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Google Stadia enfrenta diversas críticas após lançamento

Acessórios com atraso, promessas de resolução não cumpridas e Chomecasts superaquecendo: o Google Stadia não teve uma primeira semana das melhores

26/11/2019 às 11:00

O Google Stadia foi lançado dia 19 de novembro nos Estados Unidos e em mais 13 países, mas sua chegada não foi das melhores: o serviço de streaming de jogos pela internet enfrentou nos primeiros dias uma série de problemas, desde promessas não cumpridas a danos severos causados em dispositivos dos usuários.

Google / Google Stadia

O Google, através do VP Phil Harrison, responsável pelo projeto (figura não muito querida pelos gamers, principalmente por seu histórico de promessas quebradas em passagens pela Sony, Gaikai e Microsoft) prometeu que assinantes do plano Stadia Pro (US$ 9,99/mês) poderiam apreciar jogos rodando em 4K a 60 fps, dependendo apenas da qualidade de conexão para a entrega.

Harrison foi enfático ao dizer que todos os jogos no lançamento do Stadia rodariam em resolução e framerate máximos, com a conexão do usuário agindo como um filtro: se a banda não fosse suficiente, a qualidade do jogo seria derrubada para priorizar a jogabilidade. No entanto, não é bem o que vem acontecendo.

Google Stadia prometeu 4K e 60 fps em todos os jogos

Quando do lançamento, o site The Verge verificou que Destiny 2 rodava em uma qualidade inferior à vista em consoles de mesa, e ao questionar a Bungie, a desenvolvedora admitiu que o jogo roda em 1080p e sofre upsampling para 4K, com a aplicação de "uma série de técnicas" para melhorar a qualidade final. No entanto, os resultados são inferiores aos prometidos.

Não obstante, o jogo roda em configurações medianas, com detalhes e elementos de menos.

Bungie / Destiny 2 no Google Stadia (acima) e no Xbox One X (abaixo)

Destiny 2 no Google Stadia (no alto), em 4K com upsampling, e no Xbox One X (abaixo), em 4K real

Destiny 2 não é o único jogo em uma resolução inferior à prometida: o Digital Foundry verificou que Red Dead Redepmtion 2 roda a 1440p e 30 fps na fonte, sofrendo upscaling para 4K durante as partidas, Já o site PC Gamer entrou em contato com a Ubisoft sobre seus títulos, com esta respondendo apenas sobre Assassin's Creed Odyssey.

Neste título, em específico, a desenvolvedora usa uma técnica de "resolução dinâmica com antialiasing temporal", com foco em uma taxa de quadros constante. Assim, a resolução irá variar de acordo com a conexão do usuário, sendo derrubada do 4K quando for necessário garantir a fluidez do jogo.

O Google se defendeu das acusações de promessas não cumpridas jogando a culpa nos desenvolvedores. Em nota oficial, a companhia disse o seguinte:

Nós damos aos desenvolvedores a liberdade de obter a melhor qualidade de imagem e taxa de quadros no Stadia (...). Esperamos que muitos desenvolvedores possam continuar melhorando seus jogos no Stadia, e na maioria dos casos isso irá acontecer; como o Stadia vive em nossos data centers, eles podem inovar rapidamente.

O Stadia faz streaming em 4K a 60 quadros por segundo, e isso inclui todos os aspectos do nosso pipeline gráfico do jogo para a tela: GPU, codificador e Chromecast Ultra têm saída em 4K para TVs 4K se a conexão à internet for adequada.

Google / Phil Harrison / Google Stadia

Phil Harrison mentiu de novo? (Créditos: Google)

Por mais que esteja evidente que os desenvolvedores detenham parte da culpa, o Google jurou de pés juntos que o Stadia entregaria jogos em 4K a 60 fps no lançamento, o que não aconteceu. Dessa forma, muita gente está associando o fiasco inicial da plataforma novamente a Phil Harrison, especificamente sua suposta mania de prometer e nunca cumprir.

Latência e input lag

Esses não foram os únicos problemas envolvendo a entrega da qualidade prometida nos jogos: muitos usuários reclamam severamente da latência dos títulos, mesmo em conexões ultrarrápidas, em que as respostas dos comandos sofre atrasos severos, quase beirando meio segundo (ou até mais) entre acionar uma tecla e a execução em tela. Para jogos competitivos, como FPS ou títulos de luta, como Mortal Kombat 11 (presente na plataforma), tal problema é inaceitável.

No vídeo abaixo, o repórter Gene Park do The Washington Post demonstra os problemas de input lag (atraso na execução dos comandos) do Stadia em Destiny 2. Lembre-se que latência e velocidade de conexão não estão diretamente ligados e uma rede veloz não é garantia de uma jogatina sem atrasos nos comandos.

Por essas e outras que Yoshinori Ono afirmou que Street Fighter V não será lançado para o Stadia, ao menos não por enquanto, pois a Capcom não pretende prejudicar a experiência dos jogadores no PS4 e PC (o título é cross-play e a comunidade é uma só).

Cadê o controle?

Outra gafe do Stadia diz respeito aos acessórios prometidos para o dia 1, especialmente o Stadia Controller, o joystick dedicado que chegaria para quem não adquiriu o pacote de fundador antecipadamente. O problema, é que tanto o controle quanto outros acessórios não ficaram prontos a tempo, e no caso do Stadia Controller, ainda não há uma data de envio definida.

Google Stadia Controller

Por enquanto, os usuários terão que se virar com o teclado do computador ou outros joysticks. Em alguns casos isolados, há usuários que sequer receberam o Founders Edition a tempo do lançamento, kit que traz um controle, três meses do Stadia Pro com Buddy Pass e um Chromecast Ultra.

Falando no dongle...

I'm too hot for my Chromecast

O acessório, necessário para reproduzir conteúdo em 4K em uma TV (e que nunca veio para o Brasil) corta um dobrado para dar conta da nova função e, segundo alguns usuários, não está dando conta. De acordo com o site CNN Business, postagens no Reddit apontam que o dongle fica quente ao toque após 10 minutos de streaming do Stadia.

Com algumas horas de uso, o acessório aquece tanto que desliga automaticamente, de modo a se preservar (como todo eletrônico que se preze). Ao menos por enquanto não há relatos de Chromecasts queimados, mas se o problema realmente ocorre, não deve demorar para o primeiro caso aparecer.

O Google nega que o superaquecimento esteja causando o desligamento de Chromecasts Ultra. Em nota ao site, a gigante das buscas afirma que a superfície do dongle "pode aquecer conforme o uso", mas isso é esperado "e o acessório funciona como projetado". A mesma posição é defendida por funcionários da divisão Stadia, que respondem aos questionamentos dos usuários no Reddit.

Essa coletânea de tropeços, na primeira semana, está prejudicando bastante a imagem do Stadia como um todo. A percepção geral é de que o serviço ainda é um grande Beta que foi vendido como final, mas que pode (e deve, se o Google tiver interesse em mantê-lo) melhorar com o tempo. A recomendação dos especialistas é que os interessados esperem pelos próximos meses e não banquem o early adopter, ou vão se estressar muito.

Assim, pode ser que no futuro vejamos um Stadia funcionando melhor e em mais países, como no Brasil, isso se a plataforma não for mandada para o Cemitério do Google em algum momento.

Em entrevista a Geoff Keighley durante a E3 2019, Phil Harrison disse que "o Google está comprometido" com o Stadia, mas em se tratando da empresa e de quem fez tal afirmação, é compreensível que todo mundo esteja com os dois pés atrás.

Com informações: The Verge, Eurogamer, PC Gamer, CNN Business

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