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Os jogos se tornaram longos demais?

Para designer chefe de missões do Starfield, pessoas estão cansadas de jogos muito longos e por isso, aqueles mais curtos estão se destacando

1 ano atrás

Jogo após jogo, a história se repete: você inicia uma campanha em algum título que recém-adquiriu e quando se dá conta, já se passaram, 20, 30 ou até mais horas e ainda não conseguiu ver os créditos finais. Fazer com que os jogos se tornem cada vez mais longos se tornou uma tendência na indústria, mas será que isso é algo tão positivo quanto costumamos pensar?

Crédito: Reprodução/Alena Darmel/Pexels

O preço que pagamos pelos games nunca foi baixo e por isso é natural acharmos que quanto mais tempo eles durarem, maior a sensação de que o investimento valeu a pena. Porém, a falta de tempo para nos dedicar a jogos tão longos, somado a campanhas muitas vezes infladas artificialmente, estariam fazendo com que as pessoas se cansem do que estamos recebendo.

Isso é o que defende Will Shen, ex-funcionário da Bethesda e que como último trabalho no estúdio, atuou como designer chefe de missões no Starfield. Ao conceder uma entrevista para o canal Kiwi Talkz, o game designer que atualmente está na Something Wicked Games afirmou que alguns jogos que ajudou a criar contribuíram para a criação dessa tendência.

“Sinto muito, vou dizer isso. Não sou pessoalmente responsável por isso, mas parte do que aconteceu foi o sucesso de jogos como Skirim e Fallout 4, esses títulos realmente grandes que você pode jogar praticamente para sempre. Ainda há muitas pessoas que jogam Skyrim, mesmo após todos esses anos e a ideia desses jogos perenes nos quais você pode simplesmente investir milhares de horas atingiu a indústria.

Antes, eram os MMOs para isso. World of Warcraft, há superfãs do World of Warcraft que nunca deixarão o jogo e então, de repente, jogos como o Skyrim e outros jogos de mundos abertos realmente atingiram seu ritmo de conteúdo suficiente para ultrapassar o ponto crítico de que você pode jogar quase para sempre. E então essa se tornou a grande tendência que atingiu a indústria de jogos.”

Crédito: Divulgação/Bethesda

Contudo, Shen acredita que agora essa característica tão adorada por muitos está saturando. “Agora estamos alcançando um ponto em que as pessoas estão cansadas, ou uma grande parte, uma crescente parte do público, está ficando cansada de investir mais de 30, mais de 100 horas em um jogo,” disse. “Porque eles já têm isso. Eles já têm os jogos aos quais voltarão continuamente e adicionar outro jogo a essa lista é uma tarefa difícil. É sempre uma tarefa difícil.”

Isso explicaria o sucesso que títulos mais curtos estariam fazendo recentemente, já que neles as pessoas podem aproveitar toda a campanha sem precisarem dedicar muito tempo e depois pular para outras experiências. Como exemplo, Will Shen citou o Jogo do Ano no Game Awards, Astro Bot, e o indie Mouthwashing, que ostenta 96% de aprovação no Steam.

Para Shen, esse tipo de jogo ainda tem potencial para trazer algumas vantagens para os desenvolvedores. “Você pode ter conversas da comunidade de fãs sobre um jogo que é muito mais curto, porque a brevidade permite que todos se envolvam totalmente com a plenitude do produto,” disse.

O terror low poly de Mouthwashing (Crédito: Divulgação/Wrong Organ)

“O Mouthwashing é um grande sucesso porque é curto,” explicou o game designer. “Há outros fatores nisso, a execução, você sabe, belas artes icônicas, todo esse tipo de coisas. Mas esse jogo não teria tanto sucesso se fosse mais longo e tivesse um monte de missões secundárias e conteúdo variado”

Tão habituado a trabalhar em grandes projetos, Shen disse que foi revigorante ver um título assim gerar tanto engajamento e justamente por permitir que as pessoas o experimentassem em sua totalidade, o que não quer dizer que ele mesmo pareça disposto a passar a apostar neste mercado.

Na Something Wicked Games Will Shen se juntou a profissionais vindos principalmente da BioWare, da Obsidian e da Bethesda, e por lá, a equipe está trabalhando no Wyrdsong, RPG que o fundador Jeff Gardiner descreveu como seu jogo dos sonhos. A expectativa dele é que a “independência e autonomia criativa” permita a criação da “próxima evolução dos RPGs de mundo aberto.”

Mas qual seria o tempo ideal para a duração de uma campanha? Pois acredito que não exista uma reposta correta para essa pergunta. Enquanto alguns títulos parecem acabar muito rápido, mesmo passando das 20 ou 30 horas, outros passam a impressão de durar uma eternidade, embora seu final possa ser visto antes de chegar a uma dúzia de horas.

Xbox Crédito: Reprodução/Anthony/Pexels

O problema, a meu ver, está em como os desenvolvedores nos ocupam durante o período em que estamos experimentando sua obra, com missões paralelas pouco criativas e variadas, necessidade de evoluirmos nosso personagem para termos alguma chance, ou a obrigação de coletar recursos contribuindo para tornar o progresso maçante.

Contudo, concordo com a afirmação de que hoje temos uma oferta muito grande de títulos e até por isso, há sempre alguma nova aventura nos chamando, algo sussurrando em nossos ouvidos que o próximo jogo sempre será melhor que o atual. Isso reforça essa sensação de que os jogos estão longos demais, desinteressantes demais, efêmeros demais.

Mas além das campanhas que parecem não ter fim, há ainda os títulos de sessões rápidas nos tentando. Um jogo de futebol onde poderemos esvaziar o cérebro durante algumas partidas, um Call of Duty clamando por mais um mata-mata, algum MOBA nos desafiando a manter nossa sequência de vitórias...

Se os jogos se tornaram longo demais, talvez até caiba alguma discussão. Agora, o que não há como questionar, é onde conseguimos tempo (e dinheiro) para aproveitar tudo o que gostaríamos e da maneira que os jogos, filmes, séries, livros, parentes, amigos e tudo o mais que nos cerca merecem.

Fonte: Gamespot

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