Meio Bit » Hardware » AMD declara a morte da memória RAM DDR4

AMD declara a morte da memória RAM DDR4

Processadores Ryzen 7000 suportam apenas DDR5; para a AMD, padrão de memória RAM DDR4 está mais que ultrapassado

31/08/2022 às 9:54

Nesta segunda-feira (30), a AMD anunciou sua linha de processadores Ryzen 7000, com os primeiros modelos voltados a desktops, onde disputarão o mercado com a linha Alder Lake da rival Intel. Para isso, a companhia abraçou designs prontos para o futuro, ao dar prioridade a padrões mais recentes.

Embora os primeiros modelos de placas-mãe compatíveis suportem PCIe 4.0, a ideia é com o tempo, abandoná-lo em prol do 5.0; já com a memória RAM, a AMD não foi boazinha: a linha Ryzen 7000 não suporta DDR4, apenas DDR5, diferente do Alder Lake, que trabalha com ambos.

Soquete AM5 para processadores da linha AMD Ryzen 7000 (Crédito: Divulgação/AMD)

Soquete AM5 para processadores da linha AMD Ryzen 7000 (Crédito: Divulgação/AMD)

A AMD foi bem clara ao dar seus motivos, o DDR4 já deu o que tinha que dar, é um padrão velho e ultrapassado. É hora de pôr um fim nele, por mais que o público não goste, e tenha motivos para isso.

Para a AMD, DDR4 chegou ao limite

A apresentação da AMD girou em torno do tema "avançar a tecnologia em PCs", no que ela apresentou soluções e componentes que viabilizam a montagem e manutenção de kits future-proof. A ideia, repetida ao longo da transmissão, é de "o que você monta hoje, continuará usável amanhã (a longo prazo)".

Em uma apresentação sucinta e direta, a CEO Dra. Lisa Su detalhou o roadmap para os próximos anos, em que a arquitetura de 5 nanômetros da TSMC, usada hoje com os chips Ryzen 7000, que usam o soquete AM5, evoluirá gradualmente para 4 nm, e chegará em 2024 aos 3 nm, com a linha Zen 5c. Mas foquemos no agora.

Mark Papermaster, CTO e VP Executivo da AMD, ficou encarregado de dar detalhes sobre os novos processadores. Lá pelas tantas, ele explicou que o padrão PCI Express 4.0, que começou a chegar ao mercado em 2019, será gradualmente substituído pelo PCIe 5.0, logo, modelos futuros e processadores direcionarão o suporte ao segundo padrão, gradualmente.

O mesmo não pode ser dito da memória RAM, no que o processo de migração será mais traumático, por assim dizer. David McAfee, VP Corporativo e gerente da divisão de desktops, explicou que diferente do que a Intel fez com o Alder Lake, a AMD abandonou completamente o DDR4. Quem quiser montar um PC com os novos processadores da empresa, será obrigado a depender do DDR5.

David McAfee explica por que o DDR4 não serve mais para a AMD (Crédito: Reprodução/AMD)

David McAfee explica por que o DDR4 não serve mais para a AMD (Crédito: Reprodução/AMD)

McAfee explicou que o AM5 foi desenvolvido para tirar o máximo proveito de componentes mais recentes, no que a AMD aponta obviamente para os processadores Ryzen 7000, suas GPUs Radeon mais recentes, e no caso da memória RAM, apenas DDR5.

O argumento da companhia faz sentido, o DDR4 foi introduzido oficialmente em 2013, e é o padrão da indústria de desktops, laptops, consoles de videogame e dispositivos móveis desde 2014. Hoje, a empresa considera que estamos à beira de um novo salto tecnológico, e há a necessidade de componentes mais potentes e rápidos para dar conta de novas soluções, como o 5G, por exemplo.

O padrão DDR4 trabalha com frequências normais entre 1.600 e 3.200 MHz, embora suporte uma velocidade limite de 4.800 MHz, esta sendo o ponto de partida do DDR5. Isso mesmo, a frequência mais rápida do atual formato líder de RAM, é a mais lenta que sua sucessora, que segundo as especificações pode chegar a 9.600 MHz, pode entregar.

DDR4 x DDR5: as diferenças

O DDR5 incorpora diversas melhorias em relação ao DDR4. Falando da maior frequência, a padrão para o mercado deverá ser de 6.400 MHz, que vai oferecer uma maior velocidade no acesso à informação.

A densidade máxima do SDRAM aumentou 4 vezes, suportando até 64 Gb por chip; assim, um único pente pode ter de 32 GB a até 128 GB, enquanto o comprimento do burst dobrou, de 8 para 16 bits; os canais de memória também mudaram, passando a ser dois de 32 bits, ao invés de um de 64 bits como no DDR4.

A eficiência energética também foi melhorada, no que a tensão padrão de 1,2 V foi reduzida para 1,1 V, e a máxima, de 2,5 V para 1,8 V. Parece pouco, mas uma menor tensão oferece uma melhoria em arquitetura e organização para os fabricantes de placas-mãe, que poderão otimizar e simplificar seus designs, até porque o DDR5 trará um regulador de tensão integrado ao pente, dispensando sua inclusão na placa-mãe.

O padrão DDR5 traz várias vantagens sobre o DDR4 (Crédito: Divulgação/Kingston)

O padrão DDR5 traz várias vantagens sobre o DDR4 (Crédito: Divulgação/Kingston)

Isso foi pensado de modo a beneficiar os fabricantes e OEMs, que ficarão livres para oferecer produtos mais simples e mais baratos; por outro lado, a inclusão do regulador direto no pente pesou para o consumidor final, o preço de um pente DDR5 é muito maior do que um DDR4.

AMD vai forçar morte do DDR4

Fica claro que a AMD está mirando no futuro, e quer oferecer produtos mais potentes do que a Intel, que por manter a compatibilidade com o DDR4, é forçada a nivelar seus chips por baixo. O grande problema, é que os pentes DDR5 ainda são muito caros e difíceis de encontrar, e os fabricantes preferem fechar com o padrão antigo, por ser mais barato.

No entanto, a estratégia da companhia da Dra. Lisa Su é simples: ao adotar designs mais recentes, a linha Ryzen 7000 promete entregar mais desempenho do que a Alder Lake, o que privilegiará suas soluções entre consumidores a prezar pela potência em primeiro lugar, como a Glorious PC Gamer Master Race. Su foi enfática ao afirmar que sua plataforma, hoje (Ryzen 7000 + GPUs Radeon +  PCIe 5.0 + DDR5), é a melhor para jogar no PC com máxima qualidade gráfica.

Caso a Intel se sinta incomodada em um possível cenário futuro, com a AMD aumentando sua presença entre o público e prejudicando suas vendas, ela poderia rever o Alder Lake e lançar novos chips que funcionam apenas com DDR5, no que toda a indústria paralela, de consoles ao mercado mobile, seguiria. E uma migração gradual do DDR4 para DDR5 significa que, dado o devido tempo, os pentes modernos se tornarão mais baratos e acessíveis.

De certa forma, já estava na hora de migrarmos para a próxima geração de memórias RAM; era preciso alguém dar o primeiro passo, ainda que a estratégia da AMD seja dolorosa (cara) a princípio. Mas como dizem, não dá para fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos.

Fonte: Digital Trends

Leia mais sobre: , , , , .

relacionados


Comentários