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Obsidian, bugs e a prejudicial pressão das editoras

De acordo com diretor da Obsidian, se os jogos mais antigos do estúdio estavam repletos de bugs, a culpa deve ser credita a pressão feita pelas editoras.

06/06/2019 às 8:40

Quando se trata de jogos independentes, a primeira coisa que passa pela minha cabeça é o retorno de gêneros que andavam esquecidos ou títulos que ao menos tentam fugir do lugar comum, trazendo inovações que dificilmente aconteceriam se eles estivessem sob o controle de uma grande editora.

Porém, existe outro detalhe que também pode beneficiar estúdios que atuam “por conta própria”, que é um maior tempo para o desenvolvimento e consequentemente a diminuição de bugs no produto final. Quem falou um pouco sobre isso foi Josh Sawyer, diretor de design da Obsidian Entertainment e que ao ser questionado sobre o motivo para os últimos jogos da empresa parecerem mais polido, deu a seguinte resposta:

Com o Pillars [of Eternity] e o [Pillars of Eternity II:] Deadfire, nós demos a última palavra sobre a data de lançamento. Em ambos os casos, quando chegaram os momentos finais, decidimos atrasar o lançamento dos jogos por alguns meses. Isso pode fazer uma grande diferença.

Nós não somos totais idiotas. Sabemos que temos uma reputação por jogos bugados. E apesar disso ser endêmico ao fazer grandes e complicados RPGs com milhares de maneiras diferentes de se passar por eles, ainda está ao nosso alcance reduzir erros ao ter mais tempos. Quando essa é uma escolha da editora, esta habilidade (ou prioridade) pode ser tirada da gente.

Sawyer disse também que com os dois Pillars of Eternity o designer Bobby Null fez um ótimo trabalho ao limitar a complexidade das missões ainda no início do desenvolvimento. Segundo ele, embora isso seja um tanto arriscado pois sem muita complexidade os jogadores podem não se sentir atraídos, pelo menos a quantidade de bugs cai consideravelmente.

E foi justamente essa complexidade o que conquistou muitas pessoas no Fallout: New Vegas, jogo que nos oferecia muitas maneiras de solucionar os problemas, mas que também contava com uma grande quantidade de bugs. Entre os outros grandes jogos criados pela Obsidian e que apesar de serem adorados, também ajudaram a criar essa imagem do estúdio ser uma fábrica de bugs, temos o Star Wars: Knights of the Old Republic II, o Alpha Protocol e o Neverwinter Nights 2.

Felizmente nos últimos anos a desenvolvedora conseguiu recorrer ao financiamento coletivo e ter mais liberdade no desenvolvimento dos seus projetos. A dúvida que fica é em relação ao seu próximo jogo, já que para produzir o The Outer Worlds eles estão contando com a colaboração da editora Private Division, uma subsidiária da Take-Two e cujo objetivo é exatamente trabalhar com estúdios independentes*. Mesmo assim, será que este tão promissor jogo também corre o risco de ser lançado antes da hora e assim levar a Obsidian de volta à época da enxurrada de bugs?

*Aqui vale um esclarecimento. Apesar da Obsidian ter sido adquirida pela Microsoft em dezembro do ano passado, o acordo com a Private Division para a publicação do The Outer Worlds foi feito muito antes disso. Portanto, quando o estúdio ainda era independente e por isso o contrato foi mantido, com o título inclusive estando previsto para ser lançado para o PlayStation 4.

Fonte: VGC.

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