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Halls of Torment — Sobrevivendo no inferno

Conheça o Halls of Torment, jogo que aproveita a ideia de autoshooters como Vampire Survivors e nos leva para uma aventura com visual do primeiro Diablo

1 ano e meio atrás

Quando em 2022 Luca “Poncle” Galante lançou o Vampire Survivors, ele não sabia disso, mas estava iniciando uma febre. Ao conquistar milhões de admiradores, sua criação serviria como inspiração para diversos jogos e entre eles estava o Halls of Torment, título que tentaria se diferenciar dos demais pela sua estética baseada no primeiro Diablo.

Halls of Torment

Crédito: Divulgação/Chasing Carrots

Desenvolvido pela Chasing Carrots, Halls of Torment chegou ao Steam em sua versão final em setembro de 2024 e nele teremos um objetivo relativamente simples: descer aos Salões do Tormento e sobreviver por lá durante 30 minutos. O problema é que durante esse tempo precisaremos enfrentar seguidas hordas de monstros, além de alguns subchefes e se possível, ainda realizar algumas missões que nos ajudarão no futuro.

Contudo, se você nunca jogou algo como o Vampire Survivors, estilo de jogo que alguns se habituaram a chamar de autoshooter, vale uma breve explicação sobre como eles funcionam.

Neles começaremos com um personagem quase inofensivo, em um mapa aberto em que poderemos nos mover para qualquer direção. Então, a cada inimigo abatido poderemos coletar itens largados por eles e que nos garantirão mais experiência, o que consequentemente nos permitirá subir de nível.

Até aí, nada de muito diferente de um RPG, mas o que torna jogos desse gênero tão atraentes são dois detalhes. O primeiro deles é que a cada subida de nível teremos que escolher o que melhorar no personagem, como torná-lo mais rápido, mais forte ou adquirir uma nova habilidade. Já a segunda característica está na palavra auto, escolhida para nomear esse subgênero.

Isso porque, em um jogo assim, não precisaremos apertar um botão para disparar — embora o Halls of Torment nos dê a opção de jogar "manualmente", o que considero meio sem sentido. Ou seja, bastará ao jogador mover o personagem para tentar desviar dos inimigos, enquanto o herói realizará os ataques para a direção que escolhermos. A ideia pode soar sem graça e até fácil demais, porém, não se deixe enganar.

Crédito: Divulgação/Chasing Carrots

Bebendo de várias fontes, os autoshooters podem ser comparados aos shoot 'em ups do estilo bullethell e se você já jogou algum deles, sabe que haverá pouco espaço para desviar das investidas inimigas. E em um jogo como o Halls of Torment, não serão poucas as vezes em que você mal conseguirá ver onde está seu personagem, devido a quantidade de monstros enchendo a tela.  

Também vale mencionar os elementos roguelike que títulos assim costumam adotar. No jogo da Chasing Carrots funciona assim: mesmo que você consiga sair vivo dos salões, não importa as habilidades que adquirir por lá. A única coisa que poderemos manter será o ouro recebido de acordo com o nosso desempenho e com ele poderemos adquirir alguns itens enquanto estivermos nos preparando para novas incursões.

Aliás, não fui muito correto ao dizer que apenas o ouro poderá ser mantido. Após resgatarmos um determinado personagem, ele servirá como um comerciante, mas para que sua “loja” tenha itens à venda, teremos que lhe enviar botas, luvas, armaduras, capacetes e anéis que encontrarmos ao usar um poço localizado em cada fase. Assim, ao voltarmos à superfície poderemos usar o ouro para garantir aquele item, que só precisará ser adquirido uma vez.

Algo interessante em Halls of Torment é que ele está sempre tentando se aproximar dos RPGs, mais precisamente do Diablo. Isso fica claro na sua estética, com cenários pré-renderizados e textos em baixa resolução, mas também na própria estrutura, que nos permite equipar os personagens certos itens ou nas muitas classes oferecidas. Ao todo, o jogo nos dará 11 personagens, cada um com suas virtudes e pontos fracos.

Halls of Torment

Crédito: Divulgação/Chasing Carrots

Só para citar alguns exemplos, enquanto o clérigo poderá causar aflição nos inimigos, aumentando assim o dano que sofrem, o nórdico poderá reduzir seus movimentos com o congelamento e a feiticeira atingirá diversos inimigos com uma corrente de raios. Isso traz uma variedade interessante ao jogo, nos incentivando a testar cada herói que desbloquearmos para assim sabermos quais se encaixam melhor em cada situação.

Quantos aos estágios disponíveis, são apenas seis, mas como eles contam com algumas missões para serem realizadas e itens para serem coletados, será preciso fazer mais de uma descida. Além disso, dependendo do personagem que escolhermos, as fases se mostrarão mais ou menos difíceis.

Confira a abaixo a lista de conteúdo divulgada pelos desenvolvedores:

  • 6 fases com ambientações únicas
  • 11 personagens jogáveis e marcas de personagem
  • 25 bênçãos que te deixam mais forte a cada partida
  • 60 itens diferentes para você obter e desbloquear
  • 240 variantes raras de item
  • 74 habilidades e melhorias de habilidade
  • 30 artefatos para personalizar sua experiência de jogo
  • 35+ chefões únicos
  • 70+ inimigos únicos
  • 500+ missões
  • 1000+ atributos que oferecem melhorias a personagens e habilidades
Halls of Torment

Crédito: Divulgação/Chasing Carrots

Outro ponto que ajuda a aumentar o fator replay é que o Halls of Torment ainda conta com 500 conquistas e por isso veremos diversas delas sendo desbloqueadas conforme jogamos. Por outro lado, aqueles que adoram caçar esses feitos terão que dedicar um bom tempo caso queiram desbloquear todos.

Contudo, nem tudo no jogo merece elogios. Além da pequena quantidade de estágios, eles quase não influenciam na jogabilidade, servindo mais como apenas uma variação visual. Essa variedade se dá mais pelos monstros que encontraremos pelo caminho, mas o mesmo não pode ser dito dos chefes. No geral, teremos apenas que desviar dos seus ataques — que são muito parecidos entre si — e fazer o possível para não ficarmos cercados pelos outros monstros.

Algo que também me incomodou foi a dificuldade apresentada. Mesmo tendo durado apenas poucos minutos em algumas tentativas, bastou encontrar o personagem correto para cada estágio para conseguir vencê-lo sem muitos problemas. Aqui, o maior desafio estará quando começarmos uma fase, já que os personagens podem se tornar muito poderosos rapidamente, com os monstros quase não conseguindo nos atingir.

Crédito: Divulgação/Chasing Carrots

Isso não quer dizer que Halls of Torment seja o equivalente a um passeio no parque. A verdade é que a perseverança nos dará melhor condições de prever os ataques inimigos e aos poucos entenderemos como nos fortalecer mais rapidamente. Isso passa por um “estudo” das diversas estatísticas do nosso personagem, como força, defesa, área de ataque, velocidade de disparos, etc.

Mas independentemente de sofrer nas primeiras incursões ou dominar o jogo rapidamente, a criação da Chasing Carrots provavelmente lhe conquistará já na primeira ou segunda partida. Ver o nosso herói se tornando cada vez mais forte e a vontade de ver como os outros se comportam no campo de batalha funciona como um poderoso ímã, que estará sempre nos chamando para mais uma tentativa.

Mesmo sem trazer grandes inovações, Halls of Torment é um título que entrega personalidade própria e principalmente, é tão ou até mais divertido que aquele que o inspirou. Para quem procura uma experiência que pode ser aproveitada em sessões curtas, que consiga oferecer um desafio razoável e com bastante conteúdo, dificilmente encontrará um custo x benefício tão bom (fora de promoção ele sai por apenas R$ 19,99).

E caso ainda esteja na dúvida, vale a pena dar uma chance à demo disponível no Steam.  

Variações de um mesmo vício

Se você gostou do Vamipre Survivors e gostaria de conhecer outros títulos no mesmo estilo, o sucesso do jogo de Galante já deu origem a diversos “imitadores”. Pois um que se escorou numa poderosa franquia é o Pathfinder: Gallowspire Survivors.

Também aproveitando elementos de RPGs, o título do BKOM Studios conta com apenas três classes de personagens, mas uma das maiores reclamações daqueles que o jogaram está mesmo no apelativo grind necessários para conseguirmos avançar.

Outro que procurou explorar uma marca já estabelecida é o Deep Rock Galactic: Survivor. Com 86% de avaliações positivas no Steam, ele ainda se encontra como em Acesso Antecipado, mas já dá bons sinais de que nos manterá entretidos por muito tempo.

Deep Rock Galactic: Survivor (Crédito: Divulgação/Funday Games)

Por fim, se você prefere um autoshooter com uma temática bem diferente, conheça o Karate Survivor. Também com ótima avaliação na loja da Valve, aqui a sobrevivência será inspirada nos filmes de artes marciais dos anos 80, com os monstros e seres sobrenaturais dando lugar a lutadores mal-encarados.

Mas além da facilidade em nos fisgar, sabe o que é o melhor em relação a esse subgênero? É que na maioria dos casos, o preço cobrado por tais títulos costumam ser bem baixo e como eles podem render várias horas de diversão, a sensação de termos acertado na compra é garantida.

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