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Skyrim e mods pagos: a Bethesda não desiste!

Ao reformular programa Creation Club, Bethesda reforça vontade de lucrar com a venda de mods criados pela comunidade e desagrada alguns fãs

10 semanas atrás

O The Elder Scrolls V: Skyrim é um jogo fantástico, capaz de nos entregar centenas de horas de diversão, mas não há dúvida de que um dos principais motivos para ele se manter relevante, mesmo 12 anos após seu lançamento, são os mods. A Bethesda, ciente do quanto as modificações são importantes, continua tentando capitalizar em cima dessas criações.

The Elder Scrolls V: Skyrim

Crédito: Divulgação/Bethesda

A primeira tentativa neste sentido aconteceu em 2015, quando a desenvolvedora lançou um programa em que os modders poderiam vender as modificações através do Steam Workshop. Porém, a iniciativa foi tão mal recebida, que uma semana depois a Valve anunciou seu encerramento, inclusive devolvendo o dinheiro àqueles que adquiriram os mods.

Dois anos depois, a Bethesda mostrou que estava dedicada a lucrar com esse tipo de conteúdo e lançou o Creation Club. Embora a empresa jurasse que aquele não era um sistema de venda de mods, a prática mostrava o oposto, com as pessoas precisando gastar dinheiro real para adquirir tais modificações.

Contudo, mesmo com todas as críticas feitas em ambas as situações, o “Clube de Criação” da Bethesda continuou existindo — até ontem (05). Mas não pense que a desenvolvedora decidiu largar o osso. Na verdade, aqueles que continuam se dedicando ao Skyrim Special Edition agora possuem uma nova loja para modificar o jogo e novamente, a aceitação não tem sido boa.

Rebatizado como Bethesda Game Studios Verified Creator Program, a empresa afirma que essa é uma evolução do Creation Club, “tornando mais fácil para os criadores tanto criar, quanto lançar conteúdo,” explica o FAQ. Ainda segundo o estúdio, qualquer pessoa poderá enviar criações para serem distribuídas gratuitamente, mas apenas os membros verificados serão capazes de ter suas criações aprovadas para a venda.

Porém, aquilo que poderia ser visto como um passo adiante no sistema de venda de mods, na verdade tem sido tratado como um retrocesso. De um lado desta moeda temos quem afirma que essa repaginada apenas reacendeu a vontade da empresa em vender mods, já do outro está quem reclama de como a mudança fez com que muitas modificações simplesmente parassem de funcionar.

Crédito: Divulgação/Bethesda

No Reddit é possível encontrar muitas pessoas criticando a situação. “Que bela maneira de mostrar seu amor pela comunidade, ao quebrar os mods que ela está usando e cobrando por novos,” disse um usuário. Já outro declarou considerar incrível “como a indústria de jogos mata TUDO sobre jogar, mesmo com um jogo de 12 anos.”

Por lá também podemos encontrar várias pessoas afirmando que não comprarão o The Elder Scroll VI quando este eventualmente for lançado e outras defendendo que a solução para combater a Besthesda é recorrer à pirataria.

Medidas extremas — e provavelmente ditas da boca para fora — a parte, é inegável o quanto a desenvolvedora parece decidida a faturar com esse tipo de conteúdo. Vale citar que boa parte dos mods vendidos na loja do jogo foram criados por funcionários da própria Bethesda e que, independentemente de quem seja o autor, uma parte da venda acaba ficando com o estúdio.

Também não ajuda a mudança no Creation Club ter chegado com uma atualização que, além de trazer várias correções, fez com que os mods dependentes do Skyrim Script Extender deixassem de funcionar. As reclamações em relação a isso estavam se alastrando pelas redes sociais ou mesmo no fórum de discussões dedicados ao título no Steam, mas a equipe responsável pelo SKSE já implementou uma mudança que fez com que ele voltasse a funcionar.

O kit de criação do Skyrim (Crédito: Divulgação/Bethesda)

Para quem joga o The Elder Scrolls V: Skyrim no PC, algo como o Bethesda Game Studios Verified Creator Program (não conseguiram pensar em um nome menor?) pode até ser algo irrelevante. Nesta plataforma, a oferta de mods gratuitos é imensa, com milhares deles podendo ser encontrados em sites como o Nexus Mods.

Já para aqueles que jogam nos consoles e querem aproveitar alguma modificação paga, resta aceitar a estratégia da Bethesda e colocar a mão no bolso. Olhando o copo meio cheio, podemos dizer que graças ao Creation Club (ou seu sucessor), pelo menos temos acesso a mods nos videogames ou que nem tudo o que está disponível na tal loja exige um pagamento.

Contudo, como uma pessoa que sempre teve uma grande admiração pelo fantástico trabalho realizado por aqueles que se dispõem a modificar jogos, não consigo deixar de lamentar a ideia de cobrar por esse tipo de criação.

Uma solução para quem não quer ter que lidar com o Creation Club seria adquirir o jogo no GOG, onde ele não está disponível. Isso, ou simplesmente ignorar sua existência, já que o título pode ser plenamente aproveitável sem os mods vendidos por lá, principalmente quando se trata da versão para PC.

The Elder Scrolls V: Skyrim

Crédito: Divulgação/Bethesda

Logo, talvez o problema não seja tão grave, mas isso não significa que eu concorde com a prática da Bethesda. Do alto da minha ingenuidade, sempre acreditei que nada poderia ser melhor para uma empresa do que ver seus títulos ganharem uma sobrevida por causa das modificações e repito, se o Skyrim continua sendo aproveitado até hoje, muito disso deve ser creditado aos mods.

No entanto, imagino que lá pelos lados da Bethesda, os executivos tenham chegado à conclusão de que uma possível arranhada na imagem por tentar monetizar as modificações seria recompensada com o lucro. Digo isso porque não acredito que a empresa tenha optado por esse caminho apenas pensando em garantir que os modders fossem recompensados pelo seu trabalho.

Enfim, a Bethesda é uma desenvolvedora que adoro, considero o The Elder Scrolls V: Skyrim um dos melhores jogos que já experimentei, mas talvez a melhor definição para essa situação tenha sido dada por um usuário do Reddit conhecido como Mythril_Zombie:

“Lance uma porcaria bugada.
Coloque os jogadores para arrumá-la.
Pegue uma parte daquilo pelo que as pessoas pagaram para consertá-la.
Fantástico.”

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