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PC customizável: futuro já pode estar escrito na parede

Da Nvidia à Intel e fabricantes de RAM e SSDs, indústria está dando vários sinais de que o PC customizável pode não ter futuro, graças à IA

18 semanas atrás

A ascensão das soluções generativas de Inteligência Artificial (IA) vem causando dores de cabeça constantes aos usuários de PC: com os fabricantes voltando suas linhas de produção para data centers e clientes corporativos de grande porte, não sobra nada para o betinha para quem deseja montar um desktop customizado, ou dar um upgrade em seu laptop.

Primeiro foram as fabricantes de memória RAM, depois a Nvidia que reduziu o investimento em GPUs domésticas, e agora é a vez da Intel, que vai direcionar sua atenção para servidores e focar menos em processadores para o usuário final. E não pense que a AMD está muito longe disso.

♪ Have you seen... ♫ (Crédito: The National Gallery/domínio público)

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Intel vai focar em chips para servidores

Todo mundo esperava que o boom da IA iria trazer grandes mudanças, mas ninguém tinha parado para pensar no custo que isso teria, quando ficou óbvio que fabricantes de componentes são (como toda empresa) movidos pelo lucro, e seguirão na direção que o dinheiro apontar. Ano após ano, a Nvidia reportava ganhos cada vez maiores no setor, que eclipsaram completamente a divisão de GPUs gamer, hoje responsável por pouco mais de 7% do faturamento total.

Resultado: a companhia de Santa Clara pode não lançar nenhuma nova GPU gamer em 2026, e a produção das existentes será reduzida, de modo a focar em servidores e IA; e como você sabe, menor oferta, maior procura, mais alta nos preços, etc.

As três grandes companhias fabricantes de memórias DRAM, Samsung, SK Hynix, e Micron (com esta tendo encerrado sua linha de produtos para o consumidor final), que também controlam boa parte do mercado de NAND (armazenamento), jogaram mais lenha na fogueira ao voltarem sua atenção quase que exclusivamente à IA, além de aumentarem seus preços para o resto do mercado.

Isso vai se manifestar como uma alta generalizada nos preços de produtos variados, como TVs, smartphones, tablets, SSDs, soluções de infra, e o que mais usar RAM e memória Flash; ah, os preços dos HDs também dispararam, por puro efeito manada.

E então chegou a vez da Intel: em seu relatório financeiro do 4.º trimestre fiscal de 2025, a companhia informou que a receita do setor de servidores aumentou 9% no último período em relação a 2024, e 5% no ano inteiro, enquanto a divisão de computação para usuários finais, que cuida da linha de processadores Core para desktops e laptops, além das GPUs Arc, caiu respectivamente 7% e 3% nos mesmos períodos.

O documento traz uma declaração do CFO da Intel, David Zinsner, de que a companhia irá "priorizar o suprimento interno (produção) de wafers para data centers", enquanto a impressão de chips para consumidores finais será terceirizada. Uma parte dos processadores Core Ultra Series 3 ainda será prensada na matriz, enquanto outras foundries, como a TSMC, ficarão responsáveis pelo grosso da produção.

Processadores para usuários finais, como a linha Core Ultra Series 3, não são mais uma prioridade para a Intel (Crédito: Divulgação/Intel)

Processadores para usuários finais, como a linha Core Ultra Series 3, não são mais uma prioridade para a Intel (Crédito: Divulgação/Intel)

Zinsner diz que "a Intel não pode abandonar o mercado de consumidores finais", mas reconhece que a empresa deverá "mudar o foco para data centers de modo a atender a alta demanda". A companhia pretende manter a produção de chips para desktops e laptops até por não fazer sentido abandoná-los, mas ao menos neste momento, e sabe-se lá por quanto tempo, eles não serão uma prioridade.

A rival AMD não está muito longe disso: em novembro de 2025, a CEO Dra. Lisa Su mencionou que sua companhia está "muito bem posicionada" no mercado de servidores para data centers, que segundo projeções, atingirá um valor de mercado de US$ 1 trilhão até 2030, e que deverão lucrar "algumas dezenas de bilhões" até 2027, de novo, priorizando soluções voltadas à IA.

Futuro do PC será (outra vez) seguir a Apple?

Se por um lado Intel e AMD não pretendem (no momento) abandonar o mercado consumidor em prol de abraçar totalmente a IA, seja por prudência ou por outros motivos, o setor de RAM controlado por Micron, Samsung e SK Hynix já vem complicando as coisas para todo mundo, inclusive a Apple.

Um cenário de escassez de componentes é ruim para diversos setores, não apenas PCs, mas é fato que tanto a Glorious PC Gamer Master Race quanto usuários de produtos mais modestos para trabalho e/ou estudos sofrerão mais, e fabricantes podem acabar adotando medidas drásticas para conter o sangramento. Uma delas é abrir mão cada vez mais de designs modulares em favor de integrados menos custosos, onde o ARM tem proeminência.

A Qualcomm, por exemplo, tenta há anos vaticinar um futuro onde o computador pessoal rodando Windows não seja tão diferente de um smartphone ou tablet, onde todas as especificações são pré-definidas e impossíveis de serem customizadas, algo que Cupertino adotou em 2020 (por outros motivos) ao dar um pé na bunda da Intel e dos processadores x86/CISC, e abraçar o design ARM/RISC desenvolvido em casa e impresso pela TSMC.

Claro que uma migração do tipo seria dolorosa e longa, mesmo a maçã levou tempo para abandonar completamente atualizações de SO para Macs legados com chips Intel; o PC é por definição mais libertário, e mesmo com Windows e distros Linux dando suporte ao ARM, o problema reside na conversão dos programas, onde muitos não funcionam; games, então...

Por outro lado, a Apple mostrou que é possível fazê-lo, o desempenho do Mac mini com processador M4 é ótimo para algo tão pequeno, guardadas as devidas proporções e levando em conta limitações como espaço de armazenamento, de apenas 256 GB no modelo base, que custa R$ 7.499.

Lembrando que, como sempre, o Brasil não serve de parâmetro para nada; nos EUA, US$ 599 é um valor bem decente para um desktop tão potente.

Apple abandonou o x86 em prol do ARM e designs não-customizáveis; mercado de PCs pode ter que fazer o mesmo, por falta de opções (Crédito: Divulgação/Apple)

Apple abandonou o x86 em prol do ARM e designs não-customizáveis; mercado de PCs pode ter que fazer o mesmo, por falta de opções (Crédito: Divulgação/Apple)

Vale lembrar de novo, mesmo a Apple não está imune à crise de DRAM que, segundo os fabricantes de memórias, deve se estender até 2028, que também afetam GPUs tanto da Nvidia quanto da AMD, enquanto os produtos para IA e servidores de ambas continuarão bem servidos; tais especulações são apenas isso, um exercício que soa muito como um discurso apocalíptico, reconheço.

O problema, o mercado vem dando um motivo atrás do outro para o consumidor de PCs temer pelo pior, visto que é certo que os preços continuarão subindo, mais uma vez, graças à IA.

Fonte: Ars Technica

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