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Marvel MaXimum Collection — Avante, Nostalgia!

Marvel MaXimum Collection resgata vários games (bons e ruins) dos heróis da Marvel Comics, em um pacote sem firulas desnecessárias

12 semanas atrás

Marvel MaXimum Collection é a mais nova coletânea da Limited Run Games, distribuidora especializada em resgatar jogos fora do catálogo e relançá-los em versões digitais e físicas, em um esforço pela preservação dos games. Aqui, ela reúne seis títulos (na verdade sete) estrelados pelos heróis e vilões da Marvel Comics, lançados para diversos sistemas no início dos anos 1990.

Alguns desses games permaneceram atrelados a suas plataformas originais por décadas, e um deles chegou inclusive a ser relançado para plataformas modernas, antes de ser removido das lojas por questões de direitos autorais.

Marvel MaXimum Collection (Crédito: Divulgação/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Marvel MaXimum Collection (Crédito: Divulgação/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Diferente do questionável Jaws: Retro Edition, Marvel MaXimum Collection traz títulos que muitos pediam para serem revisitados, misturados a alguns de menor qualidade, incluindo um dos piores games da história.

Farra nostálgica ao estilo Marvel

Marvel MaXimum Collection é uma coletânea que reúne alguns dos games da Marvel pré-parceria com a Capcom, que começou com The Punisher e culminou nos crossovers. A Limited Run selecionou, dentre os vários lançados por diversos estúdios, aqueles considerados os mais conhecidos pelo grande público.

Isto é o que você vai levar para casa:

  • Silver Surfer (NES, 1990);
  • Captain America and the Avengers (Arcade, 1991);
  • Captain America and the Avengers (Mega Drive, 1992);
  • Captain America and the Avengers (NES, 1991);
  • X-Men: The Arcade Game (Arcade, 1992);
  • Spider-Man/X-Men: Arcade's Revenge (Super NES, 1992);
  • Spider-Man/X-Men: Arcade's Revenge (Mega Drive, 1993);
  • Spider-Man/X-Men: Arcade's Revenge (Game Boy, 1994);
  • Spider-Man/X-Men: Arcade's Revenge (Game Gear, 1994);
  • Spider-Man and Venom: Maximum Carnage (Super NES, 1994);
  • Spider-Man and Venom: Maximum Carnage (Mega Drive, 1994);
  • Venom/Spider-Man: Separation Anxiety (Super NES, 1995);
  • Venom/Spider-Man: Separation Anxiety (Mega Drive, 1995).
Marvel MaXimum Collection (Crédito: Divulgação/Data East/Marvelous/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

A versão original de Captain America and the Avengers era bem difícil (Crédito: Divulgação/Data East/Marvelous/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Tecnicamente, o pacote reúne seis games que se desdobram em várias versões para diversos sistemas, mas o "sétimo game", o port de Captain America and the Avengers para o NES, é completamente diferente do original do Arcade e adaptado com alta fidelidade para o Mega Drive (há também versões para o Super NES, Game Boy e Game Gear que não foram incluídas na coletânea).

No console de 8 bits da Nintendo, em vez de um beat 'em up em que é possível escolher entre quatro heróis diferentes, o jogador desavisado (fato: isso aconteceu comigo, quando comprei o cartucho do NES mais de 30 anos atrás) dará de cara com um game de plataforma, em que apenas Capitão América e Gavião Arqueiro são selecionáveis; na trama, que também é diferente, Visão e Homem de Ferro foram raptados pelo Mandarim e precisam ser resgatados.

Considerando que até o Game Boy recebeu uma versão mais próxima do original, a desenvolvedora original Data East não poderia usar a carta de "limitações de hardware" aqui.

Marvel MaXimum Collection (Crédito: Divulgação/Konami/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

X-Men: The Arcade Game sempre foi um gabinete raríssimo; encontrar o com seis controles era quase impossível (Crédito: Divulgação/Konami/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

No entanto, o grande destaque de Marvel MaXimum Collection é para X-Men: The Arcade Game, o mítico brawler da Konami que suportava gabinetes para até seis jogadores simultâneos. Inspirado no piloto animado Kitty Pryde: O Orgulho dos X-Men, que por sua vez levou à criação da excelente série animada dos Filhos do Átomo, o jogador podia escolher entre Wolverine, Ciclope, Tempestade, Colossus, Noturno e Cristal para descer o sarrafo em sentinelas e inimigos clássicos, que incluíam Blob, Rainha Branca e claro, Magneto.

Este foi o game que chegou a ser disponibilizado para PS3 e Xbox 360 por um tempo, antes de ser removido de ambas as lojas junto com outro beat 'em up da Konami, a versão para Arcade de The Simpsons. Aqui, a Limited Run incluiu o suporte a netcode de rollback na aventura dos X-Men para permitir multiplayer online de até seis jogadores, de modo a reproduzir a bagunça generalizada que era jogar o game em bando, algo que, convenhamos, era raríssimo de acontecer.

Os mutantes voltam em outro game, Spider-Man/X-Men: Arcade's Revenge, que teve todas as versões lançadas incluídas, em que os X-Men e o Aranha precisam trabalhar em conjunto para escapar das armadilhas do vilão Arcade. Este game não é um favorito dos fãs por ter controles não tão responsivos, diferente dos outros dois estrelados pelo amigão da vizinhança.

Marvel MaXimum Collection (Crédito: Divulgação/Software Creations/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Spider-Man and Venom: Maximum Carnage é até hoje um dos melhores games do Homem-Aranha (Crédito: Divulgação/Software Creations/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Spider-Man and Venom: Maximum Carnage e Venom/Spider-Man: Separation Anxiety, os dois em ambas as versões do Super NES e Mega Drive, foram inspirados em sagas das HQs dos anos 1990 (embora o segundo game seja mais próximo de outro arco) e são dois beat 'em ups com variabilidade de inimigos e desafios, dificuldade alta e excelente trilha sonora (trivia: a música do primeiro chefe de MC é uma versão de The Mob Rules do Black Sabbath, sem tirar nem por).

Estes e outros games da coletânea foram originalmente desenvolvidos pela finada Software Creations, igualmente responsável pela inevitável bomba do pacote, Silver Surfer do NES, listado diversas vezes como um dos piores games de todos os tempos por sua jogabilidade truncada, controles horríveis e dificuldade absurda; como não podia deixar de ser, o game rendeu um dos episódios clássicos do Angry Video Game Nerd.

O Que Aconteceria se...?

Falando do conteúdo técnico, a coletânea usa a Carbon Engine proprietária da Limited Run para emular os games originais e adicionar elementos de Qualidade de Vida (QoL), por exemplo, ao remover boa parte do flickering (pixels piscando) dos games do NES, uma gambiarra usada para contornar limitações técnicas do console. Há também os obrigatórios Museu com artes e scans de caixas e manuais, o Music Player que permite ouvir as músicas dos jogos, e opções de filtros e fundos de tela.

Marvel MaXimum Collection (Crédito: Reprodução/Data East/Marvelous/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

A versão para NES de Captain America and the Avengers é bem diferente da original (Crédito: Reprodução/Data East/Marvelous/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Bem diferente do que aconteceu ao resgatar o terrível Jaws, a Limited Run aqui mais acertou do que errou (e não bolou nenhum FOMO adicional com versões limitadas malucas; a física é bem normal), mas podemos apontar algumas ausências significativas de games da Marvel desse período.

Um deles é o também mítico beat 'em up Spider-Man: The Video Game, lançado em 1991 e eternamente preso ao Arcade, e que por muito tempo foi o único jogo em que Namor, o Príncipe Submarino foi controlável, até a chegada de Marvel Rivals mais de 30 anos depois; outras ausências sentidas são os games Spider-Man vs. The Kingpin, lançado para consoles da Sega, e o excelente X-Men do Mega Drive.

Esticando a corda, podemos mencionar os games do Super NES X-Men: Mutant Apocalypse e Marvel Super Heroes in War of the Gems, e até mesmo Spider-Man: Return of the Sinister Six do NES, mas sendo realista, a coletânea está de bom tamanho como se apresenta e, dependendo da recepção do público, podemos torcer por uma sequência que traga esses e outros games baseados nos personagens da Marvel Comics.

'Nuff said

Marvel MaXimum Collection pode não ser a coletânea perfeita dos games mais antigos dos heróis da Marvel, mas é preciso reconhecer o esforço da Limited Run em recuperar títulos que nunca foram portados para outros sistemas, e que excluindo emulação, estavam presos em seus sistemas originais; não como menosprezar o ato de corrigir a injustiça cometida contra X-Men: The Arcade Game mais de uma década atrás.

Marvel MaXimum Collection (Crédito: Divulgação/Konami/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Não importa a mídia, professor Xavier continua sendo um babaca (Crédito: Divulgação/Konami/Limited Run Games/Marvel Games/Disney)

Mesmo com o histórico um tanto polêmico da distribuidora, que se apoia na nostalgia para encher os burros de grana e disponibiliza produtos que alguns consideram questionáveis, ao menos com Marvel MaXimum Collection a Limited Run decidiu que menos é mais e se concentrou em portar games populares, sejam eles bons ou MUITO ruins (coitado do Surfista Prateado, mas é a vida), para que novas gerações os conheçam e os mais velhos possam apreciá-los novamente em seus sistemas atuais.

De resto, resta esperar por uma sequência que traga no futuro mais games clássicos dos personagens da Casa das Ideias.

Marvel MaXimum Collection — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Windows (testado no Windows com cópia digital cedida pela Limited Run Games);
  • Desenvolvedoras — Konami, Data East, Software Creations, Unexpected Development;
  • Distribuidora — Limited Run Games, Marvel Games;
  • Classificação indicativa — 10 anos.

Pontos Fortes:

  • Diversos títulos do Arcade e consoles resgatados;
  • Várias facilidades e ajustes de QoL;
  • X-Men: The Arcade Game suporta multiplayer online.

Ponto Fraco:

  • Vários clássicos ficaram de fora.

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