Ronaldo Gogoni 17 semanas atrás
A maioria das fabricantes de TV levaram anos, mas enfim admitiram que o formato 8K não vingou: a LG teria interrompido a produção de telas no formato, de modo que a matriz sul-coreana deverá se concentrar unicamente em televisores 4K de agora em diante, enquanto a Sony fez o mesmo no início de 2025.
As duas companhias se somam à TCL, que encerrou sua linha em 2023; a Samsung aparentemente continuará insistindo no 8K, mas de agora em diante, quase que completamente sozinha.

Samsung, LG, e outras fabricantes tentaram forçar 8K como o futuro da TV. Não colou (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
A Sharp foi a primeira companhia a apresentar uma TV 8K em 2012, sendo ela a companhia que mais brincou com o formato em seus primórdios, usando principalmente a tecnologia IGZO (óxido de índio, gálio e zinco), que prometia menor custo de produção de telas e maior qualidade de imagem, que tal como Ruby, não escalou.
A primeira disponível para o público, com 84 polegadas, foi lançada em 2015 pela Sharp no Japão pelo módico preço de ¥ 16 milhões, ou ¥ 15,8 milhões em 2026 (~R$ 537,5 mil, cotação de 02/02/2026); a LG levaria mais três anos para lançar seu primeiro modelo no formato com tela OLED, enquanto as primeiras transmissões nessa resolução foram feitas em 2016 pela NHK, durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro; a mesma emissora começou o broadcasting via satélite em 2018.
Foi a Samsung a primeira companhia a lançar uma TV 8K no Brasil em 2019, mas de lá para cá os dois principais problemas do formato nunca foram resolvidos. O primeiro e bastante crítico, não há conteúdo suficiente que justifique tal resolução boçal; estamos falando de 7.680 x 4.320 pixels, quatro vezes mais que o 4K, hoje o padrão, e 16 vezes mais que o legado Full HD em TVs.
Já o segundo problema é o óbvio preço elevado. O modelo mais "em conta" da Samsung lançado em 2025, com 65", custa hoje a bagatela de R$ 10 mil, um valor bem próximo de uma OLED 4K da LG de mesmo tamanho, com a diferença de que é muito mais fácil encontrar conteúdos nessa resolução; uma com display LED, ainda de 65", pode sair por volta de R$ 3 mil.
Quando o 8K ainda era novidade no país, os preços costumavam ser muito, mas muito mais elevados; a equiparação de valores praticados com os de TVs OLED 4K muito provavelmente se dá por motivos de pouca saída.
Com vendas tão mirradas, a conta não demoraria a vir. A TCL lançou sua primeira TV 8K em 2021, para encerrar a linha apenas dois anos depois, alegando especificamente a baixa demanda. A Sony, por sua vez, descontinuou o formato ao anunciar os modelos de 2025, enquanto se prepara para repassar o controle da divisão aos chineses.
Agora, foi a vez da LG. Conforme alega o site FlatpanelsHD, um representante da LG Display, a divisão da gigante sul-coreana que produz telas para seus produtos e outros clientes, que incluem a Apple e a frenemy Samsung, diz que a produção de telas 8K OLED e LCD foi interrompida, de acordo com observações das tendências do mercado. Oficialmente é uma retirada estratégica, a LG estaria pronta para retomar a fabricação conforme o mercado mudar, mas acho difícil que isso aconteça.
Os números são bem claros: de 2013 até hoje, mais de 1 bilhão de televisores 4K foram vendidos em todo o mundo, contra 1,6 milhão de aparelhos 8K, atestando que o formato foi basicamente adotado por um público de nicho, que incluem early adopters e endinheirados. O povão resistiu ao máximo sair do Full HD, principalmente por conta da diferença de preços, mas quando ficou evidente que o 1080p foi abandonado pelos fabricantes, todo mundo abraçou o 4K quando chegou a hora de trocar de TV, por ser o que podiam pagar.
Some-se a isso a escassez de conteúdo, o 4K definitivamente não é mais o deserto de outrora, mas ainda há uma boa quantidade de material sendo produzido ainda em 1080p (animações, por exemplo, raramente são 4K nativo), e o inevitável bode na sala: ninguém vai notar a diferença de resolução entre os formatos, a não ser colando o nariz na tela figurativamente falando, mas não muito distante disso. Não justifica morrer em muito mais grana.
A resolução de nossos olhos tem limites, e foi por isso que a Apple defendeu a tecnologia original da Retina Display do iPhone e iPad por anos: a uma certa distância você não consegue mais ver pixels individuais, então tanto faz se a tela é uma 8K de 50", você precisa estar a apenas 1 metro de distância para percebê-la como tal.
A 2 metros o olho humano já não faz distinção entre ela e uma 4K de igual tamanho; a 3 metros ela vira uma Quad HD, e a 4 metros, regride para Full HD.

Relação entre resolução de telas, distância, e resolução percebida pelo olho humano (Crédito: Computer Laboratory, University of Cambridge)
Até o fim de 2022 a 8K Association, um grupo fundado em 2019 por Samsung, TCL, Hisense e AU Optronics listava 33 membros, mas agora ela conta com apenas 16, e só dois fabricam TVs, Samsung e Panasonic, com a última se concentrando em, claro, 4K; os sul-coreanos estão virtualmente sozinhos no mercado insistindo no formato.
A companhia deverá apresentar sua linha de televisores nos próximos meses, com a linha OLED limitada a 4K, por contar com displays da LG; se a Samsung resolver insistir mais um ano no 8K, o formato deverá ser restrito aos modelos QLED.
Fonte: Ars Technica