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The Surge 2 — Review

The Surge 2 chega com a missão de superar seu antecessor em todos os aspectos, o que inclui corrigir boa parte de suas falhas

23/09/2019 às 19:01

The Surge 2 é a segunda tentativa da Deck13 Interactive em criar um jogo Souls-like futurista, apostando na temática para trazer novas ideias ao gênero. O jogo original de 2017, embora divertido, não conseguiu atender às expectativas, o que levou a desenvolvedora a apostar alto em sua sequência, que chega apenas dois anos depois.

Focus Home Interactive / The Surge 2

The Surge 2, ou Cyber Souls

A trama de The Surge 2 não é diretamente ligada aos eventos do primeiro jogo, embora fique claro que Warren conseguiu dar fim ao surto ocorrido na fábrica da CREO. Aqui, o jogador assume o controle de um passageiro que estava em um avião a caminho de Jericho City, que caiu por motivos não explicados.

O protagonista acorda duas semanas depois em uma cidade que foi para a cucuia, onde uma "infecção" (que pode ou não ser a mesma de The Surge) deixou a maioria das pessoas loucas.

Os poucos que sobreviveram procuram salvação nos implantes cibernéticos, como forma de evitar a contaminação, o que divide a cidade em facções: os seguidores do profeta Eli, que deseja se entregar às máquinas, os coletores de sucata, geralmente todos malucos e um pequeno grupo de oficiais da lei, que também não são nada bonzinhos.

Sem falar nas máquinas per se, todas querendo arrancar o seu couro.

Focus Home Interactive / The Surge 2

Diferente do primeiro The Surge, aqui não temos um personagem pré-definido como Warren e sim um sistema de customização, onde você pode criar seu avatar livremente, do gênero a cor de pele, olhos, roupas, formato do rosto e ocupação. Pode ser um detalhe menor, mas quem gosta de se ver imerso na aventura aprecia esse tipo de orientação.

A jogabilidade repete os elementos vistos nos títulos da From Software, como a franquia Souls, Bloodborne e Sekiro: Shadows Die Twice, elevada e com um sistema extremamente punitivo, que remove toda a sucata (a moeda do jogo) do jogador quando ele morre.

No entanto, o jogador tem um tempo limite, geralmente em torno de 2 minutos para voltar ao local e recuperar o que perdeu. Isso deixa as coisas ainda mais difíceis, dependendo de quanta grana foi derrubada e quantos e quais inimigos estiverem pelo caminho.

Acredite, você vai apanhar muito até dominar as mecânicas e ficar mais forte.

Mega Man encontra Mad Max

Focus Home Interactive / The Surge 2

Assim com em The Surge, a sequência usa um conceito próprio de upgrade e loot. Você começa com um exoesqueleto sem nada especial e precisa coletar armas e partes de armadura, derrotando e desmembrando seus oponentes sem cerimônia. Você consegue esquemas de lanças, porretes, machados e melhorias do exoesqueleto, como braçadeiras, perneiras, peitorais e capacetes.

Tudo isso consome sucata, exige níveis altos e consequentemente mais de energia de seu núcleo, o que limita a quantidade de upgrades que você equipar por vez. Há também implantes, que você pode equipar para habilitar efeitos diversos, desde um indicador na tela que mostra de que lado virá o ataque do oponente, a outro que aumenta a potência do núcleo, permitindo o uso de melhores equipamentos.

O conceito é o mesmo do jogo anterior: mire na parte do corpo que você deseja coletar, bata até o comando de finalização aparecer e desmembre a parte desejada. O item varia entre armas prontas, para equipar ou desmontar, materiais de criação ou esquemas de partes do exoesqueleto.

Focus Home Interactive / The Surge 2

Há bastante coisa a fazer, desde explorar o enorme mapa de Jericho City a investigar o que aconteceu com a cidade, qual a relação do surto com a queda do seu avião e as estranhas visões que o protagonista tem de uma garota, que aparentemente possui poderes especiais.

Diversos NPCs oferecerão missões que podem ser revertidas em mais sucata e equipamentos, itens essenciais para se manter vivo até o fim.

O combate é brutal. Mesmo o capanga mais básico é capaz de eliminá-lo em um instante, ainda mais se você de repente for cercado por um grupo de três ou quatro inimigos. É nesse momento em que a IA de The Surge 2 brilha: os oponentes passam a agir de forma organizada e sincronizada, como uma matilha de lobos cercando uma presa (você), ao invés de todos se lançarem para cima de uma vez.

A IA aprende com seu comportamento e pode, por exemplo, enviar dois inimigos com armas curtas, deixando um próximo e outro fechando uma possível rota de fuga, enquanto um terceiro se mantém à distância (muitas vezes fora de seu alcance) atacando com armas de fogo ou coquetéis Molotov.

Cabe ao jogador equipar os melhores conjuntos de armas, equipamentos e acessórios para o drone, saber explorar o cenário e claro, não marcar bobeira e arriscar perder todo o seu progresso, voltando para último save point e tendo que refazer todo o caminho para pegar a grana perdida, arriscando morrer outra vez.

Tecnicamente, The Surge 2 é bem melhor que o primeiro, com gráficos mais limpos e uma boa trilha sonora, mesmo em consoles. Claro que no PC o nível de detalhes é bem maior, mas não espere por um jogo feio. Ele só não é nenhum deslumbre visual ou sonoro, apenas... Certo.

Este talvez ainda seja o ponto fraco da franquia: ele não se destaca na parte visual a ponto de chamar a atenção, mesmo trazendo elementos bem originais para o gênero Souls-like. Junte a isso bugs estranhos, como inimigos que somem, entram em paredes ou que do nada ficam presos, erros que podiam ser facilmente corrigidos, visto que eles já estavam presentes em The Surge.

Focus Home Interactive / The Surge 2

Conclusão

The Surge 2 não é um jogo que vai chamar a atenção do público que gosta de um desafio alto, pelo menos não no mesmo nível de Sekiro: Shadows Die Twice, mas ele é justo no que se propõe a fazer. Ele entrega uma dificuldade elevadíssima e mantém a identidade da franquia, com sua pegada de apocalipse robótico.

O que merece realmente destaque é a solução elegante da Deck13 Interactive ao introduzir uma IA adaptativa, que aprende com os métodos do jogador e traça estratégias para derrotá-lo, ao ponto de fazer os adversários organizarem ataques coordenados. Isso é algo que eu gostaria de ver em mais jogos.

Na minha opinião, The Surge 2 é uma ótima opção de um jogo Souls-like diferente, que sana os problemas do original e mesmo com alguns bugs evitáveis, não perde o brilho. Ele pode não ser absurdamente bonito, mas fica claro que o estúdio se focou onde mais importava, o desafio e a customização do personagem.

Se você gosta de sofrer e adora ter opções para trucidar e desmembrar inimigos, então The Surge 2 vai te divertir por um bom tempo.

The Surge 2 — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS4, Xbox One e Windows (análise baseada na versão para PS4 Pro);
  • Desenvolvedora — Deck13 Interactive;
  • Distribuidora — Focus Home Interactive;
  • Preço — R$ 249,90 para PS4, R$ 184 para Xbox One e R$ 129,90 para Windows;
  • Classificação Indicativa — 18 anos.

Pontos Fortes

  • Grande quantidade de opções de customização, inclusive do personagem-base;
  • Dificuldade elevada, na medida para os fãs de jogos Souls-like;
  • Inteligência artificial adaptativa, com inimigos mais espertos do que a média.

Pontos Fracos

  • Bugs bobos e facilmente evitáveis.

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