Emanuel Laguna 8 anos atrás
Na sexta-feira (03/07), a Comissão de Proteção aos Direitos do Consumidor de Shanghai entrou com um processo contra as fabricantes Samsung e Oppo. A acusação é a de que os smartphones delas supostamente incluiriam software não-solicitado pelos usuários.
Em uma amostra de vinte smartphones selecionados pelo órgão do governo chinês, a comissão de Shanghai descobriu que os aparelhos eram vendidos com vários aplicativos pré-instalados. E boa parte deles não podem ser desinstalados, sendo alguns desses apps responsáveis por roubar parte da franquia de dados do usuário sem este saber.
Samsung tem o costume de substituir aplicativos do Google pelos seus no Android (crédito: Ars Technica)
Para exemplificar, o PROCON chinês realçou que o smartphone Samsung modelo SM-N9008S (Galaxy Note 3) vem com 44 apps pré-instalados, enquanto o Oppo modelo X9007 (Find 7a) inclui nada menos que 71 aplicativos no sistema, incluindo diversos jogos. No caso do aparelho da Samsung, a comissão estranhou a presença de um app de compras online não-listado no manual do usuário.
Sejam jogos, sejam outros programas, nenhuma das duas empresas informa o usuário sobre a inclusão de tais aplicativos, em especial sobre aqueles que não podem ser desinstalados e/ou substituídos. É algo que infringe os direitos dos consumidores, segundo a comissão de Shanghai.
“O litígio seria nossa última tentativa para proteger os consumidores.
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Esperamos que isso force outras fabricantes do setor a terminar com essa prática desagradável, e infelizmente bem comum, de pré-instalar apps sem informar aos consumidores. É algo que é muito necessário para o desenvolvimento saudável de toda a indústria.” — Tao Ailian, secretário-geral da Comissão de Proteção aos Direitos do Consumidor de Shanghai
As fabricantes Samsung e Oppo têm 15 dias para se defenderem, depois que o caso for aceito pelo tribunal local. E só depois de elas apresentarem defesa que o tribunal vai anunciar a data do julgamento.
Não há muito consenso sobre que app pré-instalado é crapware ou não, vai do uso de cada um. Uma skin Android como a TouchWiz permite que a Samsung possa oferecer uma personalidade própria ao seu ecossistema, facilitando por exemplo a migração para um sistema aberto como o Tizen por oferecer funcionalidade e aparência semelhante.
Só que a partir do momento em que um app não-solicitado captura informações pessoais, afeta o desempenho geral e/ou ainda gasta franquia do plano de dados, aí sim dá pra concordar com a comissão de que trata-se de bloatware. Ainda bem que o governo chinês não foi atrás dos notebooks da Samsung. Ainda.
Fonte: National Monitor.