Agora vai: Fundação, de Isaac Asimov é a mais nova série exclusiva da Apple

Demorou uma eternidade, mas finalmente a obra-prima de Isaac Asimov será adaptada para fora dos livros: a Apple anunciou nesta terça-feira (10) que assegurou os direitos exclusivos junto ao produtor David S. Goyer, o roteirista Josh Friedman e a Skydance Television para a produção de uma série baseada na Trilogia da Fundação, uma das séries literárias de ficção científica mais importantes e influentes de todos os tempos.

O rolo envolvendo a adaptação de Fundação levou anos. Primeiramente foi cogitado uma série cinematográfica, depois a ideia foi migrada para a TV (a meu ver, a opção mais acertada) e diversas emissoras namoraram a ideia, inclusive com a HBO anunciando em 2015 que iria tocar o projeto, com Jonathan Nolan como showrunner. No fim das contas, a ideia não foi para a frente e a emissora se resolveu com Westworld.

Recentemente a Skydance garantiu os direitos e recrutou Goyer (trilogia O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, Cidade das Sombras, O Homem de Aço, Batman vs. Superman: A Origem da Justiça), que pulou da fora do Development Hell do remake de Mestres do Universo e Friedman, que escreveu o roteiro de Terminator: The Sarah Connor Chronicles e a versão recente de Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg para adaptarem os livros para a TV.

Entra então a Apple, que está entrando no mercado de conteúdo televisivo original. Depois de testar a recepção do público com sua própria versão de Carpool Karaoke e outras atrações voltadas à música because reasons, a companhis busca parcerias com diretores, produtores e roteiristas de renome para atrair massa crítica e a atenção do público e crítica, e Goyer envolvido com Fundação era algo suculento demais para deixar Netflix, Amazon ou qualquer outra pegar primeiro. Já chega ter perdido a próxima obra de JJ Abrams para a HBO.

O primeiro volume da trilogia original, Fundação foi lançado em 1951, baseado em uma série de oito histórias curtas que Isaac Asimov publicou entre 1942 e 1950. Ele e os seguintes (Fundação e Império, de 1952 e Segunda Fundação, de 1953) narram a odisseia da espécie humana por milênios, após terem conquistado o espaço e se estabelecido como o grande Império Galático. O matemático Hari Seldon, que dedicou toda a sua vida a uma nova ciência chamada Psicohistória, que busca através de conceitos de sociologia e cálculos apurados prever o comportamento de sociedades inteiras durante séculos e milênios vindouros.

Seldon chega à conclusão de que o Império irá inevitavelmente ruir e todo o seu conhecimento será perdido, e a única maneira de evitar tal catástrofe é compilar e catalogar toda a história e saber da humanidade em um único compêndio, a Enciclopédia Galática (sim, a própria citada em O Guia do Mochileiro das Galáxias com Douglas Adams a definindo como “muito chata”) e todos os dados viriam a ser cuidados e administrados por uma sociedade das melhores mentes do império estabelecida em um ponto remoto da galáxia, que viria a ser conhecida como a Fundação.

A trilogia original recebeu uma série de prêmios, inclusive um Hugo especial que a intitula “a melhor série literária de todos os tempos” tendo destronado até mesmo a Trilogia do Anel de Tolkien; isso sem contar que a obra influenciou diversos autores, produtores e cineastas nas décadas seguintes. Curiosamente, Asimov é um dos dois entre os quatro principais autores de ficção científica que até hoje nunca teve uma adaptação para cinema ou TV à altura das obras originais, sendo o outro Robert A. Heinlein (Planeta Vermelho e Tropas Estelares, este sendo excelente pelos motivos errados; a adaptação de Um Estranho Numa Terra Estranha, prometida pelo canal SyFy em 2016 ainda não deu as caras); já Ray Bradbury (que apesar dos pesares, gostou da versão de Fahrenheit 451) e Arthur C. Clarke tiveram muito mais sorte.

A Skydance, por sua vez só comemora: além da Trilogia da Fundação para a Apple, a produtora é responsável por Grace and Frankie e Altered Carbon para a Netflix, Jack Ryan para a Amazon Prime, Condor para a AT&T Audience Network e Dietland para a AMC; logo, não é como se faltassem oportunidades ou clientes interessados nas marcas que ela detém.

Já A Apple está jogando pesado para entrar no mercado de conteúdo original por streaming com os dois pés na porta, como é de praxe: além de garantir a Trilogia da Fundação, a maçã conta com conteúdos produzidos por alguns pesos pesados:

Há de fato algumas coisas a serem consideradas, como a exigência de que nenhuma das produções pode conter sexo, violência, palavrões ou mesmo temáticas mais sombrias; Fuller teria deixado o projeto de Amazing Stories exatamente por querer dar à série um toque a lá Black Mirror e Twilight Zone, enquanto a maçã insistiu que a obra, como todas as outras deve ter um tom otimista e “para toda a família”, sendo a empresa mais Disney-like nesse aspecto do que a própria Disney. Ainda que isso limite e bastante as obras que o serviço poderá vir a exibir, é fato que ninguém quer deixar de ganhar muito dinheiro com Cupertino.

A previsão é de que Apple lance a primeira leva de atrações exclusivas no segundo semestre. Até lá, só resta esperar para ver no que isso tudo vai dar.

Fonte: Deadline.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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