrulhas marítimas de longo alcance, servindo inclusive como aviões-radar. Forçando um pouco dá até pra imaginar alguns F35-B de decolagem vertical sendo levados no Encouraçado.

Números e Delírios

Donald Trump, com seu estilo... peculiar, fez algo inédito: Batizou a classe de futuros encouraçados com seu próprio nome, e foi além. Como o primeiro navio de uma classe geralmente é experimental e não tem as capacidades dos navios mais aprimorados lançados depois, ele decidiu que o primeiro da classe será o BBG-1, USS Defiant, deixando o USS Trump para uma unidade posterior.

O custo por unidade está sendo chutado como algo entre US10 e US$15 bilhões. Empresas estão sendo chamadas para oferecer propostas. O cronograma é insano, querem bater a quilha (iniciar a construção) no começo da década de 2030, com dois navios inicialmente contratados, e uma intenção de construir entre 20 e 25.

O consenso entre indústria e analistas é que... não vai acontecer.

relacionados


Comentários