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Intel vai deixar de fabricar processadores Itanium em 2021

A Intel vai matar o Itanium de vez: processadores de 64 bits para servidores, criados em parceria com a HP deixarão de ser fabricados em 2021

42 semanas atrás

A linha Itanium vai finalmente morrer. Os primeiros processadores Intel de 64 bits, voltados para servidores e criados em parceria com a HP deixarão de ser impressos a partir de 2021, embora a empresa não lance novos modelos de chips desde 2017.

Intel Itanium

O Itanium foi a tentativa da Intel de ditar a migração dos 32 para 64 bits, com uma arquitetura própria chamada IA-64. O projeto original foi encomendado pela HP, e lançado em 2001 na forma de chips a princípio exclusivamente para servidores. A ideia consistia em fazer com que os grandes clientes bancassem e amortecessem os valores, para viabilizar as versões para o consumidor final.

Isso nunca aconteceu de fato, por causa um pequeno problema: o IA-64 não era retrocompatível e exigia softwares em 64 bits para operar, como o Windows XP 64-bit Edition (não confundir com o Windows XP Professional x64 Edition; este era específico para o Itanium) e algumas distros específicas do Linux. Isso permitiu que a AMD melasse ainda mais os planos da Intel a seguir.

Em 2003, a rival introduziu a arquitetura AMD64 através dos processadores Opteron, também para servidores, e diferentes dos Itanium, estes eram capazes de rodar instruções em 32 e em 64 bits, o que significou uma redução absurda nos custos de transição por parte das grandes empresas. Com o tempo, a tecnologia passou a ser conhecida como x86-64, ela migrou facilmente para os processadores para consumidores finais, e em 2004, a Intel finalmente adotou o AMD64 (renomeado para Intel 64), algo inédito na época: até então, era a AMD que implementava soluções da Intel em seus produtos.

O sucesso do x86-64 sobre o Itanium fez com que a arquitetura IA-64 nunca migrasse para fora dos servidores, e pior, a HP praticamente se tornou sua única cliente, já que foi um projeto dela. A companhia manteve o projeto vivo, injetando US$ 440 milhões em 2008, e mais US$ 210 milhões em 2010 para que a Intel continuasse fabricando os chips até 2017. Findado o contrato, a companhia descontinuou o Itanium, lançando quatro últimos modelos e mantendo a produção, sabia-se lá por quanto tempo.

Intel / Wafer dos processadores Itanium 9500

Wafer dos processadores Itanium 9500 (Créditos: Intel)

Mesmo para os padrões de 2017, os processadores Itanium 9700 Series eram uma ode à estagnação: os quad e octa-cores foram fabricados em um processo de litografia de 32 nanômetros, possuíam suporte a RAM DDR3 ECC e contavam com TDPs de 130 a 170 watts. A Intel não pôs muito esforço na linha, que só foi mantida no respirador enquanto a HP estava pagando pela tecnologia.

Agora a Intel está encerrando de vez a fabricação de novas unidades do Itanium: os clientes que desejarem adquirir chips deverão fazer seus pedidos até o dia 30 de dezembro de 2020; depois disso eles não serão mais impressos, o que encerrará sua participação nessa história de uma vez. A HP informa que manterá o suporte aos servidores Itanium até 2025, logo, a arquitetura IA-64 permanecerá por um pouco mais de tempo no suporte vital.

De qualquer forma, RIP Itanium. Quase ninguém vai sentir a sua falta.

Com informações: Intel (cuidado, PDF), Ars Technica.

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