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Asus, IA, RAM, e medidas desesperadas

Asus estaria considerando entrar no mercado de RAM, para fornecer memórias a seus produtos; Samsung, Micron, e SK Hynix priorizam IA

22 semanas atrás

A crise do DRAM (e do NAND, ainda que mais modesta) já é realidade. As três companhias que detém 93% do market share do setor de memórias voláteis e para armazenamento, Samsung, SK Hynix, e Micron, priorizaram suas linhas de produção para abastecer companhias e aceleradoras de Inteligência Artificial (IA), o que deve forçar companhias largadas ao léu a serem criativas. Uma delas é a Asus.

Segundo informes, a empresa de Taiwan estaria considerando entrar no mercado de RAM para abastecer seus laptops, PCs portáteis e desktops, para em um cenário ideal, não ficar à mercê de parceiros que a largaram na mão. Claro, nem tudo é tão simples assim.

Entrar no mercado de RAM não é tão simples, como o rumor envolvendo a Asus faz parecer (Crédito: Gamercomp.ru/Unsplash)

Entrar no mercado de RAM não é tão simples, como o rumor envolvendo a Asus faz parecer (Crédito: Gamercomp.ru/Unsplash)

Asus DIY

A escassez de DRAM para fabricantes de hardware que não sejam ligados a IA já é um cenário instalado e sustentado, que não deverá arrefecer tão cedo; segundo a SK Hynix, as restrições deverão perdurar até 2028, no mínimo, com as três fabricantes lucrando em cima da baixa oferta e alta procura, enquanto priorizam suas linhas para componentes HBM (memória de alta largura de banda), voltados a soluções generativas.

Como explicamos no passado, a crise da RAM não afeta só a Glorious PC Gamer Master Race: além de uma produção muito menor de pentes de RAM, módulos DRAM voltados a produtos como videogames, smartphones, tablets, carros, infraestrutura, TVs e outros eletrodomésticos também irão rarear, e se tornar ainda mais caros do que já estão.

O fornecimento de chips NAND também foi afetado, IAs precisam de chips de armazenamento, o que foi notado com o aumento significativo dos preços de SSDs, ainda que em menor grau.

Os fabricantes já saíram da fase de especulação e estão se movendo para lidar com a situação: PCs e dispositivos móveis podem ver a maior alta de preços em 26 anos, enquanto Sony e Microsoft estariam considerando atrasar a próxima geração de consoles, que teria lançamento planejado para entre 2027 e 2028, até a situação se normalizar, se isso acontecer.

O motivo é simples, SK Hynix, Micron (que encerrou a linha Crucial) e Samsung estão seguindo a máxima follow the money, no momento ninguém tem bolsos mais fundos que aceleradoras de IA e companhias grandes envolvidas com a tecnologia, como OpenAI, Anthropic, Google, Meta, Microsoft e afins. Ao demais restam as migalhas, que vão custar cada vez mais caro.

A Asus, assim como várias fabricantes de laptops, componentes para desktops, e PCs portáteis para o mercado gamer, também sentiu a paulada e deve reajustar sensivelmente os preços de seus produtos no futuro, ao lado de concorrentes como Lenovo, HP, e Dell. Porém, segundo um informe do site persa Sakhtafzarmag, os taiwaneses estariam considerando entrar no mercado de RAM, tanto para garantir autossuficiência, quanto para preencher o vácuo deixado pela morte da linha Crucial, passando a atender o público consumidor.

Muito em breve, esta imagem será classificada como pr0n (Crédito: 502designs/Pixabay)

Muito em breve, esta imagem será classificada como pr0n (Crédito: 502designs/Pixabay)

Segundo o site persa, a Asus teria planos para abrir sua linha de produção de DRAM já em 2026, para fornecer pentes DDR4 e DDR5 a seus PCs e consumidores, assim como para fabricar chips VRAM a serem equipadas em suas placas de vídeo, principalmente após a Nvidia declarar que não mais venderá seus módulos com memória integrada, e adicioná-la passará a ser responsabilidade das OEMs.

Do ponto de vista prático, produzir e fornecer DRAM para seus próprios produtos faz sentido, primeiro para não ficar à mercê de parceiros que não mais a veem como um cliente prioritário, e segundo, ao fornecer RAM para consumidores, ela pode ocupar um nicho que outrora fora preenchido pela linha Crucial, considerando a qualidade dos componentes voltados a produtos de ponta, como suas linhas gamer próprias ROG e TUF.

Por outro lado, há uma série de dificuldades que a Asus deverá enfrentar, a mais óbvia, montar uma linha de produção de DRAM é um processo caro e complexo. Samsung, SK Hynix, e Micron possuem décadas de experiência na área, e os módulos a serem usados como "base" são controlados pelo trio, que inevitavelmente vão cravar a faca até o talo e girar, na hora de definir preços; maquinário e pessoal qualificado são outros dois problemas complicados.

Outra opção, caso a fabricação própria não seja mais que um rumor, seria procurar outro fornecedor de chips DRAM, no que muitos estão de olho, para variar, na China: em 2023, a foundry CXMT anunciou o início da produção de módulos DDR5 e LDPP5, e mais recentemente, revelou processos avançados com módulos DDR5-8000 e LPDDR5X-10667, mas esta é sancionada pelos Estados Unidos e aliados, sendo proibida de vender chips para fora do País do Meio, o que inclui Taiwan e a Asus.

E claro, há um fator ignorado: na possibilidade da Asus dominar a fabricação de módulos de memória volátil, o que muito provavelmente também incluiria HBM, nada impede que a companhia seja sondada por aceleradoras de IA, de modo a priorizar o fornecimento de componentes para estes, e acabe cedendo por atender quem paga mais.

De qualquer forma, todas essas informações são apenas especulações e rumores; a única informação concreta que temos, é que os preços de DRAM e NAND vão continuar subindo para tudo que não for IA, produtos ficarão mais caros e piores, e não há nenhuma garantia de que o mercado voltará a ser o que era, nem mesmo a médio prazo.

De novo, obrigado por nada, IA.

Fonte: Wccftech

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