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NASA segue sem novo administrador, talvez até 2026

Donald Trump não deverá indicar novo administrador da NASA tão cedo; Congresso dos EUA, responsável por sabatina, entrará em recesso em agosto

51 semanas atrás

A NASA, como qualquer outra agência governamental dos Estados Unidos, está em uma situação complicada. A proposta de uma completa revisão de procedimentos, proposta pelo gabinete do presidente Donald Trump, envolvem uma redução significativa do orçamento para 2026, o corte de um terço do corpo de profissionais, o cancelamento de diversas pesquisas científicas, e até mesmo o possível fechamento de centros dedicados.

Para completar, não há a menor previsão de quando Trump irá indicar um novo administrador após retirar o nome de Jared Isaacman, rejeitado por "não ser MAGA o bastante", e como o Congresso dos EUA entrará em recesso em breve, a NASA deverá ficar sem comando até 2026, em que nada pode ser decidido internamente.

O clima na NASA já foi melhor (Crédito: NASA)

O clima na NASA já foi melhor (Crédito: NASA)

NASA segue sem comando

Na última quarta-feira (25), a NASA realizou um debate com funcionários, que chegou a ser disponibilizado por terceiros via streaming, mas foi derrubado depois; ele foi conduzido pelos executivos atualmente responsáveis pela agência: Janet Petro, administradora interina, Brian Hughes, chefe de gabinete, Vanessa Wyche, administradora associada, e Casey Swails, vice-administradora associada; eles foram acompanhados por Bethany Stevens, secretária de imprensa.

Durante a conversa, que tinha o objetivo de explicar a situação atual da NASA, e de tentar elevar a moral interna, que nunca foi tão baixa, os executivos explicaram como a agência espacial norte-americana escapou pela tangente do plano original da Casa Branca, imposto a quase todas as agências, de demitir todos os estagiários que havia empregado nos últimos tempos, mas teve que implementar um programa de demissão voluntária e aposentadoria compulsória, para reduzir a força de trabalho.

Na primeira rodada, cerca de 900 funcionários concordaram com o plano de saída, que envolve o pagamento de benefícios; na última quarta-feira (26), Swails explicou que, com o anúncio recente de uma segunda rodada, esse número deve chegar a 1.500 até a data limite de 25 de julho, representando uma redução de 8% no pessoal.

O problema, isso não chega nem perto do proposto pela Casa Branca de demitir um terço dos funcionários, e se o plano for considerado insuficiente, é bem provável que haverá demissões sumárias, provavelmente sem direito aos benefícios oferecidos pelo desligamento voluntário. Swails disse que a NASA "não está planejando" demitir ninguém, mas deixou a possibilidade em aberto, ao explicar que estão "fazendo todo o possível" para evitar que tal cenário seja imposto de cima para baixo.

O outro ponto crítico é a redução de 24,2% no orçamento, de US$ 24,8 bilhões (~R$ 134,85 bilhões, cotação de 01/07/2025) direcionados à NASA em 2025, para US$ 18,8 bilhões (~R$ 102,2 bilhões) em 2026. O setor de Ciência será o mais afetado, de US$ 7,3 bilhões (~R$ 39,7 bilhões) em 2025, deverá receber apenas US$ 3,9 bilhões (~R$ 21,2 bilhões) em 2026, um corte de 47%.

Da esq. para a dir.: Bethany Stevens, secretária de Imprensa da NASA; Janet Petro, administradora interina; Brian Hughes, chefe de gabinete; Vanessa Wyche, administradora associada; Casey Swails, vice-administradora associada, durante debate com funcionários em 25/06/2025 (Crédito: NASA)

Da esq. para a dir.: Bethany Stevens, secretária de Imprensa da NASA; Janet Petro, administradora interina; Brian Hughes, chefe de gabinete; Vanessa Wyche, administradora associada; Casey Swails, vice-administradora associada, durante debate com funcionários em 25/06/2025 (Crédito: NASA)

Apenas o departamento de Exploração Espacial receberá um incremento de verba, de US$ 7,7 bilhões (~R$ 41,87 bilhões) para US$ 8,3 bilhões (~R$ 45,13 bilhões), com foco na missão tripulada à Marte, e o Projeto Artemis mantido apenas até o retorno de astronautas americanos à Lua, quando então será cancelado; o mesmo destino será reservado ao foguete SLS e a cápsula Orion.

De fato, o valor destinado à Ciência é tão baixo, que muitos acreditam que a NASA não terá grana nem para o básico.

As preocupações dos funcionários da NASA envolvem três temas centrais: o que a agência pode fazer quanto à proposta de cortes no orçamento, que é absolutamente nada (o Senado está questionando isso, mas por outros motivos), a possibilidade de Trump ordenar o fechamento de centros de pesquisa, incluindo o Centro Goddard de Voos Espaciais, que emprega 10 mil funcionários, o que pode acontecer, e quando o presidente irá indicar um novo administrador, após a dispensa de Jared Isaacman.

Sobre este tema, Petro diz que isso não deve acontecer tão cedo, e talvez não haja mais uma janela para fazê-lo em 2025, visto que o Congresso entrará em recesso em agosto; assim, a NASA ficará sem um comando formal por um ano inteiro no mínimo, com capacidades de tomada de decisão seriamente restritas.

Originalmente recomendado por Elon Musk, quando o bilionário dono da SpaceX ainda fazia parte do governo, o fundador da Shift4, comandante da missão Inspiration4, e financiador do programa privado Polaris Dawn, era visto de soslaio pela ala mais radical dos republicanos, por fazer doações a democratas no passado; ele também questionou abertamente as ideias de Trump sobre focar em Marte, e era contra o cancelamento do SLS.

Quando Musk saiu do comando do DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), por ser limitado a apenas 130 dias em um cargo especial no governo, Isaacman foi quase que imediatamente dispensado, por "não se alinhar completamente" à agenda America First de Trump, conforme dito no comunicado oficial; esperava-se que o presidente dos EUA indicaria rapidamente outro nome, mas já se passou um mês, e nada.

E de qualquer forma, o Senado provavelmente não tem mais tempo hábil para realizar uma nova sabatina ainda em 2025.

Jared Isaacman, então indicado ao cargo de administrador da NASA, durante audiência no Senado dos EUA em abril de 2025 (Crédito: Ken Cedeno/Reuters)

Jared Isaacman, então indicado ao cargo de administrador da NASA, durante audiência no Senado dos EUA em abril de 2025 (Crédito: Ken Cedeno/Reuters)

Como administradora interina, Janet Petro, ex-chefe do Centro Espacial Kennedy, defende que o próximo a ocupar o cargo deve se comprometer com o Programa Artemis, mas a Casa Branca não pretende investir nele; é desejo do gabinete de Trump reduzir ao máximo o foco naquilo que não envolva Marte, incluindo missões em curso como a New Horizons (que fotografou Plutão), e Juno (em órbita de Júpiter); a ISS (Estação Espacial Internacional) também seria depreciada até seu descomissionamento em 2030/2031, quando deverá ser substituída por estações comerciais.

Um dos programas científicos que deve rodar sem cerimônia é o Mars Sample Return, não apenas por romper todas as escalas em orçamento, mas com Trump defendendo uma missão tripulada, ele se tornou redundante; o mesmo destino terá a missão DAVINCI+, dedicada a estudar a atmosfera de Vênus, as sondas em desenvolvimento Mars Odyssey e MAVEN, e o lander Rosalind Franklin para a missão ExoMars, o que pode gerar uma saia justa com a ESA (Agência Espacial Europeia).

O único projeto de grande porte em andamento que deve continuar, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, também receberá menos grana em 2026, o orçamento alocado sugerido é de apenas US$ 156 milhões (~R$ 850 milhões), metade do valor em 2025.

Hughes disse que nesse meio tempo, a NASA está limitada a tomar medidas que tornem agência "menor e mais ágil", o que envolve o possível fechamento ou consolidação de centros de pesquisa; ele não deixou claro qual das duas opções será a aplicada, se limitando a dizer que isso "faz parte" das discussões internas, regadas a pitacos vindo de Washington.

Fonte: Ars Technica

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