Phil Spencer Capitão Óbvio: “o Xbox One não vende no Japão porque os jogadores preferem games locais”

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Não é segredo para ninguém que a Microsoft só amargou fracasso atrás de fracasso no Japão com a linha Xbox. Os três consoles tiveram vendas pífias e uma série de fatores contribuíram para isso: embora o 360 fosse visto como um videogame de otakus, a verdade desagradável é que o japonês é bairrista demais, preferindo dar prioridade à Sony e à linha PlayStation simplesmente por serem produtos japoneses.

Os números são ridículos: na última semana o Xbox One registrou a venda de apenas OITENTA E OITO UNIDADES, contra 31.071 PS4 na terra dos samurais. Em média, um console da Microsoft é vendido a cada dez da Sony. Ela pode ser a campeã nos EUA, mas no Japão a linha Xbox sempre foi menos que nada.

Phil Spencer, o chefão da divisão Xbox sabe disso. Embora no passado a Microsoft tenha realizado esforços para lançar uma grande quantidade de games apelativos ao consumidor japonês (desde os vários shmups da Cave aos RPGs da Mistwalker, como Blue Dragon e Lost Odyssey e claro, os vários Eroges e Dating SIMs), nada disso deu resultado e o Xbox 360 comeu poeira. O One da mesma forma não vende grande coisa desde o lançamento, e a estratégia atual de focar em títulos multiplataforma e/ou produções internas com lançamentos simultâneos para o console e o Windows 10 não estão ajudando em nada a reverter a situação.

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Em entrevista, Spencer reconheceu o óbvio ululante de que os gamers japoneses “preferem títulos como Persona 5 ou Nioh”, presentes no PS4 ao invés de investirem em um Halo 5: Guardians ou em um Gears of War 4. O executivo acrescentou que para aumentar a participação no mercado serão obrigados a “lançar games que os japoneses irão realmente gostar”.

Há outros fatores, e um é justamente o nome: no Japão o “X” é desde sempre um sinal associado a erro ou cancelamento, enquanto o círculo é o acerto/confirmação. É por isso que o layout japonês dos controles da família PlayStation utiliza o botão O para confirmar e o X para cancelar, sendo o contrário no ocidente (temos para nós o “X” como assinalar/preencher uma opção, logo uma confirmação).

Spencer tem planos para se aproximar de desenvolvedores locais de forma a fazer com que eles desenvolvam títulos para o Xbox One, sem mencionar que farão de tudo para garantir a presença de franquias consagradas no Japão em sua plataforma. Final Fantasy XV, que tem lançamento previsto para o próximo mês (se não atrasar de novo) é o mais celebrado desse novo esforço da Microsoft em tornar sua plataforma de games mais apelativa para os nipônicos.

Só que esse pode ser um caminho sem volta. Por mais que a Microsoft se esforce para agradar o jogador japonês e lance uma série de games exclusivos voltados para aquele consumidor, ela continuará sendo a empresa gaijin que concorre diretamente com a Nintendo e a Sony, dois orgulhos nacionais que o japonês defende com unhas e dentes. A única grande exceção é a Apple, que é líder do mercado de smartphones e é seguida sem muita surpresa por companhias locais. A Samsung fica bem para trás na preferência do consumidor no arquipélago.

É provável que a Microsoft consiga incrementar as vendas do Xbox One, One S e do futuro Scorpio? Talvez, mas dificilmente ele será uma séria ameaça à hegemonia da Sony, muito em parte por conta apenas da preferência do japonês em promover a prata da casa.

Fonte: Play-Asia.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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