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Após morte do Stadia, Gunsport renasce no Steam

Para contornar o fim do Stadia e o desaparecimento do jogo, criadores do Gunsport recorrem a uma saída engenhosa: o sistema de betas do Steam!

19/01/2023 às 9:52

Apenas três anos após o seu lançamento, o Google Stadia não está mais entre nós e para um serviço que poderia ter facilitado muito o acesso do público aos games, esse fim prematuro é lamentável. Além disso, alguns títulos disponibilizados com exclusividade podem desaparecer e um que teria este trágico destino é o Gunsport.

Crédito: Divulgação/Google

Tendo estreado no serviço de streaming do Google em 2020, a criação da Necrosoft Games pode ser descrita como uma espécie de jogo de vôlei futurista, onde os jogadores utilizam armas para rebater a “bola” para o lado adversário. Por se tratar de um exclusivo, o acesso a ele acabou se tornando limitado e para boa parte dos interessados, a oportunidade de experimentar o jogo só surgiria dois anos depois.

Isso porque o estúdio lançou o Hyper Gunsport, continuação disponibilizada para Nintendo Switch, Xbox One, PlayStation 4 e Steam. Pois foi na plataforma da Valve que a desenvolvedora encontrou uma maneira de manter o primeiro jogo funcionando.

Usando sua conta no Twitter, o pessoal da Necrosoft Games publicou uma mensagem explicando como fazer para termos acesso ao título que, se não fosse por essa brecha encontrada, simplesmente desapareceria.

“O Stadia encerrará amanhã (18). Isso significa que todos os exclusivos, como o Gunsport original, deixarão de existir. Mas! Como nos preocupamos com a preservação do jogo, fizemos uma versão offline do Gunsport na versão Steam do Hyper Gunsport, através do canal beta.

Qualquer pessoa que comprou o Hyper Gunsport no Steam já tem acesso a ele se quiser compará-los e ver as diferenças. É offline e sem as amarras do Stadia, mas pelo menos ele existe! Escolha o beta e digite OriginalGunsport para desbloqueá-lo.”

O estúdio tem sido bastante elogiado pela iniciativa, já que com ela conseguiram manter o jogo funcionando e ainda presentearam todos que já possuíam a continuação. Outra empresa que também merece ser reconhecida é a Valve, por oferecer um recurso que normalmente serve para testarmos versões preliminares dos jogos, mas que acabou se mostrando útil até para a preservação da história.

Gunsport

Gunsport (Crédito: Divulgação/Necrosoft Games)

O caso do Gunsport reacende o debate sobre o quanto estamos vulneráveis ao adotarmos um serviço online como plataforma de jogos ou nos dedicarmos a títulos que funcionam exclusivamente desta maneira. Recentemente vimos a Square Enix anunciar o fechamento das cortinas para o Babylon's Fall, título que não permanecerá nem um ano funcionando.

Porém, a situação do Stadia é ainda pior, já que com o fim do serviço perdem-se alguns jogos que não estão disponíveis em outras plataformas. Isso aconteceu, por exemplo, com o PixelJunk Raiders, o Outcasters e o Pac-Man: Mega Tunnel Battle, sem previsão para eles serem disponibilizados de outras formas e a justificativa normalmente é de que tais jogos foram criados pensando na tecnologia oferecida pelo Google.

Mesmo não se tratando de jogos que fizeram muito sucesso ou que chamaram a atenção pelo alto nível de qualidade, os seus desaparecimentos ainda precisam ser lamentados. Para uma mídia que sempre se esforçou para ser reconhecida como forma de arte, uma obra deixar de existir é algo que não deveria acontecer, mas este é o amargo efeito colateral que a internet nos trouxe.

Também me incomoda ver pessoas defendendo a Gigante de Mountain View pela maneira “correta” como ela se despediu do Stadia. Para alguns, o fato de os usuários terem a oportunidade de transferir seus saves, receberem reembolso pelos jogos que compraram ou poderem utilizar o controle em outras plataformas foi uma espécie de favor feito pela companhia, quando, no fundo, eles não fizeram mais do que sua obrigação.

Talvez isso seja o reflexo do quão maltratados somos por grandes corporações, mas agradecer por termos sidos avisados três meses antes do serviço deixar de existir ou por o Google não recolher os aparelhos após reembolsar quem pagou por eles? Me desculpe, mas não consigo ver isso como um motivo para tanta comemoração.

Crédito: Reprodução/Moises Gonzalez/Unsplash

Enfim, o pior é saber que o desaparecimento de jogos é algo que não se encerrará com o Stadia e nem estou me referindo aos outros serviços de jogos por streaming. Com a distribuição digital ocupando uma fatia cada vez maior do mercado, sabemos ser apenas uma questão de tempo até que os servidores sejam desligados. A Nintendo já fez isso com suas plataformas mais antigas e a Sony foi outra que anunciou algo semelhante, mas recuou devido à onda de reclamações que se seguiu.

Fatalmente chegará o dia em que algum executivo decidirá que passou da hora deles pararem de gastar dinheiro com algo que não lhes dá retorno e quando isso acontecer, estarei por aqui novamente lamentando sobre como as empresas pouco se importam com o passado. Até lá, nos resta tentar aproveitar os jogos enquanto podemos e pensar no quão efêmeros os videogames estão se tornando.

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