Apple não vai permitir sexo, violência ou palavrões em seu conteúdo original para a TV

Não é segredo para ninguém que a Apple é a mais carola de todas as companhias de tecnologia. Steve Jobs defendia com unhas e dentes que seus produtos e plataformas deveriam oferecer conteúdos para todas as idades e por causa disso comprou briga com todo mundo, não permitindo principalmente que material pr0n ou controverso fosse oferecido em sua lojinha. Vários apps levaram porrada ao longo dos anos, do 500px ao ComiXologyaté a Playboy teve que se sujeitar, duas vezes.

Por que? Simples, embora o Android domine o mercado de dispositivos móveis quase todo o lucro está nas mãos da maçã, logo ou os desenvolvedores e empresas jogam de acordo com as regras da casa ou que se virem com a pirataria do robozinho, e como de dinheiro todos gostam e precisam acabam se sujeitando. Recentemente a Apple chegou a patentear um método que bipa automaticamente palavriado chulo em músicas, audiobooks e talvez até podcasts, que pode até nem vir a ser implementado mas dá uma ideia de como Cupertino pensa.

O que nos leva à sua atual empreitada de prover conteúdo original e seguir o que quase todo mundo já faz, da Netflix ao Google, do Twitter ao Facebook. Após realizar um bem-sucedido experimento ao exibir um especial da turnê da cantora Taylor Swift (o mundo dá voltas, não?), a Apple se convenceu de que produzir séries e outras atrações internamente e distribuí-las através do iTunes para seus consumidores seria uma jogada excelente, ainda que no início ela tenha se apegado apenas a produtos ligados à música, como o spin-off da websérie Carpool Karaoke. Inicialmente ela pretendia oferecer apenas um canal integrado através do app TV que seria um guarda-chuva comum para diversas emissoras e serviços de streaming (você não, Netflix), mas se tocou que ter conteúdo diverso era melhor.

Só que a Apple ainda é a Apple, e ela não está interessada em shows adultos e violentos como The Game of Thrones, nem que tratem de temas controversos como Breaking Bad. Filmes ou séries com sexo e violência não terão vez em sua plataforma, a empresa já deixou isso bem claro aos estúdios e parceiros que desejam produzir conteúdo para a maçã e nem mesmo palavrões serão permitidos, o que segundo informes a levou a ser taxada de companhia “conservadora e exigente”. Pode até ser, mas quem deseja fazer (muito) dinheiro vai ter que dançar conforme a música que a Apple toca, sem exceções.

Tal posição da maçã em não permitir conteúdo adulto já lhe rendeu algumas dores de cabeça: um episódio recente de Carpool Karaoke, protagonizado pela comediante Chelsea Handler e o cantor country Blake Shelton quase não foi ao ar pela quantidade de palavras de baixo calão proferidas durante a gravação, e o próprio CEO Tim Cook não estava propenso a libera-lo por considera-lo “obsceno demais”; entre algumas coisas ditas a conversa fazia referências à higiene íntima feminina. No fim ele foi ao ar, porém completamente editado para se adequar como um produto para a família (ainda que mostre os dois enchendo a cara).

Quem não tem problema com conteúdos controversos, por outro lado tem grandes chances de fazer a festa: a Apple fechou um acordo com ninguém menos que Steven Spielberg, que produzirá junto com a NBCUniversal uma nova versão de seu seriado Amazing Stories, uma antologia com diversas histórias curtas de terror, suspense e aventura que na versão original contou com diversos diretores, de Burt Reynolds a Clint Eastwood e Martin Scorsese, além do próprio. Segundo fontes Spielberg atuará como produtor executivo enquanto Bryan Fuller (Hannibal, Star Trek Discovery) será o showrunner. Foram encomendados dez episódios com um orçamento de US$ 5 milhões para cada um, então espere por algo de primeira.

Embora não hajam informações de quando Amazing Stories irá estrear, de uma coisa já sabemos: nada de peitinhos, sangue ou palavrões. A Apple é família, não pode essas coisas.

Fonte: Bloomberg.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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