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DRAM e NAND vão ficar mais caras para todo mundo. Thanks, IA

Empresas de DRAM e NAND reservam estoques para IA; crise elevará preços de smartphones, tablets, desktops, laptops, consoles, e SSDs

26 semanas atrás

Já estava bem claro que a demanda por chips de memória DRAM e NAND para soluções de Inteligência Artificial (IA) iria pesar no bolso da Glorious PC Gamer Master Race: os preços de pentes de RAM para PCs aumentaram mais de 50% em menos de dois meses, e SSDs e outras soluções de armazenamento não ficaram muito atrás.

Então a Micron pegou todo mundo de surpresa, ao anunciar o fim da linha Crucial de produtos para o consumidor final, especialmente RAM e SSD, para focar exclusivamente no mercado de IA.

Muito em breve, esta imagem será classificada como pr0n (Crédito: 502designs/Pixabay)

Muito em breve, esta imagem será classificada como pr0n (Crédito: 502designs/Pixabay)

Infelizmente, esta é uma tendência geral: fabricantes de chips de memória estão direcionando suas linhas de produção para atender as demandas de companhias como OpenAI, Google, Meta, e outras que capitaneiam o setor de IA e pagam muito bem, e não estão conseguindo atendê-la, o que levou a uma escassez geral de componentes e a escalada de preços que afetará todos os setores de consumo tech: de mobile a games, de PCs e Macs a carros, de infra a SSDs.

E a tendência é só piorar.

DRAM e NAND: IA primeiro, o resto se sobrar

Em 2024, Micron, SK Hynix e Samsung, que juntas controlam 93% do mercado de memórias DRAM (volátil), direcionaram esforços para a produção de módulos HBM (memória de alta largura de banda), mais eficientes que o usado em pentes de RAM, para lidar com soluções generativas, embora este formato esteja sendo igualmente comprado em massa pelas big techs; o movimento não afetou a produção dos chips de NAND, usados em SSDs, porque estes também são desejados pelas companhias de IA.

O resto, por outro lado, sofreu: com a produção reduzida de chips DRAM, e cada vez menos chegando ao mercado, o fornecimento de RAM para PCs, especialmente a DDR5, a atual de ponta para desktops, foi severamente reduzido e os preços escalaram, com base na primordial Lei de Oferta e Procura. O problema, o consumidor que monta PCs foi só o primeiro a ser afetado.

OpenAI e cia. estão comprando todo o estoque de NAND e DRAM que podem, Micron e outras empresas voltaram suas atenções ao setor de IA simplesmente por ser o mais lucrativo, mas não é apenas o usuário final o irrelevante na equação: fabricantes de smartphones, tablets, consoles de videogames, laptops, SBCs, carros, TVs, soluções de infra... todo mundo foi jogado no mesmo balaio, e despriorado.

O pouco de RAM e armazenamento que tais companhias conseguem comprar para acondicionar em seus produtos está vindo com um inevitável e óbvio aumento de preços, que invariavelmente será repassado ao consumidor: a linha Raspberry Pi, por exemplo, foi recentemente reajustada; a Microsoft reviu os valores até mesmo dos dev kits dos consoles Xbox; Lenovo, HP e Dell alertaram os consumidores que os preços de seus PCs e laptops vão subir em breve, e a Xiaomi fez o mesmo na China.

Embora o "tarifaço" de Donald Trump tenha influenciado a alta geral de preços durante o ano de 2025, o reajuste constante e sustentado nos valores das memórias RAM e SSDs, e consequentemente de tudo que os utilizam, é culpa direta da IA devorando todos os chips que encontra pela frente.

IA anda com muita fome (Crédito: Grok/xAI/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

IA anda com muita fome (Crédito: Grok/xAI/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Note que os preços aumentaram para todo mundo, companhias de IA inclusas, mas essas podem pagar, com ou sem bolha; a demanda ainda é superior à capacidade de produção dos fabricantes de chips, datacenters estão recebendo cerca de 70% dos pedidos feitos, o que dá uma medida de quão complicadas as coisas serão daqui por diante, para tudo o que não envolve soluções generativas, mas depende de NAND e DRAM do mesmo jeito.

Jeff Janukowicz, VP de Pesquisa do instituto IDC, disse em entrevista ao site The Verge que "há muito em jogo", visto que chips de memória e armazenamento fazem parte de todos os aspectos da vida moderna; quase toda solução tech, sejam as de uso diário, de infra, ou mesmo da linha branca (lavadoras, geladeiras, etc.), tudo será afetado pela crise.

Exemplos não faltam. Smartphones de ponta, que hoje costumam vir com 12 GB de memória RAM e 512 GB de espaço interno, que já não são lá tão acessíveis, se tornarão ainda mais caros: a Samsung prevê um custo de US$ 40 a mais com RAM por cada dispositivo Galaxy premium a partir de 2026 (linhas S e Z), e o consumidor vai pagar a diferença.

A IDC projeta uma queda nas vendas de smartphones ao longo do próximo ano, e um aumento médio global de US$ 9 nos preços praticados pelo mercado mobile no varejo; OEMs podem inclusive se tornarem "criativas", e reduzirem a quantidade de RAM e chips de armazenamento nos modelos de entrada e intermediários, a fim de conter os gastos.

O que isso significa: sabe aquele celular com 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento que hoje custa R$ 2 mil? Em 2026 um sucessor pode ser lançado pelo mesmo valor, mas trará 4 GB de RAM e apenas 128 GB, ou mesmo 64 GB, de espaço para seus apps, fotos, vídeos e games; você que se vire com cartões microSD que também já estão mais caros, e os preços vão continuar subindo.

Consoles de videogame, que já estão caros, sofrerão novos reajustes (e desta vez, o Switch 2 não vai escapar); montadoras passarão o aumento de custos com chips inclusos em carros para o preço final; soluções de infra se tornarão mais caras, o que poderá influenciar nos preços de inúmeros outros serviços.

Produtos mais acessíveis se tornarão mais caros ou simplesmente serão descontinuados, por sua fabricação não mais valer a pena para companhias, ao comparar o custo com o valor de venda máximo que um comprador estará disposto a pagar.

É basicamente isso (Crédito: Reprodução/Giggling Goose Productions/Fred Barron Production/West -Shapiro Productions/Castle Rock Entertainment/Warner Bros.)

É basicamente isso (Crédito: Reprodução/Giggling Goose Productions/Fred Barron Production/West -Shapiro Productions/Castle Rock Entertainment/Warner Bros.)

Infelizmente, este é um cenário que não tem uma solução no horizonte, nem mesmo a médio prazo. Micron, SK Hynix e Samsung estão apenas seguindo o dinheiro, e no momento, ninguém tem bolsos mais fundos que as companhias de IA, os demais setores e o consumidor final que se ralem.

Claro que todo mundo vai pagar mais caro, visto que a oferta não atende a demanda, mas a prioridade é atender os melhores e mais ricos clientes, as big techs e aceleradoras de soluções generativas; os demais, apenas se alguma coisa sobrar no fundo do tacho, o que não tem sido muito, para não dizer quase nada.

Fonte: The Verge

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