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Left 4 Dead: do Counter-Strike ao Redfall

Modder publica mapa para o Counter-Strike que serviu como embrião para o Left 4 Dead e diretor do Redfall diz que jogo não será tão parecido com o de zumbis

09/01/2023 às 10:05

Eu não lembro exatamente quando a série Left 4 Dead me conquistou, mas sei que foi já no segundo jogo e que desde então passei a adorá-la. Ainda hoje considero que nenhum outro jogo conseguiu entregar uma experiência cooperativa tão divertida e por isso muitas vezes fico fascinado com as histórias que cercam sua criação — ou pelos jogos que se baseiam naquele excelente FPS.

Left 4 Dead

Crédito: Divulgação/Valve

Talvez você nem saiba disso, mas a ideia do primeiro Left 4 Dead não surgiu na Valve e sim na Turtle Rock Studios. Após trabalharem na criação do Counter-Strike: Condition Zero, funcionários da desenvolvedora queriam partir para novos projetos e uma das propostas era um jogo de terror que usaria a narrativa típica dos títulos single-player, mas com elementos de multiplayer, especialmente o fator replay.

Então, enquanto trabalhava nos bots para o Counter-Strike: Source, a equipe se viu passando um bom tempo enfrentando hordas de inimigos equipados apenas com facas, enquanto os jogadores formavam pequenas equipes para se protegerem dos ataques realizados pela inteligência artificial. Surgiu ali a ideia de desenvolver uma modificação para o jogo, o que eles batizaram de Terror-Strike.

Servindo como um embrião para o que anos depois ficaria conhecido como Left 4 Dead, o estúdio passou a enxergar muito potencial no que eles tratavam como um “co-op vs jogo de hordas”. Na época ainda não existiam os infectados especiais ou muitos dos elementos que se tornaram marca registrada da série, mas a essência da luta pela sobrevivência já podia ser vista.

Tirando algumas imagens publicadas em 2006 por uma revista especializada, o protótipo do que se tornaria uma das marcas mais fortes da Valve só havia sido visto por aqueles que trabalharam na editora. Porém, graças o trabalho de um modder conhecido como WolfCl0ck, agora um dos mapas utilizado pela Turtle Rock Studios naquele projeto pode ser baixado e jogado por qualquer pessoa que queria experimentar o início dessa história.

Tentando manter esse lançamento o mais perto possível do original, ele apenas corrigiu algumas texturas, adicionou uma malha de navegação e uma descrição para o estágio. Como pode ser visto no vídeo abaixo, o trabalho realizado pelo estúdio na época ainda era bastante rudimentar, mas serve para termos a certeza de que para chegarmos a algo grandioso é preciso darmos os primeiros passos.

Após ser adquirida pela Valve e voltar à independência em 2010, a Turtle Rock Studios tentaria repetir o sucesso do Left 4 Dead com o Evolve e mais recentemente, com o Back 4 Blood. Já outra que parecia estar seguindo pelo caminho pavimentado por aquele jogo de zumbis é a Arkane e o seu promissor Redfall, mas o diretor de criação Ricardo Bare tratou de refutar essa possibilidade.

Anunciado durante a E3 de 2021, ele foi descrito como um jogo de mundo aberto que se passaria na fictícia ilha que empresta nome ao título, localizada em Massachusetts. Nele até quatro pessoas teriam que unir forças para lutar contra uma invasão de vampiros que tomaram o lugar após um experimento científico que não deu certo.

“É totalmente compreensível que alguém chegue a essa conclusão,” afirmou Bare ao ser questionado sobre a semelhança com a série Left 4 Dead. “Há quatro personagens jogáveis, vocês podem jogar juntos cooperativamente e enfrentar mortos-vivos. Mas em termos da maneira com que joga e experimenta o Redfall, não é nada como esses jogos. O Redfall é mais como o Far Cry.”

O diretor seguiu dando sua explicação para a comparação com a franquia da Valve não ser precisa, alegando que no título deles teremos um mundo aberto para ser explorado e uma base onde poderemos conversar com NPCs para pegarmos novas missões paralelas ou iniciarmos as principais. Contudo, não espere um mapa tão grande quanto nos títulos da Ubisoft.

Mas se uma região não tão vasta pode desagradar alguns, inclusive com o Redfall nem contando com veículos para serem pilotados, Bare defende que isso tornará a experiência mais intensa, sem tantos lugares vazios como costumamos ver em jogos assim. “Queremos você rastejando por um milharal durante a noite em um nevoeiro, ouvindo o sussurrar dos vampiros na escuridão,” disse o game designer. “Talvez você veja uma casa de fazenda à distância, apenas para descobrir que ela está cheia de cultistas e com alguns sobreviventes presos que poderão ser salvos.”

Parece um Left 4 Dead 3, mas é Redfall (Crédito: Divulgação/Arkane Studios)

Confesso que não estava esperando que a mecânica do jogo seria tão diferente daquela que conheci no Left 4 Dead, mas como também gosto muito da série Far Cry e de jogos com mundos abertos, gostei da proposta. Se a Arkane conseguir fazer com que a jogabilidade funcione bem no coop, acredito que o Redfall poderá se tornar um queridinho entre aqueles que gostam de jogar com amigos.

Lembrando que algo assim deu muito certo no Dying Light e embora o diretor do estúdio, Harvey Smith, tenha preferido descrever sua criação como uma mistura de Far Cry 2 com S.T.A.L.K.E.R., estou perigosamente empolgado com o título que deverá chegar ao PC e Xbox Series S|X ainda no primeiro semestre de 2023.

Fonte: GamesRadar+

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